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10º Aniversário!



10 anos! 

Este pequeno projecto pessoal já tem uma década e merece uma comemoração! Foram dez anos, com alguns momentos de pausa, onde foram relembradas memórias de salas de cinemas que marcaram a vida  de várias gerações de portugueses. 
O trabalho de pesquisa feito para este blogue foi intenso, com a ajuda de diversas fontes (em papel e digital) que foram essenciais para a construção deste blogue.

No entanto, este projecto está longe de acabar...existem tantos cinemas por esse país fora que merecem ser recordados e conhecidos. Este blogue pretende chegar a todas gerações, desde as mais antigas até às mais jovens, através da história por detrás dos edificios.

Este blogue agradece as visitas que tem tido ao longo destes 10 anos e espera que venham muitas mais nos próximos anos! Sim... porque esta viagem no tempo irá continuar, enquanto houver memórias perdidas à espera de ser contadas.

Viva a todos os cinemas do paraíso!

ABCine vs. Hollywood - o cinema chega ao centro comercial




O tecido urbano de Lisboa foi marcado, na década de 1960, pela renovação das construções nas Avenidas Novas. Sem se poder expandir e espartilhado pelos tecidos de malhas apertadas que ocupam as colinas, o centro lisboeta migrou para norte e, depois da tentativa falhada da Avenida de Roma ser uma alternativa à Baixa, a actividade terciária orientou-se para o Marquês de Pombal, indo desembocar nas Avenidas Novas. É nesta zona que vão se centrar um número diversificado de serviços, escritórios e comércio, como também aparecerão novas salas de cinema.

Os novos edifícios diferiam dos anteriores, porque eram mistos, combinando cinema, centro comercial, escritórios e habitação, permitindo uma maior economia de gestão. O aparecimento dessas salas de cinema abriu as portas para a redução dos cinemas de bairro, que estavam a perder concorrência para a televisão. O número de espectadores também estava a diminuir por causa da forte emigração e da Guerra de Ultramar, bem como a fixação de populações em áreas periféricas que ficavam longe do centro e dos bairros onde se situavam os cinemas mais antigos.

Na década de 1970, esta situação manteve-se e foram aparecendo salas de cinema mais pequenas, enquanto que os velhos cinemas de bairro sofreram de exploração deficitária, porque eram sobredimensionados, com instalações e equipamentos antiquados, enfrentando o encerramento. 

O ABCine abriu as portas em 1977, na Praça de Alvalade, nº 6, quando foi inaugurado o Centro Comercial Alvalade, que pertenceu à primeira geração de centros comerciais da capital, sendo considerado, na época, o maior da cidade.




Foi considerado uma coqueluche da capital na década de 1970 e 1980, porque conjugava o conceito inovador de juntar cinema, lojas e restauração. O centro comercial era composto por 82 lojas que ofereciam uma variedade de serviços, tornando-se num pólo de atracção no Bairro de Alvalade. O cinema teve um público fiel durante muito tempo, apesar de estar próximo do gigante vizinho Cinema Alvalade.
Devido ao facto de estar a perder público, a administração do centro comercial decidiu criar uma segunda sala de cinema, mudando a designação para Hollywood, por forma a rentabilizar o espaço e criar uma maior oferta aos visitantes.



Com o aparecimento dos grandes centros comerciais na década de 1990, assistiu-se ao encerramento de muitas lojas e dos cinemas neste centro comercial. Apesar de tudo, este vai resistindo ao tempo e foi alvo de renovação, reabrindo novamente com 27 novas lojas e um Pingo Doce em 2013...mas sem sala de cinema, como outrora.





FONTE:

- SALGUEIRO, Teresa B. Documentos para o Ensino: Dos Animatógrafos ao Cinebolso. 89 anos de cinemas em Lisboa. Finisterra, XX, 40 Lisboa, 1985, pp. 379-397;

- http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2010/01/abcine-1977-1992.html;

- http://ratocine.blogspot.pt/2010/08/os-cinemas-de-lisboa_08.html;

- http://xinho-omeublogue.blogspot.pt/2008_05_01_archive.html;


São João Cine: um real teatro no Porto


Voltando à bela cidade do Porto, vou falar de um espaço que já foi cinema e que, mais tarde, assumiu a função de teatro. Estou a falar do São João Cine (atual Teatro Nacional São João), localizado na Praça da Batalha.

Qual a história por detrás deste espaço? O corregedor Francisco de Almada e Mendonça e um grupo de accionistas privados decidiram apostar na edificação de uma "bela escola de costumes e de civilidade". Assim, nasceu o Real Teatro de São João (assim apelidado homenageando o então Príncipe Regente, futuro D. João VI), construído sob a alçada do arquitecto e cenógrafo italiano Vincenzo Mazzoneschi e inaugurado em Maio de 1798.




