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Cinebolso vs. Quinteto - cinema "hardcore" ou "eclético"?




De regresso à capital Lisboa, vou falar sobre um cinema infâme que, por pouco tempo, transformou-se num local eclético para se ver cinema. Mas por pouco tempo...

A década de 1960 trouxe a Lisboa a construção de novas salas de cinema, inseridas em edificios mistos, combinando cinema, centro comercial, escritórios e habitação, que permitia uma economia de gestão acentuada. Abria-se assim a porta para o aparecimento de diversos cinemas de "garagem", em detrimento dos tradicionais cinemas de bairro que começavam a acusar a concorrência televisiva. Para além da televisão, a diminuição de público cinematográfico deveu-se à forte emigração e a Guerra de Ultramar, bem como à fixação das populações em áreas periféricas da cidade, cada vez mais afastadas do centro e dos bairros onde se localizavam os cinemas mais antigos.
Embora fossem aparecendo mais salas de cinema, de dimensões pequenas, o número de espectadores não aumentou até 1974. Com a conquista da liberdade a 25 de Abril, o cinema viu-se livre de restrições e da censura, com a projecção integral de filmes e a descoberta de novas cinematografias de origens diversas. O interesse pelo cinema foi renovado devido à melhoria do poder de compra dos lisboetas, justificando o aumento do número de espectadores em 1975.

Neste seguimento de acontecimentos, foi inaugurado no dia 8 de Março de 1975 um pequeno cinema, localizado na Rua Actor Taborda, n.º 27 B, com a designação de Cinebolso


O filme inaugural foi "A Salamandra" de Alain Tanner, pretendendo-se conjugar uma programação cuidada com o conforto que se começava a exigir neste tipo de espaços.


Conforme o anúncio do Diário de Lisboa da referida data, os lugares não eram marcados, excepto nas sessões da noite. Os bilhetes para cada sessão eram vendidos com trinta minutos de antecedência, com excepção das sessões da noites, cujos bilhetes poderiam ser vendidos a partir das 12:00h para o próprio dia ou seguintes. Eram exibidas comédias diariamente (12:30h) e aos sábados (10:30h e 12:30h). Aos domingos eram exibidos filmes para crianças (10:30h e 12:15h). Os filmes eram exibidos sem intervalos.
Até ao final da década de 1970, a sua programação foi interessante, com a exibição de filmes como "Joe Hill", "Belle de Jour", entre outros. Para além da sala de cinema, este espaço também continha um snack-bar.


Contudo, este cinema virou-se para a exibição de pornografia em pouco tempo. Filmes como "Investigações Sexuais" e "1001 Noites Eróticas" eram exibidos em detrimento de filmes mais ecléticos e comerciais. Consequência da recém liberdade conquistada.


No entanto, por volta de 1982, Pedro Bandeira Freire, famoso proprietário do Cinema Quarteto, comprou este espaço com direito a obras. Foi rebaptizado de Quinteto, continuando com a programação criteriosa, que tornara o Quarteto num caso ímpar na exibição cinematográfica lisboeta.
Um dos filmes mais famosos que estrearam neste novo cinema foi o "Blade Runner" de Ridley Scott, a 25 de fevereiro de 1983.



E muitos mais filmes de grande qualidade foram exibidos neste cinema, como "O Regresso de Jedi" e "Gremlins".

Contudo, esta breve reconversão não resultou e, por volta de 1985, este espaço voltava a ser o Cinebolso, exibindo filmes "hardcore"... até hoje. Infelizmente, este cinema tornou-se num local de cruising bastante afamado, confirmado por relatos de pessoas que assistiram a encontros sexuais em plena sala de exibição. As sessões são contínuas e o bilhete é comprado numa máquina, à semelhança do que se passa nas estações de metro. Os tempos do snack-bar já lá vão e não regressam. 

Diz-se que atualmente este cinema encontra-se encerrado... não deixa saudades... ou talvez não.



