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Cinemas do Paraíso: Amadora - Recreios da Amadora


Depois da visita a Norte pela cidade do Porto, retorno à zona de Lisboa, mais concretamente ao Concelho de Amadora, onde existiram (e ainda existem) espaços dedicados à mui nobre arte da exibição de filmes.

Hoje, vou começar pelo espaço mais antigo de todos: os Recreios da Amadora, localizado na Av.ª Santos Mattos, 2  na Venteira. A sua história começa com a fixação de atividade industrial na Amadora (acompanhando assim a sua expansão urbanística), com destaque para a "Fábrica de Espartilhos Santos Mattos & Cª", inaugurada em 1895, que empregava mão-de-obra local, instituindo-se como a principal unidade fabril da zona, com grande impacto social.

Assim nasceu a "Sociedade Recreios Desportivos da Amadora", constituída em 1912 por iniciativa do proprietário da referida fábrica, José Santos Mattos e de Antóno Rodrigues Correia. Numa primeira fase, a sua intenção era gerir os equipamentos desportivos anexos á fábrica, designadamente um campo de ténis e um ringue de patinagem. Contudo, o sucesso com a venda dos espartilhos, cintas e outros produtos determinou a necessidade de ampliação das instalações fabris e da atividade da sociedade, originando a inauguração do edificio dos Recreios em 1914.


Este edificio foi projectado por Guilherme Eduardo Gomes, o mesmo autor da Casa Aprígio Gomes, imóvel também situado na Amadora e que se encontra igualmente classificado. A sua inauguração ocorreu no dia 17 de agosto de 1914 e destinava-se à realização de festas, mas também à apresentação de preças de teatro. O edificio era vincadamente neoclássico, destacando-se a fachada principal com os seus três registos cenográficos, o último com frontão triangular que, antigamente, apresentava uma ampla composição escultórica no tímpano. Esta fachada sofreu alterações ao longo dos anos, desaparecendo toda a requintada decoração sobre os vãos do 1º piso, assim como o primitivo jardim rodeado pelo elegante gradeamento. No andar nobre, ainda é possivel observar um pano central rasgado por um janelão de arco de volta perfeita, que dá acessoa um varandim de secção ondulante e baluastrada de cantaria.


A partir da década de 1920, este salão deste edificio era utilizado por colectividades culturais e de recreio locais, através de cedência ou aluguer, recebendo no seu palco representações organizadas por companhias ou troupes dos teatros de Lisboa, multiplicando-se igualmente as sessões de cinema. A sala iria beneficiar de transformações ajustadas às necessidades de renovação da programação, sendo o palco ampliado em profundidade e instalada uma cabine de projecção no exterior, direccionada para o recinto de patinagem, inaugurando assim a época de patinagem e os espectáculos cinematográficos ao ar livre, em sessõesgratuitas para os sócios, mantendo-se assim atè à sua reconversão como espaço de exibição cinematográfica.
Para além da fachada, o restante edificio sofreu alterações ao longo do tempo, especialmente na década de 1940 do Séc. XX, quando a fábrica e os recreios foram vendidos. Por essa altura, este edificio seria convertido numa sala de cinema, sob a batuta do Arq.º Raul Rodrigues Lima, passando a dispor de 600 lugares, sendo que a sala era dotada de um balcão construído em betão.


Em 1979, numa altura em que cidade da Amadora encontrava-se em franco crescimento, este espaço (com a designação de Cine Plaza) sofreu remodelações, em que foram obturados dois arcos na fachada e destruído parte do recheio de mobiliário interior.


Recordado pela sua exclusividade enquanto espaço de entretenimento, pelo seu luxo e aura de nobre edificio deteriorado, era ao velho "Piolho da Amadora" (como era carinhosamente alcunhado), se associava o ritual de ir ao cinema, vivida por várias gerações como um acontecimento festivo, convivial, significativo e memorável. Muitos guardam na memória a imagem de uma sala um pouco degradada, mas que mantinha o seu balcão, plateia, camarotes e frisas e as cadeiras velhas. Com a nova designação, este espaço começou a apresentar estreias cinematográficas. No entanto, a sua função de cinema iria acabar no final da década de 1980, devido à sua inviabilidade económica. 