Foi o edifício construído de raiz no Porto, exclusivamente destinado à apresentação de espectáculos. A planta deste teatro era em forma de ferradura. O tecto redondo foi pintado por Joaquim Rafael e em 1856, recebeu nova pintura de Paulo Pizzi. Tinha quatro ordens de camarotes, ficando na tribuna real na 2ª ordem. O átrio era amplo, os corredores eram largos e tinha boas escadarias. No pavimento da 2ª ordem de camarotes existia um fabuloso salão para concertos. O teatro possuía uma excelente acústica. Até 1838, a iluminação era feita por velas de sebo e, depois, de azeite.





Apesar de ter sido explorado, nem sempre pacificamente, por diversas companhias de teatro declamado e lírico, a actividade deste teatro ficaria vinculada ao universo da ópera italiana, que deteve o monopólio de representações na cidade até perto do final do século XIX. No entanto, seria destruído por um incêndio em Abril de 1908.







Em Outubro desse ano, foi lançado o concurso público para a sua reconstrução, do qual seria o vencedor o projeto de José Marques da Silva, considerado "o último arquitecto clássico e o primeiro arquitecto moderno do Porto". Apesar dos constrangimentos orçamentais, Marques da Silva conseguiu conjugar os valores de ostentação com os valores de eficácia, integrando com sucesso os aspectos puramente arquitectónicos e os construtivos. Foi utilizada uma nova técnica, com o uso da do betão na ossatura fundamental e as argamassas de cimento nos revestimentos. Na época, este teatro representava o compromisso entre a inovação técnica e a continuidade estilística de um gosto tradicional. O novo teatro seria inaugurado em Março de 1920.




 


 



Em 1932, e com a decadência da actividade teatral na cidade, este espaço passou a designar-se de São João Cine, dedicando a maior parte da sua programação a exibição cinematográfica. A empresa exploradora deste cinema foi a Agência Cinematográfica H. da Costa,Lda.






Em 1982, este espaço foi classificado como Imóvel de Interesse Público, sendo que dez anos depois, o Estado adquiriu o edifício à família Pinto da Costa. Depois de profundas obras de remodelação entre 1993 e 1995, da responsabilidade do arquitecto João Carreira, este imóvel passou a ser novamente um teatro, entrando em funcionamento regular com a designação de Teatro Nacional de São João.











Fontes:
- http://www.tnsj.pt/home/tnsj/index.php?intID=7&intSubID=10
- http://opsis.fl.ul.pt/Infographic/Index?SmallDescription=teatro%20s%C3%A3o%20jo%C3%A3o&pageIndex=5
- http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2013/10/teatro-nacional-sao-joao.html
- http://www.cinemasdoporto.com/cinemas_SJo%E3o.htm

Belém Cinema - uma zona ligada ao cinema português


Lisboa, mais concretamente a zona de Belém, encontra-se ligada ao cinema português, porque foi nesta zona que uma "fábrica de sonhos" foi instalada pela primeira vez no país. No ano de 1910, Belém foi o local escolhido para se construir o primeiro estúdio de ferro e vidro,como era tradicional na época em todo o mundo.
Para além da primazia na existência dum atelier de filmagens, Belém teve direito, anos mais tarde, a um animatógrafo.

Em Junho de 1925, na Rua Bartolomeu Dias, foi inaugurado o Cinema Belém, que teria sessões nocturnas às segundas e quintas-feiras, sábados e domingos.
O espaço era modesto (um pouco mais que um barracão), mas que tentava servir da melhor maneira possível a sua clientela bairrista.
Anos mais tarde, este recinto seria substituído por uma construção de pedra e cal, precisamente junto à fábrica de artigos de borracha "Repenicado & Bengala", que se designaria de Belém Cinema, espaço que se manteria em exploração até à década de 1950.
De acordo com o Arquivo Municipal de Lisboa, este recinto também foi um depósito de cereais, com destino à Suiça, durante o período da 2ª Guerra Mundial, tendo sido demolido em 1989/1990, por ocasião das obras para a construção do Centro Cultural de Belém.