Fontes:

ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa – Um fenómeno urbano do século XX, Lisboa, Editorial Bizâncio, 2012. pp
- SALGUEIRO, Teresa B. Documentos para o Ensino: Dos Animatógrafos ao Cinebolso. 89 anos de cinema em Lisboa. Finisterra, XX, 40 Lisboa, 1985. pp. 379-397
- http://ratocine.blogspot.com/2012/07/cinebolso-o-fascinio-perdido-do-cinema.html
http://arquivomunicipal2.cm-lisboa.pt/xarqdigitalizacaocontent/Imagem.aspx?ID=2331211&Mode=M&Linha=1&Coluna=1
- http://wwwdejanito.blogspot.com/2013/08/cinemas-de-lisboa-5.html?zx=284a0ff4953cc114
- http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=06822.172.27125#!6
- http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=06839.189.29579#!19

Cinemas do Paraíso: Cascais


A viagem pelas memórias cinematográficas deste país continua e, desta vez, faz paragem em Cascais, bem perto de Lisboa.

Em 1867, a Familia Real instalou-se sazonalmente nesta vila, transformando-a na capital do lazer em Portugal. Neste seguimento, surgiria, em 1869, o primeiro teatro, Gil Vicente, impondo-se como um dos mais emblemáticos espaços sociais deste Concelho. Esta vila está associada ao surgimento do cinema em Portugal, tendo sido gravado na Boca do Inferno o primeiro filme português em 1896. Desde então, Cascais afirmou-se como um dos locais mais importantes para a história do Teatro e Cinema em Portugal.


A viagem começa na curva da Av. D. Carlos I, sobre os escombros do Palácio dos Marqueses de Cascais, onde existiu um animatógrafo designado Baluarte Terrasse. Datado de 1911, este animatógrafo surgiu num período marcado pela promoção do cinema à escala nacional. Para além dos mais belos e maravilhosos filmes, exibidos em sessões diárias, às 21:00h e 22:30h, matinés aos domingos e em espectáculos de elite, também era possível desfrutar de belissimos terrasses. No entanto, neste local foi edificado em 1920 a Casa dos Condes de Monte Real, com projecto do Arqt.º Guilherme Gomes.






Em 1958, um novo cinema iria surgir nesta vila. Mandado construir por José Afonso Vilar Júnior, e projetado por Joaquim Ferreira, o Cineteatro São José foi integrado no Plano de Urbanização da Costa do Sol. Era constituído por plateia, primeiro e segundo balcão, dispondo de uma lotação para 998 espectadores, possibilitando que os habitantes de Cascais pudessem assistir aos grandes sucessos cinematográficos nas duas décadas seguintes. Possuía uma expressão marcadamente horizontal, com galeria térrea aberta e fachadas sem elementos decorativos.
Este edificio afirmou-se na malha urbana como um volume isolado, solto no ambiente arborizado do Jardim Visconde da Luz. Na década de 1980, foi adaptado para outros fins, sob a égide do Arqt.º Gil Graça, perdendo as caracteristicas arquitectónicas que o caracterizavam, devido à introdução do enorme envidraçado que passou a revestir integralmente a sua fachada principal. Atualmente, funciona como uma sucursal da Caixa Geral de Depósitos.











Em Setembro de 1973, foi inaugurado o 17º estabelecimento do Pão de Açúcar em Portugal, junto à Estrada Marginal e à Linha Ferroviária. A sua inauguração foi um enorme acontecimento na altura, com centenas de pessoas a aglomerarem-se  junto à entrada do estabelecimento.
Para além de todas as secções comuns a todas as lojas, este estabelecimento possuía um pronto-a-vestir, sapataria, balcões de óptica e cosmética, fotografia, artigos de campismo e desporto, acessórios de automóveis, bicicletas, electrodomésticos, roupa de casa, mobiliário, snack-bar e, claro, um cinema, de seu nome Miramar, constituido por duas salas de cinema que, na época, foram consideradas as mais modernas do país. Contudo, a abertura de novos centros comerciais fez com que perdessem público e encerrassem, durante o processo de conversão do Pão de Açúcar para Jumbo.





Também é importante referir a existência do Cinema Oxford (antigo Cine Académico), localizado na Av. 25 de Abril, n.º 25, que foi inaugurado em 1975. Durante duas décadas, foi um dos melhores e mais carismáticos cinemas desta vila, tendo encerrado na década de 1990. Funcionou como um centro de ajuda espiritual pertencente à IURD.
Quem tiver mais informações sobre este cinema, por favor partilhe com este blogue.



