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Cinemas do Paraíso: Amadora - Recreios da Amadora


Depois da visita a Norte pela cidade do Porto, retorno à zona de Lisboa, mais concretamente ao Concelho de Amadora, onde existiram (e ainda existem) espaços dedicados à mui nobre arte da exibição de filmes.

Hoje, vou começar pelo espaço mais antigo de todos: os Recreios da Amadora, localizado na Av.ª Santos Mattos, 2  na Venteira. A sua história começa com a fixação de atividade industrial na Amadora (acompanhando assim a sua expansão urbanística), com destaque para a "Fábrica de Espartilhos Santos Mattos & Cª", inaugurada em 1895, que empregava mão-de-obra local, instituindo-se como a principal unidade fabril da zona, com grande impacto social.

Assim nasceu a "Sociedade Recreios Desportivos da Amadora", constituída em 1912 por iniciativa do proprietário da referida fábrica, José Santos Mattos e de Antóno Rodrigues Correia. Numa primeira fase, a sua intenção era gerir os equipamentos desportivos anexos á fábrica, designadamente um campo de ténis e um ringue de patinagem. Contudo, o sucesso com a venda dos espartilhos, cintas e outros produtos determinou a necessidade de ampliação das instalações fabris e da atividade da sociedade, originando a inauguração do edificio dos Recreios em 1914.


Este edificio foi projectado por Guilherme Eduardo Gomes, o mesmo autor da Casa Aprígio Gomes, imóvel também situado na Amadora e que se encontra igualmente classificado. A sua inauguração ocorreu no dia 17 de agosto de 1914 e destinava-se à realização de festas, mas também à apresentação de preças de teatro. O edificio era vincadamente neoclássico, destacando-se a fachada principal com os seus três registos cenográficos, o último com frontão triangular que, antigamente, apresentava uma ampla composição escultórica no tímpano. Esta fachada sofreu alterações ao longo dos anos, desaparecendo toda a requintada decoração sobre os vãos do 1º piso, assim como o primitivo jardim rodeado pelo elegante gradeamento. No andar nobre, ainda é possivel observar um pano central rasgado por um janelão de arco de volta perfeita, que dá acessoa um varandim de secção ondulante e baluastrada de cantaria.


A partir da década de 1920, este salão deste edificio era utilizado por colectividades culturais e de recreio locais, através de cedência ou aluguer, recebendo no seu palco representações organizadas por companhias ou troupes dos teatros de Lisboa, multiplicando-se igualmente as sessões de cinema. A sala iria beneficiar de transformações ajustadas às necessidades de renovação da programação, sendo o palco ampliado em profundidade e instalada uma cabine de projecção no exterior, direccionada para o recinto de patinagem, inaugurando assim a época de patinagem e os espectáculos cinematográficos ao ar livre, em sessõesgratuitas para os sócios, mantendo-se assim atè à sua reconversão como espaço de exibição cinematográfica.
Para além da fachada, o restante edificio sofreu alterações ao longo do tempo, especialmente na década de 1940 do Séc. XX, quando a fábrica e os recreios foram vendidos. Por essa altura, este edificio seria convertido numa sala de cinema, sob a batuta do Arq.º Raul Rodrigues Lima, passando a dispor de 600 lugares, sendo que a sala era dotada de um balcão construído em betão.


Em 1979, numa altura em que cidade da Amadora encontrava-se em franco crescimento, este espaço (com a designação de Cine Plaza) sofreu remodelações, em que foram obturados dois arcos na fachada e destruído parte do recheio de mobiliário interior.


Recordado pela sua exclusividade enquanto espaço de entretenimento, pelo seu luxo e aura de nobre edificio deteriorado, era ao velho "Piolho da Amadora" (como era carinhosamente alcunhado), se associava o ritual de ir ao cinema, vivida por várias gerações como um acontecimento festivo, convivial, significativo e memorável. Muitos guardam na memória a imagem de uma sala um pouco degradada, mas que mantinha o seu balcão, plateia, camarotes e frisas e as cadeiras velhas. Com a nova designação, este espaço começou a apresentar estreias cinematográficas. No entanto, a sua função de cinema iria acabar no final da década de 1980, devido à sua inviabilidade económica. 

