Cinemas do Paraíso: Beja


Olá, caros cinéfilos!

Hoje vou viajar até ao Alentejo (por influência de uma pessoa muito especial para mim), mais concretamente a Beja.

Esta cidade, capital da região do Baixo Alentejo, cuja antiga designação (na época de dominio romano) foi Pax Julia, também se cruzou com essa maravilhosa arte que é o cinema.

A Sociedade Filarmónica Capricho Bejense, localizada na Rua da Moeda, nº 10,  foi fundada a 15 de julho de 1916, com o objetivo social de manter uma banda filarmónica e uma acção cultural e recreativa. Ao longo de 101 anos de existência, esta entidade permitiu que os bejenses pudessem ver uma peça de teatro, televisão, concertos musicais, leitura de livros e, claro, assistir a uma sessão de cinema. A informação que eu tenho é que no 1º andar desta sociedade ocorriam as referidas sessões de cinema, devido ao encerramento do Cine-Teatro Pax Julia na década de 1990, pelo que esta entidade figura neste post.


Outro espaço emblemático de Beja que fez chegar o cinema aos seus habitantes foi o Pax Júlia - Teatro Municipal de Beja, localizado no Largo de São João. A importância histórica deste espaço é indiscutível, visto que, durante décadas, recebeu muitas manifestações culturais. Em meados do Séc. XIX, existia uma intensa actividade cultural em Beja, que requeriam instalações adequadas para o efeito. Assim, e por forma a receber condignamente artistas de renome, um grupo de ilustres habitantes criou a Sociedade Teatral Bejense, que haveria de angariar fundos e levar a cabo a construção de um teatro em 1866.
Contudo, e devido à falta de fundos durante largos anos, só em Dezembro de 1928 é que o espaço foi inaugurado, com a designação Teatro Pax Júlia. A lotação deste teatro era de 400 lugares de plateia, 22 frisas com 5 lugares cada uma, 18 camarotes com 5 lugares cada um, 83 fauteilles (cadeiras) de balcão e 300 lugares de geral, perfazendo o total de 980 lugares. Na inauguração, a Companhia Dramática de Ilda Stichini apresentou as peças "Simone", "O Centenário" e "Os Mosquitos", com os actores Luz Veloso, Rafael Marques, Gil Ferreira, Luiz Filipe, entre outros.




No entanto, este espaço tornou-se obsoleto e precisava de ser encerrado, de modo a sofrer obras profundas de remodelação. Mas, mais uma vez, a falta de dinheiro, dificultou o avanço das obras, mas a Sociedade Teatral Bejense conseguiu solucionar o problema. Foram feitos alguns melhoramentos ao edificio, que reabriu em 1952 com a designação de Cine-Teatro Pax Julia. 
Nesta 2ª fase, o espaço continuava com a lógica de apresentação de sessões de cinema e, mais esporádicamente, de espectáculos teatrais e musicais com figuras consagradas, como Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro. Depois do 25 de Abril de 1974, o Pax Julia foi vendido à empresa Lusomundo que programava, essencialmente, cinema. Por vezes, a sala era cedida para apresentação de outros espectáculos. Na década de 1980, actuaram vários artistas famosos neste espaço, como Rui Veloso, Herman José, Grupo Trigo Limpo, entre outros. Em 1990, viria a fechar portas durante mais de uma década, onde foi votado ao abandono.



Em 2005, a Câmara Municipal de Beja comprou este espaço à Lusomundo, tendo sido efetuadas obras de melhoramento e a construção de novas valências. A 17 de Junho do mesmo ano, o Pax Julia foi reinaugurado como Pax Júlia - Teatro Municipal de Beja. 



Nesta nova reincarnação, que se estende até à actualidade, a constituição deste espaço resume-se a um largo auditório, dividido em plateia e balcão, com a lotação de 622 lugares.



A Sala Estúdio é um espaço multidisciplinar, que complementa o auditório, onde os 150lugares disponíveis possibilitam a realização de espectáculos de média dimensão.


A cafetaria que cria um ambiente propício a espectáculos mais pequenos, para além de ponto de encontro para o público.


O foyer é um local de acolhimento, amplo e luminoso, que favorece a tertúlia num ambiente acolhedor, bem como recebe exposições frequentemente.



Por fim, vem o Cinema Melius, localizado na Avenida Fialho de Almeida, e que está incluido no hotel com o mesmo nome. Este espaço de 218 lugares foi inaugurado em 1995 e, ao contrário da tendência de muitas salas de cinema, o seu número de espectadores tem vindo a crescer nos últimos anos, graças à constante modernização feita no mesmo. Os donos desta sala seguiram umcaminho que começou pelo tradicional 2D, passando pelo digital e, mais tarde pelo 3D e IMAX.







Fontes:
- https://issuu.com/camaramunicipaldebeja/docs/boletim_agosto_2016
- https://www.igogo.pt/sociedade-filarmonica-capricho-bejense/
- http://www.cm-beja.pt/viewcidade.do2?numero=2023
- http://www.cm-beja.pt/viewcidade.do2?numero=1923
- http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2015/12/melius-beja.html

Cinema Charlot: mais uma sala "comercial"


A cidade do Porto também foi apetrechada de salas de cinema, que foram marcantes ao longo dos últimos 40 anos.