Antes do Cascais Shopping, existiu um cinema num centro comercial bem mais pequeno e modesto, localizado na Av. Gaspar Corte Real, n.º 198, no Bairro do Rosário. Esse cinema, também pequeno como o centro comercial chamava-se Riyadh e tinha uma afluência bastante razoável por parte do público, até ao aparecimento de novas salas em grandes superficies comerciais. O próprio centro comercial foi perdendo público, o que ditou o encerramento deste cinema, que ainda exibiu filmes pornográficos durante algum tempo. Atualmente funciona como ginásio.



Na Estrada Nacional n.º 7, localiza-se o Cascais Shopping, inaugurado a 15 de Maio de 1991, tendo sido considerado, depois do C.C. Amoreiras, a segunda superficie comercial de grandes dimensões a ser inaugurada na área metropolitana de Lisboa. Possui oito salas de cinema, exploradas pela NOS Lusomundo, entre as quais a sala IMAX.





Por fim, é importante falar do Cinema da Villa, localizado no Cascais Villa Shopping Center na Av. D. Pedro I. Até 2013, as cinco salas de cinema existentes neste espaço foram exploradas pela empresa Castello Branco. Contudo, o seu encerramento ocorreu após ter sido cortada a electricidade, por falta de pagamento por parte da Socorama Castello-Lopes, que nesse ano pediu a insolvência, alegando dívidas acumuladas no valor de 12 milhões de euros. A programação deste novo cinema divide-se pelo cinema de blockbusters, bem como pelo cinema independente e alternativo.







Fontes:

http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/05/sao-jose-cascais.html
http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/05/riyadh-cascais.html
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/04/pao-de-acucar-cascais.html~
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/04/cascais-villa-cascais.html
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/04/cascais-shopping-cascais.html
- https://www.cascais.pt/sites/default/files/anexos/gerais/new/2016_patrimonio_rota_dos_teatros_0.pdf
- https://biblioteca.cascais.pt/bibliotecadigital/dg26/DG26_item1/DG26_PDF/DG26_PDF_24-C-R0150/DG26_0000_Obracompleta_t24-C-R0150.pdf
- https://www.facebook.com/RealVilladeCascaes/photos/c-1960'-cine-teatro-s/495307600511097/
- http://industriacuf.blogspot.com/2017/09/os-44-anos-do-hipermercado-pao-de.html
- https://jugular.blogs.sapo.pt/3683064.html
- https://visitcascais.com/pt/resource/o-cinema-da-villa
- https://arquivodigital.cascais.pt/xarqweb/Result.aspx?id=88926&type=PCD#&gid=1&pid=1
- https://arquivodigital.cascais.pt/xarqweb/SearchResults.aspx?search=CINEMAS&type=PCD&mode=1&page=1&submode=0&useaut=0&useesp=0&usemef=0&dig=true#&gid=1&pid=1
- https://www.publico.pt/2015/08/20/local/noticia/cascais-ganha-cinema-de-bairro-em-salas-fechadas-pela-crise-1705450

Estúdio Foco - mais um cinema abandonado



De regresso à Invicta e aos seus cinemas do passado. Desta vez vou escrever sobre o Estúdio Foco, localizado na Rua Afonso Lopes Vieira, n.º 54, inserido no Parque Residencial da Boavista.

Este cinema, com caracteristicas de sala estúdio, por ter capacidade para somente 428 pessoas, foi inaugurada em 1973. 
Embora tendo menos espaço, o conforto era imenso. As cadeiras eram do tipo mecânico, que baixavam de acordo com o peso de cada espectador.


A sala estava equipada com projectores Phillips de 35 e 70mm, que ainda se encontram dentro do malfadado cinema atualmente.
O tecto da sala com acústica propria, foi estudada para melhorar o comportamento sonoro e o revestimento era absorvente. As paredes de madeira faziam uma caixa de ressonância com o betão das paredes exteriores. 