Este espaço seria adquirido pela Câmara Municipal em 1987, tendo sido lançado um concurso para a sua renovação, ficando esta a cargo do Arq.º Conceição Silva. Contudo, somente em 1997, o novo espaço abriu as portas, ostentando uma alteração total de interior e exterior, destacando-se as superficies em vidro, que prolongaram o edificio.


Actualmente, funciona como um espaço cultural polivalente, atuando como um polo produtor e difusor de cultura, nomeadamente nas áreas do teatro, dança. música, cinema, realização de exposições temporárias, cerimónias e actos intitucionais, atividades de associativismo local, entre outras.

Compreende um auditório, dois estúdios de dança/sala de ensaio, um salão nobre e um logradouro.

No auditório, realizam-se espectáculos de teatro, dança. música, cinema, sessões solenes, conferências, apresentações, reuniões e ensaios. Totalmente equipado a nível de luz, som e multimédia, tem capacidade total para 251 pessoas (215 na plateia e 36 no balcão). No que respeita ao equipamento cénico, o auditório é constituído por varas para suspensão de cenários e equipamento de luz, panejamentos (cortinas, pernas, bambolinas, fundos), ciclorama suspenso, tela elétrica de projeção para cinema, tela suspensa de projeção para seminários, linóleo preto/branco, régies de projeção de som, luz e multimédia, uma sala para reuniões e formação, quatro camarins individuais e dois camarins coletivos, com sistema de comunicação interna e um acesso técnico direto de viaturas à zona de palco.

O Salão Nobre tem como função a vertente de espaço expositivo, incindindo sobretudo nas artes plásticas. Paralelamente, este espaço recebe ainda eventos tão diversos como reuniões, apresentações, conferências e animações musicais. A lotação também é variável consoante o tipo de eventos a realizar, nomeadamente: nas exposições temporárias tem uma lotação máxima de 100 pessoas; nas apresentações, conferências e reuniões tem uma lotação máxima de 60 pessoas e nas animações musicais/teatrais/performances tem uma lotação máxima de 50 pessoas.

O logradouro constitui um espaço exterior com aproximadamente 450m², que pode acolher ocasionalmente, eventos de música, teatro, exposições, projeções de vídeo, entre outros.


Fontes:

- TOMAZ, Sofia Duarte Rodrigues. Cultura e Representações da Cultura. Uma leitura das práticas e políticas culturais a partir do estudo de caso Recreios da Amadora. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, 2014.
- http://www.cm-amadora.pt/cultura/recreios-da-amadora.html
- http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/10116588
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/08/recreios-da-amadora-amadora.html
- https://bloguedelisboa.blogs.sapo.pt/recreios-desportivos-da-amadora-48680
- http://www.lugaresesquecidos.com/forum/viewtopic.php?t=1559
- http://caisdoolhar.blogspot.com/2011/02/tambem-amadora-tinha-o-seu-piolho-em.html
- http://amigosdaamadora.blogspot.com/p/amadora-antiga-os-recreios-da-amadora.html
https://www.facebook.com/Amadora-para-todos-803315509761040/

Julio Deniz - cinema dançante


O regresso à cidade do Porto faz-se com a história de um cinema que se transformou num salão dançante. Falo do Cine-Teatro Júlio Deniz, rebaptizado de Danceteria Júlio Diniz, localizado na Rua de Costa Cabral, entre 317 e 335 e Rua do Lindo Vale.

Na década de 1940, surgiram na cidade do Porto salas de cinema robustas, autênticos monumentos arquitectónicos, que faziam jus à escala da Sétima Arte, como o Coliseu do Porto, o Cinema Vale Formoso e o Cinema Batalha. Foi considerado o período dos "cinemas templos". Na senda destas grandes construções, foi inaugurado em 1943, o Cinema Júlio Deniz (na época, uma das maiores salas da cidade), constituído por plateia e balcão.





