Domingo, 4 de Março de 2012

Capitólio: um "gigante" salvo?

Hoje vou relembrar um cine-teatro que durante muito tempo foi um ex-libris de Lisboa, principalmente na zona do Parque Mayer...já estão a ver qual é, certo? Falo-vos do portentoso Cine-Teatro Capitólio.


O Cine-Teatro Capitólio é um edifício classificado de importância arquitectónica internacional. Localiza-se no Parque Mayer, um antigo recinto de diversões de Lisboa inaugurado em 1922.
Luis Cristino da Silva, um dos arquitectos mais proeminentes do Séc. XX português e considerado por especialistas como o introdutor do modernismo em Portugal, foi o autor do projecto do Capitólio e o Engº José Belard da Fonseca foi o autor da inovadora estrutura de betão armado. Quando foi inaugurado oficialmente a 10 de Julho de 1931 e aberto ao público, a 11 de Julho, tornou-se num manifesto sem precedentes em Portugal, representando o espírito do mundo moderno.
Este cine-teatro foi inaugurado com uma série de inovações que o distinguiram das demais construções, como a introdução de uma escada rolante e de uma esplanada no terraço a 11 metros de altura. Foi equipado com um dos melhores sistemas de som do mundo da marca alemã Bauer.


Tinha-se iniciado uma nova era na arquitectura, sendo representativos desse período os edifícios do Diário de Notícias e do antigo Hotel Vitória, ambos na Av. da Liberdade; o edifício da Standard Eléctrica na Av. da Índia; a Estação de Sul e Sueste; o edifício do cinema Cinearte em Santos, etc. De todos, o Capitólio é dos mais representativos do modernismo.
A sala era desmesuradamente grande, podendo albergar 1391 espectadores, número que esmagava qualquer lotação de outro cinema existente naquela altura.






No palco na esplanada do terraço podia-se assistir a espectáculos de variedades, com actores estrangeiros, estreando todas as semanas, novos espectáculos, e tambem ouvir música por uma orquestra privativa, de seu nome “Capitólio Jazz”. Tudo complementado por um esmerado serviço de bar…
Nos dias de mau tempo, o terraço era encerrado e na sala de cinema passava a decorrer espectáculos mistos incluindo a 1ª sessão de cinema e a 2ª sessão de variedades e concerto.




Foram feitas obras de remodelação e conservação, acedendo-se ao exterior por amplas portas envidraçadas, que foram entaipadas na primeira remodelação em 1933. Ainda nesse ano foi montado no terraço-esplanada, uma cabine de projecção para sessões ao ar livre.
Em 1935/36, a planta de edificio foi novamente alterada sob a supervisão de Cristino da Silva. Foi acrescentado à sua estrutura primitiva mais um pavimento no balcão, além de frisas e camarotes, todo o palco foi reestruturado tal como a cabine cinematográfica. Ficou então habilitado a receber 1400 espectadores. 


Como tantos "gigantes" que existiram em Lisboa e que não resistiram, também o Capitólio começou a perder qualidade no seu programa artistico, chegando a transmitir filmes pornográficos. Em 1972, estreou neste cine-teatro o mítico filme de Gerard Damiano Garganta Funda, como também o famoso O Diabo em Ms. Jones, dois filmes pornográficos que marcaram a década de 70.
Com a entrada em decadência do Parque Mayer, também o Capitólio acabaria por perder público e encerrar no início dos anos 80. Em 1983 foi declarado imóvel de interesse público, mas nada foi feito desde essa altura para evitar que o abandono e a ruína tomasse conta do edifício. No novo milénio surgiu um projecto de grande envergadura destinado a reconverter o Parque Mayer e devolver ao espaço as luzes e público de outrora, mas no projecto estava prevista a demolição deste edificio com vista à construção de novas infra-estruturas.


Um grupo de cidadãos lutou para que tal não acontecesse e conseguiu que o Capitólio fosse inserido no "World Monuments Fund", na lista dos 100 edifícios de interesse histórico mais ameaçados. Esta acção levou a que actualmente a C.M.L. tomasse a decisão de manter o Capitólio, como espaço teatral, e abrisse um concurso internacional para a restauração do mesmo seguindo o projecto original do arquitecto Luis Cristino da Silva.


