São João Cine: um real teatro no Porto


Voltando à bela cidade do Porto, vou falar de um espaço que já foi cinema e que, mais tarde, assumiu a função de teatro. Estou a falar do São João Cine (atual Teatro Nacional São João), localizado na Praça da Batalha.

Qual a história por detrás deste espaço? O corregedor Francisco de Almada e Mendonça e um grupo de accionistas privados decidiram apostar na edificação de uma "bela escola de costumes e de civilidade". Assim, nasceu o Real Teatro de São João (assim apelidado homenageando o então Príncipe Regente, futuro D. João VI), construído sob a alçada do arquitecto e cenógrafo italiano Vincenzo Mazzoneschi e inaugurado em Maio de 1798.




Foi o edifício construído de raiz no Porto, exclusivamente destinado à apresentação de espectáculos. A planta deste teatro era em forma de ferradura. O tecto redondo foi pintado por Joaquim Rafael e em 1856, recebeu nova pintura de Paulo Pizzi. Tinha quatro ordens de camarotes, ficando na tribuna real na 2ª ordem. O átrio era amplo, os corredores eram largos e tinha boas escadarias. No pavimento da 2ª ordem de camarotes existia um fabuloso salão para concertos. O teatro possuía uma excelente acústica. Até 1838, a iluminação era feita por velas de sebo e, depois, de azeite.





Apesar de ter sido explorado, nem sempre pacificamente, por diversas companhias de teatro declamado e lírico, a actividade deste teatro ficaria vinculada ao universo da ópera italiana, que deteve o monopólio de representações na cidade até perto do final do século XIX. No entanto, seria destruído por um incêndio em Abril de 1908.







Em Outubro desse ano, foi lançado o concurso público para a sua reconstrução, do qual seria o vencedor o projeto de José Marques da Silva, considerado "o último arquitecto clássico e o primeiro arquitecto moderno do Porto". Apesar dos constrangimentos orçamentais, Marques da Silva conseguiu conjugar os valores de ostentação com os valores de eficácia, integrando com sucesso os aspectos puramente arquitectónicos e os construtivos. Foi utilizada uma nova técnica, com o uso da do betão na ossatura fundamental e as argamassas de cimento nos revestimentos. Na época, este teatro representava o compromisso entre a inovação técnica e a continuidade estilística de um gosto tradicional. O novo teatro seria inaugurado em Março de 1920.




 


 



Em 1932, e com a decadência da actividade teatral na cidade, este espaço passou a designar-se de São João Cine, dedicando a maior parte da sua programação a exibição cinematográfica. A empresa exploradora deste cinema foi a Agência Cinematográfica H. da Costa,Lda.






Em 1982, este espaço foi classificado como Imóvel de Interesse Público, sendo que dez anos depois, o Estado adquiriu o edifício à família Pinto da Costa. Depois de profundas obras de remodelação entre 1993 e 1995, da responsabilidade do arquitecto João Carreira, este imóvel passou a ser novamente um teatro, entrando em funcionamento regular com a designação de Teatro Nacional de São João.











Fontes:
- http://www.tnsj.pt/home/tnsj/index.php?intID=7&intSubID=10
- http://opsis.fl.ul.pt/Infographic/Index?SmallDescription=teatro%20s%C3%A3o%20jo%C3%A3o&pageIndex=5
- http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2013/10/teatro-nacional-sao-joao.html
- http://www.cinemasdoporto.com/cinemas_SJo%E3o.htm

Belém Cinema - uma zona ligada ao cinema português


Lisboa, mais concretamente a zona de Belém, encontra-se ligada ao cinema português, porque foi nesta zona que uma "fábrica de sonhos" foi instalada pela primeira vez no país. No ano de 1910, Belém foi o local escolhido para se construir o primeiro estúdio de ferro e vidro,como era tradicional na época em todo o mundo.
Para além da primazia na existência dum atelier de filmagens, Belém teve direito, anos mais tarde, a um animatógrafo.

Em Junho de 1925, na Rua Bartolomeu Dias, foi inaugurado o Cinema Belém, que teria sessões nocturnas às segundas e quintas-feiras, sábados e domingos.
O espaço era modesto (um pouco mais que um barracão), mas que tentava servir da melhor maneira possível a sua clientela bairrista.
Anos mais tarde, este recinto seria substituído por uma construção de pedra e cal, precisamente junto à fábrica de artigos de borracha "Repenicado & Bengala", que se designaria de Belém Cinema, espaço que se manteria em exploração até à década de 1950.
De acordo com o Arquivo Municipal de Lisboa, este recinto também foi um depósito de cereais, com destino à Suiça, durante o período da 2ª Guerra Mundial, tendo sido demolido em 1989/1990, por ocasião das obras para a construção do Centro Cultural de Belém.