Este cinema pretendeu ser modernista, com especial ênfase na torre da fachada principal, no intuito de se impor no contexto urbano (a Rua de Costa Cabral é uma artéria de expansão da cidade com linearidade de cérceas). Por este motivo, sempre foi considerado um “cinema de bairro”, que procurava atender às populações da periferia. O seu carácter modesto e formas desproporcionadas impediram que tivesse um valor arquitectónico relevante. A edificação conforma-se dentro de um lote urbano regular de duas frentes. 

O autor deste projecto, o Mestre Manuel da Silva Passos Júnior, pretendeu edificar um cinema que não impedisse o trânsito e que não provocasse aglomerações à sua porta. Por isso, dividiu a planta em duas partes distintas: a primeira destinada ao público em geral, que tinha acesso pela Rua do Lindo Vale, com serviços independentes; a segunda entrada era feita pela Rua Costa Cabral, reservada para o público da restante plateia e do balcão.
A entrada principal deste lado foi projectada, de modo a permitir a compra de bilhetes num local abrigado, já dentro do edifício, sem obstruir o passeio e, portanto, o trânsito.


Era propriedade da empresa Rocha Brito e VigoçoAo longo da sua existência, oferecia programações alternativas às salas principais da cidade, onde se efectuavam as grandes estreias.
Após 25 de abril de 1974, começou a exibir filmes pornográficos por causa da falta de espectadores.

Actualmente, este espaço funciona como sala de espectáculos de variedades, com matinés dançantes às 3ª e 5ª feiras. Retiraram-se as cadeiras das filas da frente para a instalação da pista de dança e abriu-se um vão lateral, proporcionando uma relação mais franca com o bar. O pequeno palco é suficiente para albergar uma banda reduzida, mantendo-se os restantes elementos. A reabilitação fez-se mais ao nível da instalação de uma nova função compatível, do que propriamente na recuperação da imagem integral do edifício.




Tem recebido nos últimos anos o Festival DDD - Dias da Dança.




Fontes:

- CALOR, Inês Alhandra, Reabilitação de Cinemas Modernistas - Caracterização do Contexto Urbano Ibérico, Relatório de Estágio, Câmara Municipal do Porto, Porto 2003-2004
FERREIRA, Tiago Resende Araújo, A Sala de Cinema, Dissertação de Mestrado,ESMAE, Porto 2013-2014
- https://ruasdoporto.blogspot.com/2012/10/o-porto-e-os-cinemas.html
- https://www.publico.pt/2005/08/15/jornal/combater-a-solidao-num-antigo-cinema-34761
. http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2013/01/julio-deniz-porto.html
- https://www.timeout.pt/porto/pt/atraccoes/julio-deniz
- https://digitarq.cpf.arquivos.pt/viewer?id=1178484
- https://digitarq.cpf.arquivos.pt/viewer?id=1178485
- https://digitarq.cpf.arquivos.pt/viewer?id=1178486

O primeiro video do canal do Youtube "Cinemas do Paraíso"


O Blogue "Cinemas do Paraíso" já tem um canal de Youtube!

Já foram publicados doís videos, em português e inglês sobre o primeiro animatógrafo a transmitir cinema em Portugal: o Real Colyseu de Lisboa.

Espero que gostem dos videos. Cliquem e comentem!





Cinebolso vs. Quinteto vs. N´Gola - cinema "hardcore" ou "eclético"?




De regresso à capital Lisboa, vou falar sobre um cinema infâme que, por pouco tempo, transformou-se num local eclético para se ver cinema. Mas por pouco tempo...