Para além da sala em si, foram previstos camarins e um escritório. A entrada no cinema era feita por um amplo foyer.
Passava filmes mais selectos, tendo Lauro António sido o director de programação deste cinema, o que contribuiu para o seu sucesso. Na década de 1990, e com o encerramento de vários cinemas no Porto, o Estúdio Foco manteve-se aberto até 1993.

Atualmente, encontra-se encerrado e abandonado, mantendo a plateia e o equipamento, que se encontram em muito mau estado devido à humidade.



Fontes: 

ALECRIM, Inês Sofia Teixeira Sousa, O Grande Parque Residencial da Boavista 1962-1973, Dissertação de Mestrado, FAUP, Porto 2013-2014

- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2013/04/estudio-foco-porto.html

- https://jpn.up.pt/2013/05/19/porto-ha-salas-de-cinema-fechadas-ha-mais-de-20-anos/


Odeon: uma nova habitação de luxo


Depois de uma viagem pelo Alentejo, regresso à minha capital, Lisboa. Desta vez, irei relatar a história de um cinema, outrora grandioso, mas que atualmente era um edificio em definhamento total (tal como o malfadado Paris). Estou a falar do Odeon, localizado nas traseiras do antigo cinema Condes (hoje Hard Rock Café).

As crescentes exigências relativamente à segurança e o conforto do público, aliadas aos novos requisitos técnicos que o cinema sonoro necessitava, influenciaram a modernização de antigas salas. O novo regulamento dos teatros, publicado em 1927, impôs um conjunto de regras obrigatórias que refletia a sistematização progressiva da noção de "espectáculo cinematográfico" e os novos procedimentos que as salas deveriam adoptar. A partir daqui, eram exigidas licenças de funcionamento após a aprovação dos projectos e das respectivas vistorias. Também era obrigatório o registo prévio do exercicio da actividade e a existência de uma autorização, sob a forma de "visto", para a realização de cada espectáculo.
Também começaram a existir normas específicas que levaram à alteração drástica da organização interior das salas. O imperativo do espaçamento entre cadeiras, de pelo menos 30 centrímetros; a obrigatoriedade de existir uma coxia central na plateia e nos balcões e a imposição de serem também introduzidas coxias laterais, com uma largura mínima de 70 centrímetros, para não falar da largura obrigatória para as escadas de acesso e das medidas que deveriam ser tomadas reltivamente à iluminação suplementar e bocas-de-incêndio, eram normas que iriam dificultar a continuidade da grande maioria dos recintos. Assim, estes postulados levaram à modernização das salas, bem como seriam empregues nos novos cinemas construídos de raiz.

No local exacto da Drogaria Ferreira, importante estabelecimento fundado em 1755, após o terramento que destruíu metade de Lisboa, entre a Rua dos Condes e a Rua de Santo Antão, foi edificado o Cinema Odeón, que era para se chamar Cinema Iberia.



Para a sua construção, foi constituída uma empresa denominada Parisiana Limitada, com os sócios Anastácio Fernandes, proprietário da referida drogaria, Augusto Correia de Barros, antigo dono da drogaria, mas proprietário do terreno, Dr. Eduardo Fonseca, médico oftalmologista, e o pintor Matoso da Fonseca, que seria o futuro director-gerente do cinema.
Após quatro anos de construção laboriosa, ocinema foi inaugurado a 19 de setembro de 1927. Estiveram presente no evento entidades oficiais, imprensa, elementos das relações da empresa, entre outros.



Havendo, oportunamente, firmado contrato com a Metro-Goldwyn Mayer, este cinema abriu as portas ao público dois dias depois. O filme de estreia foi "A Viúva Alegre", de Eric von Stroheim, com Mai Murray e John Gilbert, e que René Bohet, o director da orquestra privativa, sublinhou musicalmente com segurança e o brilho a que viria a habituar o público.