Fonte:
RIBEIRO, Félix M. (1978) Os mais antigos cinemas de Lisboa 1896-1939. Cinemateca Nacional;
-  http://digitarq.dgarq.gov.pt/viewer?id=1012950;
-  http://arquivomunicipal2.cm-lisboa.pt/xarqdigitalizacaocontent/PaginaDocumento.aspx?DocumentoID=275599&AplicacaoID=1&Pagina=1&Linha=1&Coluna=1
-  http://arquivomunicipal2.cm-lisboa.pt/x-arqweb/ContentPage.aspx?ID=9524e57e8d420001e240&Pos=1&Tipo=PCD;
- http://arquivomunicipal2.cm-lisboa.pt/x-arqweb/ContentPage.aspx?ID=9525ed7f8c420001e240&Pos=1&Tipo=PCD.

A descentralização das salas de cinema de Lisboa nas décadas de 20 e 30 do Séc. XX


Entre o período que mediou as duas grandes guerras mundiais, assistiu-se ao considerável crescimento da cidade de Lisboa, lançando-se os alicerces de uma cidade moderna. O rápido crescimento da população na década de 1930, devido ao forte afluxo de pessoas vindo de outros locais do país, contribuiu para o desenvolvimento de bairros periféricos, que absorveram esses mesmos migrantes.

Com esta situação, a configuração da cidade foi se alterando, sendo que a função residencial do centro começou a ser substituída pelas actividades terciárias. O crescimento dos bairros periféricos acabou por contribuir para o aparecimento de salas de cinema nestes bairros.

A maioria destes cinemas foram surgindo gradualmente ao longo das décadas de 1920 e 1930, que se revelaram como um período de transição na evolução do conceito de sala de cinema, pois as mesmas individualizam-se em dois tipos fundamentais: cinemas de estreia e de bairros. Estes últimos estavam dispersos espacialmente e, como tinham bastante qualidade, foram retirando progressivamente espectadores aos primeiros.

Foi neste período que apareceram cinemas, como: o Cine Bélgica/Universal, Cine Esperança, Belém Cinema, Cinema Tivoli, Cine Tortoise/Campolide, Pathé Cinema/Imperial, etc.





Fontes:

- SALGUEIRO, Teresa B. Documentos para o Ensino: Dos Animatógrafos ao Cinebolso. 89 anos de cinemas em Lisboa. Finisterra, XX, 40 Lisboa, 1985, pp. 379-397.

- http://revelarlx.cm-lisboa.pt/gca/?id=146.

"Agostinho Ricca - História de um Projecto"


No dia 20 de Junho (sábado), vai se realizar a actividade Agostinho Ricca - História de um Projecto, no âmbito das comemoração do centenário do seu nascimento.

Esta actividade é constituída por:

1- Um périplo pelas obras de arquitectura religiosa moderna no grande Porto que inclui a visita a duas igrejas que projectou - a do Complexo Paroquial de Nossa Senhora da Boavista (Porto) e a do Santuário de Santo António (Vale de Cambra). 
O conjunto das obras seleccionadas é um património diversificado. A expressão dos edifícios e a natureza dos programas espelham novos entendimentos sobre o lugar da igreja na cidade. São obras idealizadas por arquitectos formados nas Belas Artes do Porto que, com a obra sonhada e construída, conquistaram a modernidade para a arte ao serviço da Igreja. A visita às obras, cujo programa segue em anexo, realizar-se-á mediante inscrição prévia em:

2- No mesmo dia, às 21h30 decorrerá na igreja de Nossa Senhora da Boavista (Foco - Porto) a conferência "Serviço e Acolhimento - História de um projecto", dedicada à arquitectura religiosa moderna portuguesa com enfoque nas igrejas projectadas por Agostinho Ricca, em particular na igreja no parque residencial. São obras de excelência de um autor cujo percurso ímpar ressalta no panorama da renovação da arquitectura religiosa moderna realizada em Portugal na segunda metade do século XX.
A conferência será realizada pelos arquitectos investigadores João Alves da Cunha, doutorado pela FAUL (Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa), Helena Peixoto e João Luís Marques e doutorando na FAUP (Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto), com entrada livre sem inscrição prévia.

Mais informações em:
https://www.facebook.com/events/1443926225902738/





"Agostinho Ricca - Olhar a Arquitectura" - 15 Maio a 30 Junho 2015


Amanhã, dia 15 de Maio, será inaugurada a Exposição "Agostinho Ricca - Olhar a Arquitectura", tendo como mote as obras deste arquitecto como inspiração para fotógrafos. A inauguração realizar-se-á pelas 21:30h na Olga Santos Galeria, sita na Praça da República, n.º 168, 1º frente, Porto.

Esta exposição colectiva de fotografia estará patente até 30 de Junho de segunda a sábado, das 14:00h às 19:00h, e insere-se nas comemorações do centenário do nascimento deste reputado arquitecto.