A década de 1960 trouxe a Lisboa a construção de novas salas de cinema, inseridas em edificios mistos, combinando cinema, centro comercial, escritórios e habitação, que permitia uma economia de gestão acentuada. Abria-se assim a porta para o aparecimento de diversos cinemas de "garagem", em detrimento dos tradicionais cinemas de bairro que começavam a acusar a concorrência televisiva. Para além da televisão, a diminuição de público cinematográfico deveu-se à forte emigração e a Guerra de Ultramar, bem como à fixação das populações em áreas periféricas da cidade, cada vez mais afastadas do centro e dos bairros onde se localizavam os cinemas mais antigos.
Embora fossem aparecendo mais salas de cinema, de dimensões pequenas, o número de espectadores não aumentou até 1974. Com a conquista da liberdade a 25 de Abril, o cinema viu-se livre de restrições e da censura, com a projecção integral de filmes e a descoberta de novas cinematografias de origens diversas. O interesse pelo cinema foi renovado devido à melhoria do poder de compra dos lisboetas, justificando o aumento do número de espectadores em 1975.

Neste seguimento de acontecimentos, foi inaugurado no dia 8 de Março de 1975 um pequeno cinema, localizado na Rua Actor Taborda, n.º 27 B, com a designação de Cinebolso, dentro de um pequeno centro comercial com o mesmo nome. A sua proprietária é a firma "Cinebolso - Empresa de Cinemas de Bolso, Lda".




Na altura, o sócio principal era José Gonçalves, que viria a ser sócio de Pedro Bandeira Freire na fundação do cinema Quarteto, inaugurado em Novembro do mesmo ano. No entanto, José Gonçalves iria abandonar esta sociedade para se dedicar, em exclusivo, ao Cinebolso. 



Conforme o anúncio do Diário de Lisboa da referida data, os lugares não eram marcados, excepto nas sessões da noite. Os bilhetes para cada sessão eram vendidos com trinta minutos de antecedência, com excepção das sessões da noites, cujos bilhetes poderiam ser vendidos a partir das 12:00h para o próprio dia ou seguintes. Eram exibidas comédias diariamente (12:30h) e aos sábados (10:30h e 12:30h). Aos domingos eram exibidos filmes para crianças (10:30h e 12:15h). Os filmes eram exibidos sem intervalos. Para além da sala de cinema, este espaço também continha um snack-bar.

O filme inaugural foi "A Salamandra" de Alain Tanner, pretendendo-se conjugar uma programação cuidada com o conforto que se começava a exigir neste tipo de espaços. 
Até 1976, a sua programação foi interessante, com a exibição de filmes como "Joe Hill", "Belle de Jour", entre outros. 




Contudo, a 19 de janeiro de 1976, este cinema virou-se para a exibição de filmes pornográficos com a estreia do filme "Kermesse Erótica". Filmes como "Investigações Sexuais" e "1001 Noites Eróticas" eram exibidos em detrimento de filmes mais eclécticos e comerciais. Consequência da recém liberdade conquistada.



No entanto, a 18 de fevereiro de 1982, este cinema encerrou as portas com o filme "Garotas da Garagem". Pedro Bandeira Freire, famoso proprietário do Cinema Quarteto, comprou este espaço com direito a obras. Foi rebaptizado de Quinteto, continuando com a programação criteriosa que tornara o Quarteto num caso ímpar na exibição cinematográfica lisboeta. Um dos filmes mais famosos que estrearam neste novo cinema foi o "Blade Runner" de Ridley Scott, a 25 de fevereiro de 1983.



E muitos mais filmes de grande qualidade foram exibidos neste cinema, como "O Regresso de Jedi" e "Gremlins".

Contudo, esta breve reconversão não resultou, tendo o Quinteto encerrado portas a 2 de outubro de 1985. Voltou a reabrir as portas no dia seguinte, 3 de outubro de 1985, com nova gerência e designação: N'Gola, exibindo o filme "Je Vous Salue Marie". Mas... mais uma vez, esta nova designação não iria singrar, fechando as portas a 4 de junho de 1986.
Este espaço voltava a ser o Cinebolso a partir de 17 de julho de 1986, exibindo filmes "hardcore"... até aos dias de hoje. 