Fonte:
RIBEIRO, Félix M. (1978) Os mais antigos cinemas de Lisboa 1896-1939. Cinemateca Nacional;
-  http://digitarq.dgarq.gov.pt/viewer?id=1012950;
-  http://arquivomunicipal2.cm-lisboa.pt/xarqdigitalizacaocontent/PaginaDocumento.aspx?DocumentoID=275599&AplicacaoID=1&Pagina=1&Linha=1&Coluna=1
-  http://arquivomunicipal2.cm-lisboa.pt/x-arqweb/ContentPage.aspx?ID=9524e57e8d420001e240&Pos=1&Tipo=PCD;
- http://arquivomunicipal2.cm-lisboa.pt/x-arqweb/ContentPage.aspx?ID=9525ed7f8c420001e240&Pos=1&Tipo=PCD.

A descentralização das salas de cinema de Lisboa nas décadas de 20 e 30 do Séc. XX


Entre o período que mediou as duas grandes guerras mundiais, assistiu-se ao considerável crescimento da cidade de Lisboa, lançando-se os alicerces de uma cidade moderna. O rápido crescimento da população na década de 1930, devido ao forte afluxo de pessoas vindo de outros locais do país, contribuiu para o desenvolvimento de bairros periféricos, que absorveram esses mesmos migrantes.

Com esta situação, a configuração da cidade foi se alterando, sendo que a função residencial do centro começou a ser substituída pelas actividades terciárias. O crescimento dos bairros periféricos acabou por contribuir para o aparecimento de salas de cinema nestes bairros.

A maioria destes cinemas foram surgindo gradualmente ao longo das décadas de 1920 e 1930, que se revelaram como um período de transição na evolução do conceito de sala de cinema, pois as mesmas individualizam-se em dois tipos fundamentais: cinemas de estreia e de bairros. Estes últimos estavam dispersos espacialmente e, como tinham bastante qualidade, foram retirando progressivamente espectadores aos primeiros.

Foi neste período que apareceram cinemas, como: o Cine Bélgica/Universal, Cine Esperança, Belém Cinema, Cinema Tivoli, Cine Tortoise/Campolide, Pathé Cinema/Imperial, etc.





Fontes:

- SALGUEIRO, Teresa B. Documentos para o Ensino: Dos Animatógrafos ao Cinebolso. 89 anos de cinemas em Lisboa. Finisterra, XX, 40 Lisboa, 1985, pp. 379-397.

- http://revelarlx.cm-lisboa.pt/gca/?id=146.

"Agostinho Ricca - História de um Projecto"


No dia 20 de Junho (sábado), vai se realizar a actividade Agostinho Ricca - História de um Projecto, no âmbito das comemoração do centenário do seu nascimento.

Esta actividade é constituída por:

1- Um périplo pelas obras de arquitectura religiosa moderna no grande Porto que inclui a visita a duas igrejas que projectou - a do Complexo Paroquial de Nossa Senhora da Boavista (Porto) e a do Santuário de Santo António (Vale de Cambra). 
O conjunto das obras seleccionadas é um património diversificado. A expressão dos edifícios e a natureza dos programas espelham novos entendimentos sobre o lugar da igreja na cidade. São obras idealizadas por arquitectos formados nas Belas Artes do Porto que, com a obra sonhada e construída, conquistaram a modernidade para a arte ao serviço da Igreja. A visita às obras, cujo programa segue em anexo, realizar-se-á mediante inscrição prévia em:

2- No mesmo dia, às 21h30 decorrerá na igreja de Nossa Senhora da Boavista (Foco - Porto) a conferência "Serviço e Acolhimento - História de um projecto", dedicada à arquitectura religiosa moderna portuguesa com enfoque nas igrejas projectadas por Agostinho Ricca, em particular na igreja no parque residencial. São obras de excelência de um autor cujo percurso ímpar ressalta no panorama da renovação da arquitectura religiosa moderna realizada em Portugal na segunda metade do século XX.
A conferência será realizada pelos arquitectos investigadores João Alves da Cunha, doutorado pela FAUL (Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa), Helena Peixoto e João Luís Marques e doutorando na FAUP (Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto), com entrada livre sem inscrição prévia.

Mais informações em:
https://www.facebook.com/events/1443926225902738/





"Agostinho Ricca - Olhar a Arquitectura" - 15 Maio a 30 Junho 2015


Amanhã, dia 15 de Maio, será inaugurada a Exposição "Agostinho Ricca - Olhar a Arquitectura", tendo como mote as obras deste arquitecto como inspiração para fotógrafos. A inauguração realizar-se-á pelas 21:30h na Olga Santos Galeria, sita na Praça da República, n.º 168, 1º frente, Porto.

Esta exposição colectiva de fotografia estará patente até 30 de Junho de segunda a sábado, das 14:00h às 19:00h, e insere-se nas comemorações do centenário do nascimento deste reputado arquitecto.

Se gosta de arquitectura, aliada à fotografia, visite esta exposição.







 
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