Se gosta de arquitectura, aliada à fotografia, visite esta exposição.







Comemorações do centenário de nascimento do Arquitecto Agostinho Ricca (1915-2010)






O arquitecto Agostinho Ricca (1915-2010) desenvolveu a sua actividade essencialmente no Porto ao longo de várias décadas. Este evento tem por objectivo primordial dar a conhecer a importância deste arquitecto na cultura do país, e em particular, do Porto. A modernidade da sua obra, bem como a sua escala, são uma lição e um património que não podem ser esquecidos (ex: Cinema Trindade, etc.)

Tendo sido a sua obra uma das mais marcantes e importantes no panorama cultural português, está em preparação a comemoração do centenário do seu nascimento neste ano.

Esta iniciativa conta, por enquanto, com os apoios da Câmara Municipal do Porto, da Ordem dos Arquitectos e da Reitoria Universidade do Porto. 
A comissão organizadora é constituída pelos arquitectos Helena Ricca, Helena Peixoto, Domingos Júnior, Cláudio Ricca e participação do arquitecto João Luís Marques. Com esta comissão colaborarão numerosos técnicos e artistas do país de reconhecido mérito.
A curadoria está a cargo do Professor Doutor Jacinto Rodrigues, professor catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto até 2009 e Doutor em História da Arte pela Universidade Nova de Lisboa. É autor de vários livros sobre urbanismo e arquitectura.

Este evento conta com a seguinte programação:


  • Agostinho Ricca 1915‐2015 – Cerimónia de Apresentação das Comemorações do Centenário no Salão Nobre do Quartel de Santo Ovídeo, Praça da República, Porto – 8 de Maio às 18h30 (Mesa de apresentação do programa das Comemorações com presença das entidades apoiantes e conferência do Professor Doutor Jacinto Rodrigues); 
  • Agostinho Ricca ‐ Olhar a arquitectura ‐ Exposição colectiva de fotografia sobre a obra de Agostinho Ricca na Galeria Olga Santos – 15 de Maio a 30 de Junho (Edição de catálogo da exposição); 
  • Agostinho Ricca  ‐  História de um Projecto  ‐  Complexo Paroquial Nossa Senhora da Boavista, debate após “Passeio pelas igrejas portuenses da 2ª metade do séc.XX ‐arquitectura de serviço e acolhimento.“ 20 de Junho  às 21h30
  • Agostinho Ricca ‐ Arquitectura e Música– Mesa redonda, cerimónia de apresentação do selo e carimbo dos CTT no âmbito da colecção “Emissão Vultos da História e da Cultura” e Concerto no Museu Soares dos Reis – 9 de Julho às 18h30;
  • Agostinho Ricca ‐ O arquitecto na cidade no espaço virtual Second Life ‐ Promovido pelo Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais da Universidade Aberta – Com início a 1 de Outubro;
  • Agostinho Ricca ‐ Arquitectura e Lugar na Biblioteca Almeida Garrett – 15 de Outubro a 17 de Dezembro;
  • Agostinho Ricca ‐ Arquitectura e Desenho na Casa do Infante – 15 de Outubro a 17 de Dezembro (15 de Outubro – Mesa redonda na Biblioteca Almeida Garrett e lançamento do catálogo; Novembro – Mesa redonda na Casa do Infante e 17 de Dezembro – Mesa redonda na Biblioteca Almeida Garrett). 


Para mais informações sobre este evento, é favor visitar os seguintes links:

https://sites.google.com/site/centenariodoarqoagostinhoricca/home

https://www.facebook.com/centenarioagostinhoricca



Fonte:
https://sites.google.com/site/centenariodoarqoagostinhoricca/home

3ª edição dos Cinema Blogger Awards - 13 de Março de 2015


A terceira edição dos Cinema Bloggers Awards irá decorrer no próximo dia 13 de Março no Auditório do Cineclube de Telheiras, onde serão anunciados os vencedores desta edição, assim como serão exibidas curtas-metragens e outras surpresas!

A apresentação estará a cargo do humorista Carlos Pereira.



Royal Cine: a "estrela d'oiro" da Graça


Depois de um passeio pelo Norte do país, regresso a Lisboa para relatar a história de um pequeno e belo cinema de bairro que, embora se mantenha de pé, há muito que deixou de ser uma sala de espectáculos.
A história do Royal Cine, situado na Rua da Graça, começa com uma encomenda. Esta resumia-se à concepção de um edifício destinado a ser um cinema que coroasse a acção do seu promotor, Agapito Serra Fernandes, um abastado comerciante da Baixa, natural da Galiza, que enriquecera na indústria alimentar, sendo proprietário do então muito conhecido restaurante "Estrela de Ouro", e que, entretanto, mandara construir um conjunto de casas para os seus empregados dentro dos limites do terreno que adquirira na zona da Graça, onde também se encontrava a sua residência, Vivenda Rosalina, que actualmente ainda se encontra edificada e recuperada.