Em 2009, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou por unanimidade a atribuição do nome do actor Raul Solnado ao Cine-Teatro, visto que Raul Solnado chegou a ser empresário do Capitólio, mesmo que por pouco tempo, como também devido ao seu passado artistico em revistas no Parque Mayer.
O projecto de Reabilitação do Cine-Teatro Capitólio (agora denominado Teatro Raul Solnado) e o Plano de Pormenor do Parque Mayer são da autoria, respectivamente, de Alberto Souza de Oliveira e Manuel Aires Mateus.


Relativamente ao projecto para reabilitar o Capitólio, o que se pretende é uma aproximação cénica ao sítio urbano, neste caso o Parque Mayer,  reabilitando o espaço como lugar de teatro. A transformação do Capitólio passa por repor a sua “grande sala” e abri-la, lateralmente, para uma grande praça que “encaixa” o espectáculo.

  
A reabilitação do edifício pretende repor e melhorar o seu desempenho, atingindo a versatilidade compatível com os níveis de exigência das produções contemporâneas de espectáculos. A “grande caixa” poderá ser transformada numa única “arena”, experimentando os “limites”… explorando múltiplos formatos de espectáculos.
A flexibilidade exigida corresponde a ampliar a capacidade de uso, o que significa um apetrechamento técnico acrescido. Compatibilizar meios técnicos “mais pesados” com a leveza do edificado levanta o problema da “intocabilidade” do Capitólio como peça arquitectónica.



A retoma de funcionalidade do Capitólio passa pelo apetrechamento do “palco” e da “caixa” com meios técnicos de cena (luz, som e vídeo) sendo exigível que o “esqueleto técnico” pretendido seja minimizado, sob pena de “descaracterização” da “caixa”.
O recurso a meios técnicos de cena, implica reduzir a sua expressão arquitectónica, incompatível com o conceito da “caixa” e as linhas modernistas do edifício.

Será que vamos ver a resurreição deste antigo e belo monumento arquitectónico? Vamos ver...pelo menos que consiga ser salvo e que não padeça do mesmo mal do mitico Paris, que definha a olhos vistos em Campo de Ourique.


http://cidadanialx.blogspot.com/2010/04/projecto-do-cine-teatro-capitolio-por.html
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/x-arqweb/(S(hswxw445enuxhx20j3zn0rfa))/SearchResultOnline.aspx?search=_OB%3a%2b_QT%3aTI__Q%3aCAPITOLIO_EQ%3aF_D%3aF___&type=PCD&mode=0&page=0&res=0&set=%3bAF%3b
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/x-arqweb/(S(hswxw445enuxhx20j3zn0rfa))/SearchResultOnline.aspx?search=_OB%3a%2b_QT%3aTI__Q%3aCAPITOLIO_EQ%3aF_D%3aF___&type=PCD&mode=0&page=0&res=0&set=%3bAF%3b
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Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

Rivoli Teatro Municipal

No seguimento do post anterior sobre o Fantasporto 2012, resolvi ficar-me pela bela cidade do Porto e falar sobre uma das mais miticas e belas salas da cidade nortenha: o Rivoli Teatro Municipal.


A história deste teatro começou em 1913 com a inauguração, com pompa e circunstância do Teatro Nacional, da firma Roque & Santos, projectado e edificado pela Companhia Geral de Construções Económicas. Os jornais da época deram à inauguração do imóvel – cuja lotação ultrapassava todas as existentes no país – foros de verdadeiro acontecimento na vida social e cultural da cidade. A programação do Teatro, que incluía já teatro, ópera e concertos, começou também a incluir a exibição de filmes mudos, acompanhando a vaga de interesse pela sétima arte que varria todos os sectores.
Mudanças profundas na baixa portuense obrigaram, no entanto, a repensar o edifício, que acompanhou a evolução urbana das três décadas seguintes, no fim das quais se desenhou o actual perfil do centro da cidade.
O enorme edificio seria assim remodelado originando em 1932 o Cine-Teatro Rivoli, projectado pelo Engº e Arqº Júlio José de Brito, de menores dimensões e já adaptado para a exibição de cinema, para além de ópera, bailado, teatro e concertos.
O Cine-Teatro Rivoli, projectado entre 1929 e 1932, seguiu o modelo da época, na sua primeira fase de modernidade: volumes e superfícies simples e geométricas, nas quais os elementos decorativos são remetidos para pontos específicos – um baixo relevo, um capitel, um friso, uma grade.