Até ao inicio da epóca de 1929-1930, o cinema foi gerido pela sua empresa proprietária. Contudo, uma nova empresa viria a gerir o mesmo: Salm, Levy Junior & Companhia. Esta empresa geria a Companhia Cinematográfica em Portugal, pioneira da distribuição cinematográfica no país e orientada pelo cinematografista Salomão Levy Jr. Depois da passagem de René Bohet para o Teatro São Luiz, onde seria o responsável pela sua orquestra, seria anunciado que Juan Fabre seria o novo director da orquestra do Odeón.
Em 1937, a exploração deste cinema seria detida por Vicente Alcântara que, como J. Castello Lopes e outros, iniciara a sua actividade no cinema como empregado da Companhia Cinematográfica de Portugal. Ele iria gerir este cinema durante muitos anos, como também os cinemas Palácio e Royal.
Os preços dos bilhetes eram por volta de 1930: camarotes de balcão, 20 escudos; camarotes de 1ª ordem, 20 escudos; camarotes de 1ª ordem, lado: 15 escudos; maples, 8 escudos; 1º balcão, 1ª fila, 6,50 escudos; outras filas, 6 escudos; 2º balcão, 1ª fila, 4 escudos, outras filas, 3,50 escudos.

O  autor do projecto deste cinema foi o construtor Guilherme A.Soares. A capacidade era de 691 espectadores, distribuidos pela plateia, dois balcões e camarotes, sendo um deles suspenso.






O conjunto da sala de espectáculos era formado por um tecto em forma de quilha de um navio, em madeira de "pau brasil",e que se encontra intacto até hoje, depois de anos de abandono; pelo lustre alemão de néons gigantes; pelo luxuriante palco com moldura e frontão em relevo Art Deco; pela complexa teia do palco, com o seu pano de ferro; e pela série de camarotes, galerias e balcões em andares, compondo um exemplar único, o último existente em Portugal.



Pela tela deste cinema passaram clássicos do cinema mudo e sonoro,a preto e branco ou a cores, de Fritz Lang a Tod Browning, passando por George Cukor e Frank Capra.Pelo seu palco passaram inúmeros artistas como Laura Alves, Lola Flores, Hermínia Silva, entre outros.



Até António de Oliveira Salazar, Presidente do Conselho entre 1933 e 1968, tinha um camarote cativo neste cinema, até 1970.




Na década de 1960, e por uma questão estratégica de mercado, dedicou-se à projecção de filmes espanhóis e mexicanos, garantindo o seu sucesso comercial ao preencher um nicho de mercado de aficionados espectadores.
Na segunda metade da década de 1980, este cinema iria exibir filmes pornográficos, até que encerrou definitivamente em 1993.



Durante vinte e cinco anos, este cinema foi definhando por dentro e por fora, tal como o Cinema Paris. A luta pela sua preservação foi encetada por Paulo Ferrero, líder e fundador do fórum "Cidadania LX", que tem sido encansável na defesa do património lisboeta. Foi ele que iniciou o processo de classificação deste edificio no IGESPAR, entre 2005 e 2009, tendo o pedido sido revogado em 2010, acabando com o processo.














No entanto, a Câmara Municipal de Lisboa e a Direcção-Geral do Património já decidiram o futuro deste cinema, que vai ser reconvertido em restaurante e dez apartamento de luxo, com estacionamento subterrâneo robotizado, num total de 2750 metros quadrados. O projecto é promovido pela imobilária Odeon Properties, que comprara o edificio em 2016. Este projecto será da autoria do Arq.º Samuel Torres de Carvalho, conhecido pelos hóteis Memmo em Alfama e no Príncipe Real. As obras irão começar em julho, conforme previsão de Julien Dufour, um dos sócios da Odeon Properties, e com data prevista de término em 2020.



Fontes:

- RIBEIRO, M. Félix, Os mais antigos cinemas de Lisboa, 1896-1939. Lisboa, Instituto Português de Cinema/Cinemateca Nacional, 1978

ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa – Um fenómeno urbano do século XX, Lisboa, Editorial Bizâncio, 2012

- https://restosdecoleccao.blogspot.pt/2013/02/cinema-odeon.html

- https://observador.pt/2018/04/23/habitacao-de-luxo-e-restaurante-futuro-do-cinema-odeon-comeca-em-junho/


Imagens:
https://restosdecoleccao.blogspot.pt/2013/02/cinema-odeon.html

http://ruinarte.blogspot.pt/2016/10/o-cine-teatro-odeon-lisboa.html

- https://observador.pt/2018/04/23/habitacao-de-luxo-e-restaurante-futuro-do-cinema-odeon-comeca-em-junho/
 
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