Cinema dos Primórdios: O Animatógrafo do Rossio


Para iniciar esta viagem da melhor maneira possível, nada melhor que visitar o Rossio e evocar um animatógrafo que brilhou na cidade de Lisboa e que ainda se mantém intacto actualmente, apesar da sua actividade ser menos digna do seu nome. Refiro-me ao Animatógrafo do Rossio.


Este espaço foi fundado em 1907 pelos irmãos Ernesto e Joaquim Cardoso Correia que, para tal situação, constituíram a firma Correia&Correia. A sua construção custou dez contos de réis, o que para a época era um valor elevado.
Foi considerado o primeiro cinema em Portugal com uma expressão arquitectónica qualificada incluída na chamada Arte Nova curvilínea  característica da escola franco-belga de Horta e Guimard. 


Localiza-se na Rua dos Sapateiros, junto ao Arco da Bandeira (daí ser também conhecido como Arco Bandeira) e foi o primeiro recinto a alcançar uma identidade própria que reflectia na sua fachada as características do cinema.
Possui uma fachada com formas de madeira esculpidas e pintadas, enquadrando painéis de azulejos figurativos (da autoria de M. Queriol), que se encontram entre as portas e a bilheteira e que são ornamentados com duas figuras femininas, com cabelos entrelaçados e segurando entre as mãos dois caules de plantas, rematadas por lâmpadas. É considerada uma relíquia de arte, um autêntico exemplo inédito da Arte Nova e a sua demolição representaria um enorme prejuízo para o património nacional.


É de realçar o facto deste edifício ter permanecido sob a alçada da família original, que nunca  vendeu esta propriedade apesar das inúmeras ofertas recebidas. Em 1929, a empresa Correia, Rosa&Teixeira (composta por membros da família Correia) tornaria-se na proprietária deste espaço.
A sua lotação é de 226 lugares e ao centro tem a bilheteira, sendo que a entrada efectua-se pela porta da direita e a saída pela porta da esquerda. Assim que se entra neste cinema, vê-se cortinados na parte interior das portas, existindo uma passagem directa para o auditório.





O Animatógrafo foi, para além de cinema, palco de espectáculos de variedades e teatro infantil. Em 1984, a Associação Portuguesa de Realizadores propôs que a sua sede passasse a localizar-se ali, projecto que nunca se materializou.
Desde a década de 1990 que este cinema tem sido utilizado como peep-show e sex-shop, o que é lamentável devido ao valor histórico que o rodeia…e que ainda permanece desconhecido do público em geral.


Fonte:
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa – Um fenómeno urbano do século XX, Lisboa, Editorial Bizâncio, 2012

RIBEIRO, M. Félix, Os mais antigos cinemas de Lisboa, 1896-1939, Lisboa, Instituto Português de Cinema/Cinemateca Nacional, 1978

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