Entre 1942 e 1946, o edifício sofreu remodelação das fachadas e interiores, com profusos motivos decorativos em gesso. O autor do projecto inicial retocou o exterior do edifício, elevando a platibanda e a fachada na esquina do teatro, para lá colocar um baixo relevo decorativo, do escultor Henrique Moreira. O Rivoli enfrentou assim a praça entretanto construída à sua frente com mais dignidade e encanto. Dois anos mais tarde, o espaço é novamente objecto de intervenção, para «alindar» os interiores, novo mobiliário e decoração de espaços públicos. Maria Borges, filha do proprietário inicial, culta e interessada pelo desenvolvimento local, continuou devotadamente responsável pela programação, onde estavam incluidos ópera, concertos, teatro e bailado, mesmo que com prejuízo pessoal e enfrentando todos os opositores.
As estreias foram-se sucedendo com uma programação que contava com a presença da Companhia Nacional de Teatro, Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro, Maria Matos, Vasco Santana, etc., que marcou a história da cultura portuense, especialmente brilhante entre os anos 40 e 60, período áureo da gestão de Maria Borges, cujas preocupações beneméritas se uniam à curiosidade intelectual e estética.


Na década de 70, a imagem do Teatro sofreu um revés, provocado por uma má situação financeira. O Rivoli começou a degradar-se, com equipamento obsoleto, sem programação regular ou público próprio, o que fez com que em 1989  a Câmara Municipal do Porto decidisse comprá-lo, para devolver à cidade e aos espectadores um espaço inegavelmente ligado à sua memória.
Em 1992, este edificio fechou para uma total remodelação projectada pelo Arqº Pedro Ramalho. A área existente de 6.000 m² foi ampliada para mais de 11.000m², criando-se um Auditório Secundário, um Café-concerto, uma Sala de Ensaios e um Foyer de Artistas, assim como espaços para os Serviços Administrativos e os Serviços Técnicos.




O programa de recuperação proposto pela Câmara Municipal do Porto pretendia transformar a estrutura convencional de teatro-cinema (onde todos os espaços se organizam em função da sala de espectáculos), num centro multi-funcional cultural e social. O teatro sofreu uma total remodelação nos seus espaços e na programação, apostando na funcionalidade de uma estrutura pensada para responder ao público, aos criadores, a múltiplas linguagens artísticas e às exigências dos frequentadores dos diversos serviços. Em Outubro de 1997, o Rivoli Teatro Municipal reabriu as suas portas, depois de três anos de obras, completamente renovado e com gestão da Culturporto. Pólo cultural que agora tem mais um auditório – o que permite muitas vezes a apresentação de espectáculos em simultâneo –, sala de ensaios, espaços de convívio e restauração, apetrechado para todos os tipos de espectáculo, da ópera ao novo circo.





Em 2006, a Câmara Municipal do Porto anunciou a decisão de entregar a gestão financeira e cultural do Teatro Rivoli a entidades privadas. Em Outubro, cerca de 30 pessoas, na sua maioria elementos do Teatro Plástico, barricaram-se no interior do Rivoli, em protesto pela sua privatização, manifestação que ficou conhecida por "Rivolição".
Em Dezembro de 2006, a maioria PSD/CDS-PP no executivo, em reunião extraordinária privada, decidiu conceder a gestão do teatro ao produtor e encenador Filipe La Féria por um período de quatro anos com início em 1 de Maio de 2007. Seguiram-se duas providências cautelares que visavam anular o acordo, da parte da Plateia (uma das concorrentes) e do Partido Socialista.
Em relação à primeira, o Ministério Público considerou que a concessão do Rivoli tinha sido irregular. O Tribunal Central Administrativo do Norte revogou a sentença da primeira instância que anulava a decisão do Executivo de entregar a gestão do teatro municipal a Filipe La Féria.