Infelizmente, este cinema tornou-se num local de cruising bastante afamado, confirmado por relatos de pessoas que assistiram a encontros sexuais em plena sala de exibição. As sessões são contínuas e o bilhete é comprado numa máquina, à semelhança do que se passa nas estações de metro. Os tempos do snack-bar já lá vão e não regressam. 



Diz-se que actualmente este cinema encontra-se encerrado para férias... será um encerramento temporário ou definitivo?




Fontes:

ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa – Um fenómeno urbano do século XX, Lisboa, Editorial Bizâncio, 2012. pp
- SALGUEIRO, Teresa B. Documentos para o Ensino: Dos Animatógrafos ao Cinebolso. 89 anos de cinema em Lisboa. Finisterra, XX, 40 Lisboa, 1985. pp. 379-397
- http://restosdecoleccao.blogspot.com/2018/08/cinema-cinebolso.html
- http://ratocine.blogspot.com/2012/07/cinebolso-o-fascinio-perdido-do-cinema.html
http://arquivomunicipal2.cm-lisboa.pt/xarqdigitalizacaocontent/Imagem.aspx?ID=2331211&Mode=M&Linha=1&Coluna=1
- http://wwwdejanito.blogspot.com/2013/08/cinemas-de-lisboa-5.html?zx=284a0ff4953cc114
- http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=06822.172.27125#!6
- http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=06839.189.29579#!19

Cinemas do Paraíso: Cascais


A viagem pelas memórias cinematográficas deste país continua e, desta vez, faz paragem em Cascais, bem perto de Lisboa.

Em 1867, a Familia Real instalou-se sazonalmente nesta vila, transformando-a na capital do lazer em Portugal. Neste seguimento, surgiria, em 1869, o primeiro teatro, Gil Vicente, impondo-se como um dos mais emblemáticos espaços sociais deste Concelho. Esta vila está associada ao surgimento do cinema em Portugal, tendo sido gravado na Boca do Inferno o primeiro filme português em 1896. Desde então, Cascais afirmou-se como um dos locais mais importantes para a história do Teatro e Cinema em Portugal.


A viagem começa na curva da Av. D. Carlos I, sobre os escombros do Palácio dos Marqueses de Cascais, onde existiu um animatógrafo designado Baluarte Terrasse. Datado de 1911, este animatógrafo surgiu num período marcado pela promoção do cinema à escala nacional. Para além dos mais belos e maravilhosos filmes, exibidos em sessões diárias, às 21:00h e 22:30h, matinés aos domingos e em espectáculos de elite, também era possível desfrutar de belissimos terrasses. No entanto, neste local foi edificado em 1920 a Casa dos Condes de Monte Real, com projecto do Arqt.º Guilherme Gomes.






Em 1958, um novo cinema iria surgir nesta vila. Mandado construir por José Afonso Vilar Júnior, e projetado por Joaquim Ferreira, o Cineteatro São José foi integrado no Plano de Urbanização da Costa do Sol. Era constituído por plateia, primeiro e segundo balcão, dispondo de uma lotação para 998 espectadores, possibilitando que os habitantes de Cascais pudessem assistir aos grandes sucessos cinematográficos nas duas décadas seguintes. Possuía uma expressão marcadamente horizontal, com galeria térrea aberta e fachadas sem elementos decorativos.
Este edificio afirmou-se na malha urbana como um volume isolado, solto no ambiente arborizado do Jardim Visconde da Luz. Na década de 1980, foi adaptado para outros fins, sob a égide do Arqt.º Gil Graça, perdendo as caracteristicas arquitectónicas que o caracterizavam, devido à introdução do enorme envidraçado que passou a revestir integralmente a sua fachada principal. Atualmente, funciona como uma sucursal da Caixa Geral de Depósitos.