Uma dessas salas situava-se no primeiro centro comercial inaugurado em Portugal, e em toda a Península Ibérica, em 1976...o Shopping Center Brasília, na Praça Mouzinho de Albuquerque (ou Rotunda da Boavista). O espaço designava-se de Cinema Charlot e tornou-se numa referência entre os cinéfilos portuenses. 
A sala foi considerada muito moderna para a época, porque tinha capacidade de acolher mais de 400 espectadores, para além de ter assentos confortáveis e dois camarotes. Exibia filmes de estreia, tal como acontece actualmente.



Contudo, e como o tempo não perdoa, novas superfícies foram aparecendo, fazendo com que o Shopping Brasília fosse passando de moda, arrastando consigo o referido cinema, que foi perdendo audiência. Consequentemente, fechou as portas em 2001.
Em 2006, reabriu por causa da exposição sobre a comemoração dos 30 anos do centro comercial, mas foi por um breve período de tempo.

Desde então, têm existido propostas de compra do espaço, mas nenhuma que se tenha concretizado, conforme informação da Agência IMB, empresa que construíu o centro comercial e que é dona do antigo cinema.

Mais informações sobre este cinema são bem-vindas.


Fonte:
http://www.cinemasdoporto.com/cinemas_Charlot.htm
http://www.porto24.pt/cultura/salas-vazias-de-cinema-e-futuro/
https://jpn.up.pt/2013/05/19/porto-ha-salas-de-cinema-fechadas-ha-mais-de-20-anos/

10º Aniversário!



10 anos! 

Este pequeno projecto pessoal já tem uma década e merece uma comemoração! Foram dez anos, com alguns momentos de pausa, onde foram relembradas memórias de salas de cinemas que marcaram a vida  de várias gerações de portugueses. 
O trabalho de pesquisa feito para este blogue foi intenso, com a ajuda de diversas fontes (em papel e digital) que foram essenciais para a construção deste blogue.

No entanto, este projecto está longe de acabar...existem tantos cinemas por esse país fora que merecem ser recordados e conhecidos. Este blogue pretende chegar a todas gerações, desde as mais antigas até às mais jovens, através da história por detrás dos edificios.

Este blogue agradece as visitas que tem tido ao longo destes 10 anos e espera que venham muitas mais nos próximos anos! Sim... porque esta viagem no tempo irá continuar, enquanto houver memórias perdidas à espera de ser contadas.

Viva a todos os cinemas do paraíso!

ABCine vs. Hollywood - o cinema chega ao centro comercial




O tecido urbano de Lisboa foi marcado, na década de 1960, pela renovação das construções nas Avenidas Novas. Sem se poder expandir e espartilhado pelos tecidos de malhas apertadas que ocupam as colinas, o centro lisboeta migrou para norte e, depois da tentativa falhada da Avenida de Roma ser uma alternativa à Baixa, a actividade terciária orientou-se para o Marquês de Pombal, indo desembocar nas Avenidas Novas. É nesta zona que vão se centrar um número diversificado de serviços, escritórios e comércio, como também aparecerão novas salas de cinema.

Os novos edifícios diferiam dos anteriores, porque eram mistos, combinando cinema, centro comercial, escritórios e habitação, permitindo uma maior economia de gestão. O aparecimento dessas salas de cinema abriu as portas para a redução dos cinemas de bairro, que estavam a perder concorrência para a televisão. O número de espectadores também estava a diminuir por causa da forte emigração e da Guerra de Ultramar, bem como a fixação de populações em áreas periféricas que ficavam longe do centro e dos bairros onde se situavam os cinemas mais antigos.

Na década de 1970, esta situação manteve-se e foram aparecendo salas de cinema mais pequenas, enquanto que os velhos cinemas de bairro sofreram de exploração deficitária, porque eram sobredimensionados, com instalações e equipamentos antiquados, enfrentando o encerramento. 

O ABCine abriu as portas em 1977, na Praça de Alvalade, nº 6, quando foi inaugurado o Centro Comercial Alvalade, que pertenceu à primeira geração de centros comerciais da capital, sendo considerado, na época, o maior da cidade.




Foi considerado uma coqueluche da capital na década de 1970 e 1980, porque conjugava o conceito inovador de juntar cinema, lojas e restauração. O centro comercial era composto por 82 lojas que ofereciam uma variedade de serviços, tornando-se num pólo de atracção no Bairro de Alvalade. O cinema teve um público fiel durante muito tempo, apesar de estar próximo do gigante vizinho Cinema Alvalade.
Devido ao facto de estar a perder público, a administração do centro comercial decidiu criar uma segunda sala de cinema, mudando a designação para Hollywood, por forma a rentabilizar o espaço e criar uma maior oferta aos visitantes.



Com o aparecimento dos grandes centros comerciais na década de 1990, assistiu-se ao encerramento de muitas lojas e dos cinemas neste centro comercial. Apesar de tudo, este vai resistindo ao tempo e foi alvo de renovação, reabrindo novamente com 27 novas lojas e um Pingo Doce em 2013...mas sem sala de cinema, como outrora.





FONTE:

- SALGUEIRO, Teresa B. Documentos para o Ensino: Dos Animatógrafos ao Cinebolso. 89 anos de cinemas em Lisboa. Finisterra, XX, 40 Lisboa, 1985, pp. 379-397;

- http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2010/01/abcine-1977-1992.html;

- http://ratocine.blogspot.pt/2010/08/os-cinemas-de-lisboa_08.html;

- http://xinho-omeublogue.blogspot.pt/2008_05_01_archive.html;


 
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