Actualmente, o Rivoli é gerido por uma empresa constituída por Filipe La Féria, a Todos ao Palco, que paga à Câmara Municipal do Porto 5% das receitas de bilheteira.
Sob a nova gestão realizaram-se os espectáculos como: Jesus Cristo Superstar (150 mil espectadores); Música no Coração (50 mil espectadores); Violino no Telhado; Piaf (5 mil espectadores); A gaiola das loucas; Annie.
Este ano, o Rivoli Teatro Municipal recebe o Fantasporto 2012. Quem quiser assistir a este festival basta deslocar-se à cidade do Porto e dirigir-se à Praça D. João I, onde se encontra este maravilhoso teatro que oferece diversos serviços como: o Café-Concerto Restaurante, onde para além da função gastronómica, também oferece ao visitante espectáculos de pequeno formato; uma livraria; um grande auditório que consegue albergar perto de 1600 pessoas, divididas pela plateia, 1ª e 2ª plateia, 1º e 2º balcão; um Café-Bar e um pequeno auditório de 174 lugares idealizado para espectáculos mais reduzidos.

Um exemplo de como é possivel manter estes belos monumentos, dando-lhes uma nova vida e uma nova oportunidade.


Fonte: http://cct.portodigital.pt/gen.pl?sid=cct.sections/12121011&fokey=cct.espacoespetaculos/1001
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teatro_Rivoli

Fantasporto 2012



Já arrancou mais uma edição do Fantasporto, o famoso festival internacional que se realiza anualmente no Porto e que já vai em 32 edições, apesar de diversos contratempos e falta de apoios.
De 20 de Fevereiro a 4 de Março no Rivoli Teatro Municipal poderão assistir a diversos filmes, cabendo a Shame de Steve Mcqueen as honras de abertura deste certame.
Com um programa dedicado aos filmes mais recentes em três competições, com retrospectivas e homenagens, não é apenas ai que reside o interesse do festival.

Este ano, e com a devida autorização dos representantes americanos, vai ser celebrado o 30º aniversário do filme Blade Runner, que foi visto pela primeira vez no Fantasporto '83.
Este filme serve de motivo para o programa especial de cruzamento entre o Cinema e as Artes e Ciências, e que em 2012 será dedicado a O Futuro Agora. Uma visão do que poderá ser o futuro expectável nas Artes Plásticas, Música, Literatura, Ciência e Teatro, entre outras áreas, e que contará, por exemplo, com conferências, filmes novos, a publicação de uma antologia de contos de ficção científica, demonstrações científicas e exposição de hologramas.

Se quiserem saber mais informações sobre a edição deste ano do Fantasporto, visitem o site: http://www.fantasporto.com/inicio e desloquem-se à bela cidade do Porto onde podem desfrutar de um festival de cinema como nenhum outro.

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Cinemas do Paraiso: Mértola




Hoje continuo a viagem por esse Portugal fora e paro em Mértola, cidade alentejana que tem direito a figurar neste blog devido ao seu belissimo cine-teatro chamado Marques Duque.