Em Setembro de 1973, foi inaugurado o 17º estabelecimento do Pão de Açúcar em Portugal, junto à Estrada Marginal e à Linha Ferroviária. A sua inauguração foi um enorme acontecimento na altura, com centenas de pessoas a aglomerarem-se  junto à entrada do estabelecimento.
Para além de todas as secções comuns a todas as lojas, este estabelecimento possuía um pronto-a-vestir, sapataria, balcões de óptica e cosmética, fotografia, artigos de campismo e desporto, acessórios de automóveis, bicicletas, electrodomésticos, roupa de casa, mobiliário, snack-bar e, claro, um cinema, de seu nome Miramar, constituido por duas salas de cinema que, na época, foram consideradas as mais modernas do país. Contudo, a abertura de novos centros comerciais fez com que perdessem público e encerrassem, durante o processo de conversão do Pão de Açúcar para Jumbo.





Também é importante referir a existência do Cinema Oxford (antigo Cine Académico), localizado na Av. 25 de Abril, n.º 25, que foi inaugurado em 1975. Durante duas décadas, foi um dos melhores e mais carismáticos cinemas desta vila, tendo encerrado na década de 1990. Funcionou como um centro de ajuda espiritual pertencente à IURD.
Quem tiver mais informações sobre este cinema, por favor partilhe com este blogue.



Antes do Cascais Shopping, existiu um cinema num centro comercial bem mais pequeno e modesto, localizado na Av. Gaspar Corte Real, n.º 198, no Bairro do Rosário. Esse cinema, também pequeno como o centro comercial chamava-se Riyadh e tinha uma afluência bastante razoável por parte do público, até ao aparecimento de novas salas em grandes superficies comerciais. O próprio centro comercial foi perdendo público, o que ditou o encerramento deste cinema, que ainda exibiu filmes pornográficos durante algum tempo. Atualmente funciona como ginásio.



Na Estrada Nacional n.º 7, localiza-se o Cascais Shopping, inaugurado a 15 de Maio de 1991, tendo sido considerado, depois do C.C. Amoreiras, a segunda superficie comercial de grandes dimensões a ser inaugurada na área metropolitana de Lisboa. Possui oito salas de cinema, exploradas pela NOS Lusomundo, entre as quais a sala IMAX.





Por fim, é importante falar do Cinema da Villa, localizado no Cascais Villa Shopping Center na Av. D. Pedro I. Até 2013, as cinco salas de cinema existentes neste espaço foram exploradas pela empresa Castello Branco. Contudo, o seu encerramento ocorreu após ter sido cortada a electricidade, por falta de pagamento por parte da Socorama Castello-Lopes, que nesse ano pediu a insolvência, alegando dívidas acumuladas no valor de 12 milhões de euros. A programação deste novo cinema divide-se pelo cinema de blockbusters, bem como pelo cinema independente e alternativo.







Fontes:

http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/05/sao-jose-cascais.html
http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/05/riyadh-cascais.html
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/04/pao-de-acucar-cascais.html~
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/04/cascais-villa-cascais.html
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/04/cascais-shopping-cascais.html
- https://www.cascais.pt/sites/default/files/anexos/gerais/new/2016_patrimonio_rota_dos_teatros_0.pdf
- https://biblioteca.cascais.pt/bibliotecadigital/dg26/DG26_item1/DG26_PDF/DG26_PDF_24-C-R0150/DG26_0000_Obracompleta_t24-C-R0150.pdf
- https://www.facebook.com/RealVilladeCascaes/photos/c-1960'-cine-teatro-s/495307600511097/
- http://industriacuf.blogspot.com/2017/09/os-44-anos-do-hipermercado-pao-de.html
- https://jugular.blogs.sapo.pt/3683064.html
- https://visitcascais.com/pt/resource/o-cinema-da-villa
- https://arquivodigital.cascais.pt/xarqweb/Result.aspx?id=88926&type=PCD#&gid=1&pid=1
- https://arquivodigital.cascais.pt/xarqweb/SearchResults.aspx?search=CINEMAS&type=PCD&mode=1&page=1&submode=0&useaut=0&useesp=0&usemef=0&dig=true#&gid=1&pid=1
- https://www.publico.pt/2015/08/20/local/noticia/cascais-ganha-cinema-de-bairro-em-salas-fechadas-pela-crise-1705450

 
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