O Bairro chamava-se "Estrela D'oiro", construído em 1908, homenageando o estabelecimento com o mesmo nome, e tinha uma definição própria que o Arqt.º Norte Júnior ajudara a configurar, numa lógica de referências que era visível no enorme painel de azulejos que se encontrava na entrada da urbanização privada e na referência à "estrela de ouro" que se estendia pelas ruas no desenho dos monogramas das calçadas.



A base de edificação era um local ocupado por três grandes barracões então existentes na Rua da Graça, nº 98 a 108, sendo que a planta e a responsabilidade da obra foi confiada ao Arqt.º Manuel Joaquim Norte Júnior. Solicitada a respectiva aprovação às autoridades competentes no final de 1928, as obras têm inicio em 1929, embora com dificuldades devido à enorme espessura das paredes mestras dos referidos barracões, que tiveram de ser demolidos completamente. Só em Dezembro do mesmo ano é que esta obra foi concluída.






A fachada deste edifício sustenta-se em duas colunas jónicas que suportam um frontão, onde figuravam as máscaras tradicionais do teatro- a "tragédia" e a "comédia" e que definia este espaço como um local de teatro. A sala era virada para esses termos, dotando-se de uma plateia, balcão e camarotes,que eram servidos por enormes corredores de acesso e pelo aproveitamento de vãos espaçosos destinados a maquinaria de palco. Conseguia acomodar 900 espectadores, distribuídos pela camarotes da frente, com 6 lugares cada um, outra de lado, com 5 lugares. A plateia possuía três coxias, sendo uma central e duas laterais. Também havia um amplo vestíbulo que dava acesso à plateia, da qual partiam duas escadarias laterais que conduziam a um segundo pavimento, onde se encontrava uma enorme sala de baile e o bar. Contudo, a concepção do amplo átrio do edifício, enfeitado com um enorme relógio, onde despontam as duas escadarias laterais que conduzem directamente ao balcão e as decorações da sala, da autoria do pintor Benvindo Ceia, revelam o enobrecimento que caracterizava o teatro.






Mas este edifício era, sobretudo, visto como a marcação de um território, que poderia ser visto na "estrela de ouro", que encimava a fachada.
Abriu as portas em Dezembro de 1929 como cinema de estreia e o seu director-gerente, Aníbal Contreiras, convidou a Imprensa para a inauguração, que teceu rasgados elogios ao edifício, sublinhando o estilo moderno do seu buffet e a comodidade da sala, conseguida pelo espaço existente entre as cadeiras da plateia, sendo considerado um verdadeiro luxo para um cinema de bairro.
Este espaço estabeleceu a quinta-feira como o seu dia de estreia, apresentando a particularidade da realização, todas as quartas-feiras, de matinés dançantes, por convite. A orquestra privativa era dirigida pelo professor Francisco Benetó.
O filme de estreia foi "O Cadáver Vivo", co-produção russo-alemã, dirigido por Fedor Ozep e tendo como protagonista Pudovkine, um dos grandes vultos do cinema russo.


Este cinema estaria ligado à introdução do fonocinema em Portugal. Com efeito, a 5 de Abril de 1930, reproduziria as imagens, através da aparelhagem "Western Electric", sincronizadas com os sons do filme "Sombras Brancas nos Mares do Sul", realizado por W.S. Van Dyke e tendo como intérpretes Raquel Torres e Monte Blue. Este acontecimento contou com a presença do então Presidente da República e outras entidades oficiais, e que influenciou a forma de se ver estes espectáculo e nas alterações que passaram a ser implícitas na modernização das salas.



No seu primeiro ano de actividade, o Royal Cine estreou diversos documentários portugueses e mudos, tal como "Porto de Lisboa", "Arredores de Lamego", "Arredores de Sintra", etc.








Contudo, como aparecimento de outras salas maiores e melhor localizadas, como o Cinema Éden, o Royal Cine acabou por ser relegado para um estatuto de reprise. Acabou por encerrar as portas em Março de 1976 com o filme "Voluntários à Força".

Actualmente, este edifício desempenha funções de supermercado, embora reste do passado a fachada e o átrio da entrada, devidamente restaurados, que conservam a sua traça original.







Fonte:
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa – Um fenómeno urbano do século XX, Lisboa, Editorial Bizâncio,
RIBEIRO, M. Félix, Os mais antigos cinemas de Lisboa, 1896-1939, Lisboa, Instituto Português de Cinema/Cinemateca Nacional, 1978
http://restosdecoleccao.blogspot.pt/search?q=royal+cine
http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=7736
 
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