Situado na Rua Serrão Martins, este edificio singular foi construido no lugar onde outrora existira uma igreja dedicada a Santo António dos Pescadores, pela comunidade mertolense ligada à pesca e à navegação fluvial.
Em 1915, a Câmara Municipal transformou a igreja numa cantina escolar, à qual foi atribuida o nome de um antigo professor primário, Marques Duque. Dois anos mais tarde, foi demolida para no seu lugar ser edificado o cine-teatro municipal, uma construção revivalista do periodo republicano com gosto neomourisco.
Este cine-teatro foi acolhendo inumeras actividades culturais ao longo dos anos até que, na década de 90 do séc. XX foi encerrada devido ao seu elevado estado de degradação.
Em 2005 reabriu ao público mantendo a sua fachada original e magnifica em tons de branco e azul. O espaço sofreu uma profunda restruturação com a recuperação da sala, com cerca de 250 lugares; foram renovados o átrio e o foyer e criados um bar e instalações sanitárias. O palco foi ampliado em altura; foram criados novos camarins, uma antecâmara de acesso ao palco e espaços de apoio. 



Os trabalhos desenvolvidos no interior foram também arquelógicos tendo se identificado um conjunto de sepulturas dos séculos V a VII, pensando-se que ali poderia ter existido um prolongamento do cemitério do Rossio do Carmo ou outro antigo santuário cristão.

Actualmente, este cine-teatro apresenta uma programação regular, diversificada e de qualidade, estando sobre a alçada da Câmara Municipal, visto que existe um regulamento municipal sobre a sua utilização.


Fonte: http://www.etu.pt/marques-duque.html
http://www.cm-mertola.pt/viver-em-mertola/cultura/equipamentos-culturais

Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Cinemas Paradiso




Meus caros visitantes... resolvi fazer esta pequena homenagem às antigas pérolas arquitecturais que existiram e ainda existem em Lisboa. Uma viagem ao passado, ás nossas memórias de cinema...ao prazer de passear e apreciar a bela cidade das sete colinas.

Apreciem e comentem!!!

Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Cinemas do Paraiso: Loulé

Mais uma vez, este blog orgulha-se de recuperar memórias de tempos idos onde as salas de cinema eram autênticos monumentos de encher o olho...não só nas grandes capitais como Lisboa e Porto, mas também noutras cidades e vilas de Portugal.

Hoje Loulé encontra-se em destaque com o Cine Teatro Louletano situado na Praça da República, que se manteve ao longo de 75 anos de existência como propriedade da Sociedade Teatral Louletana, constituída em 1925 com o objectivo de “construir um teatro e suas dependências, a respectiva exploração em todas as suas manifestações de arte dramática, lírica, cinematográfica, concertos musicais, serões e conferências artísticas e em tudo o mais que lhe é próprio, excepto comícios políticos”.


Os seus fundadores foram Alberto Rodrigues Formosinho, António Maria Frutuoso da Silva, Artur Gomes Pablos, David Evaristo d'Aragão Teixeira, Dr. Joaquim Cândido Pereira de Magalhães e Silva, José da Costa Ascenção,José da Costa Guerreiro, José Martins Júnior e Manuel dos Santos Pinheiro Júnior que investiram um capital social de 180 contos divididos em nove quotas de 20 contos, ao qual se juntaram dois terrenos, um deles adquirido em hasta pública à Câmara Municipal de Loulé.
Este cine-teatro foi inaugurado oficialmente em 1930, tendo actuado a Companhia Teatral, da grande actriz Ilda Stichini, da qual faziam parte os artistas Clemente Pinto, Luz Veloso, Luís Prieto, Joaquim Oliveira, Alves da Costa, Maria Lagoa, Fernanda de Sousa e outros mais.
Para além das autoridades concelhias, estiveram, presentes nesta cerimónia autoridades distritais como o Governador Civil, o Secretário Geral e outras, além de muitos populares de Faro, Olhão, S. Brás, etc.


A sala de espectáculos é o elemento central do edifício, em torno da qual se vão organizando os serviços de apoio aos espectadores, à administração do teatro e aos serviços internos e de apoio técnico e de cena. Com a remodelação do Cine-Teatro, a sala manteve a sua essência tradicional, aliada agora a um toque de modernidade, nomeadamente em termos dos acabamentos e dos equipamentos técnicos. A lotação máxima da sala é de 310 lugares sentados, distribuídos da seguinte forma: Plateia - 215 lugares; 1º Balcão – 46; 2º Balcão - 49. A sala está equipada com cabines de tradução, que permitem criar condições para acolher seminários, colóquios, conferências, criando também aqui uma espécie de centro de congressos, a par da vertente de sala de espectáculos.



Durante décadas passaram por este palco grandes figuras da cena teatral como Alves da Cunha, Berta de Bívar, Chaby Pinheiro, companhias de revista, etc., e mais recentemente alguns dos melhores actores nacionais como Maria do Céu Guerra ou Raul Solnado.
Relativamente ao cinema, foram ali projectadas películas de fama mundial que encheram por completo aquela que é considerada a mais importante sala de espectáculos do Algarve.
Após vários anos de negociação difícil e burocrática com os proprietários do Cine Teatro Louletano, a Câmara Municipal de Loulé adquiriu, em 2003, este ex-líbris cultural da cidade, do concelho e de toda a região. Ao longo dos tempos, o papel desempenhado pela autarquia em termos de promoção dos eventos realizados neste espaço, bem como da manutenção do edifício, foi fundamental para que o Cine Teatro não fechasse as suas portas ou não chegasse mesmo a ser demolido, apesar deste ser um edifício de domínio privado.
Ao longo dos anos, a Câmara Municipal tem levado a efeito obras de conservação e modernização deste imóvel de forma a satisfazer as exigências dos espectáculos de qualidade que, cada vez mais, farão parte do cartaz de animação deste local, com excelentes condições acústicas e de espaço para acolher grandes eventos, oferecendo uma maior comodidade aos seus usufruidores.

Para além do Cine-Teatro Louletano, também existe o Cinema Charlot em São Clemente, também em Loulé. Digo existe porque esta sala de cinema encontra-se inserida num centro comercial, mas infelizmente está vetada ao abandono e encontra-se presentemente à venda. Mais informações sobre esta sala serão bem vindas.



http://www.lardocelar.com/imobiliario/imovel_detalhes.jsp?id=2656749

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Cinemas do Paraiso: Almada

Os Cinemas do Paraiso não existem somente nas grandes cidades como Lisboa ou Porto...eles encontram-se espalhados pelo país, quer em estado útil, quer em estado terminal. Outros simplesmente persistem na memória dos apreciadores do cinema...e este blog tem como objectivo recuperar essas memórias e mostrá-las a quem não teve oportunidade de contacto com elas. Hoje ficamos por Almada.



Cine Teatro Academia de Instrução e Recreio Familiar Almadense - Fica situada na Rua Capitão Leitão, 64 e é uma colectividade que foi fundada em 1895. Desenvolve actividades em várias áreas como: Atletismo, Ginástica, Artes Marciais, Ballet, Dança, Teatro, Natação, Banda Filarmónica, etc.
Foi agraciada com o grau oficial da Ordem de Benemerência e considerada de Utilidade Pública em 27 de Outubro de 1978. É Medalha de Ouro da Cidade de Almada.
É também uma das salas mais modernas do país, com ecrã panorâmico de alta qualidade, equipamento de som de grande definição e capacidade para 830 lugares, com projeção permanente de filmes em cartaz e outros de elevado interesse cultural em sessões específicas.



Cine-Teatro Incrivel Almadense - Em 1848, no Pátio do Prior do Crato nascia a Sociedade Filarmónica Incrível Almadense - SFIA.
Importante na intervenção social e política, permitiu a reunião, o convívio, a discussão de ideias e a construção de sonhos e ideais. Ajudou a construir a Liberdade. Com ela nasceu a Banda Filarmónica, tendo inaugurado, em 1926, o primeiro edifício do Concelho para projecção de cinema, o Cine-Teatro com salão e plateia. O edifício sofreu algumas alterações ao longo do tempo, as últimas das quais foram realizadas em 1961 para instalar o Cinemascope. A fachada do edifício tem impressa uma estética modernista muito datada.  
Como outras colectividades centenárias, a Incrível tem várias ofertas culturais, recreativas e desportivas.
Foi agraciada com o grau oficial da Ordem de Benemerência e considerada de Utilidade Pública. É Medalha de Ouro da Cidade de Almada.