Este espaço seria adquirido pela Câmara Municipal em 1987, tendo sido lançado um concurso para a sua renovação, ficando esta a cargo do Arq.º Conceição Silva. Contudo, somente em 1997, o novo espaço abriu as portas, ostentando uma alteração total de interior e exterior, destacando-se as superficies em vidro, que prolongaram o edificio.


Actualmente, funciona como um espaço cultural polivalente, atuando como um polo produtor e difusor de cultura, nomeadamente nas áreas do teatro, dança. música, cinema, realização de exposições temporárias, cerimónias e actos intitucionais, atividades de associativismo local, entre outras.

Compreende um auditório, dois estúdios de dança/sala de ensaio, um salão nobre e um logradouro.

No auditório, realizam-se espectáculos de teatro, dança. música, cinema, sessões solenes, conferências, apresentações, reuniões e ensaios. Totalmente equipado a nível de luz, som e multimédia, tem capacidade total para 251 pessoas (215 na plateia e 36 no balcão). No que respeita ao equipamento cénico, o auditório é constituído por varas para suspensão de cenários e equipamento de luz, panejamentos (cortinas, pernas, bambolinas, fundos), ciclorama suspenso, tela elétrica de projeção para cinema, tela suspensa de projeção para seminários, linóleo preto/branco, régies de projeção de som, luz e multimédia, uma sala para reuniões e formação, quatro camarins individuais e dois camarins coletivos, com sistema de comunicação interna e um acesso técnico direto de viaturas à zona de palco.

O Salão Nobre tem como função a vertente de espaço expositivo, incindindo sobretudo nas artes plásticas. Paralelamente, este espaço recebe ainda eventos tão diversos como reuniões, apresentações, conferências e animações musicais. A lotação também é variável consoante o tipo de eventos a realizar, nomeadamente: nas exposições temporárias tem uma lotação máxima de 100 pessoas; nas apresentações, conferências e reuniões tem uma lotação máxima de 60 pessoas e nas animações musicais/teatrais/performances tem uma lotação máxima de 50 pessoas.

O logradouro constitui um espaço exterior com aproximadamente 450m², que pode acolher ocasionalmente, eventos de música, teatro, exposições, projeções de vídeo, entre outros.


Fontes:

- TOMAZ, Sofia Duarte Rodrigues. Cultura e Representações da Cultura. Uma leitura das práticas e políticas culturais a partir do estudo de caso Recreios da Amadora. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, 2014.
- http://www.cm-amadora.pt/cultura/recreios-da-amadora.html
- http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/10116588
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/08/recreios-da-amadora-amadora.html
- https://bloguedelisboa.blogs.sapo.pt/recreios-desportivos-da-amadora-48680
- http://www.lugaresesquecidos.com/forum/viewtopic.php?t=1559
- http://caisdoolhar.blogspot.com/2011/02/tambem-amadora-tinha-o-seu-piolho-em.html
- http://amigosdaamadora.blogspot.com/p/amadora-antiga-os-recreios-da-amadora.html
https://www.facebook.com/Amadora-para-todos-803315509761040/

Cinemas do Paraíso: Cascais


A viagem pelas memórias cinematográficas deste país continua e, desta vez, faz paragem em Cascais, bem perto de Lisboa.

Em 1867, a Familia Real instalou-se sazonalmente nesta vila, transformando-a na capital do lazer em Portugal. Neste seguimento, surgiria, em 1869, o primeiro teatro, Gil Vicente, impondo-se como um dos mais emblemáticos espaços sociais deste Concelho. Esta vila está associada ao surgimento do cinema em Portugal, tendo sido gravado na Boca do Inferno o primeiro filme português em 1896. Desde então, Cascais afirmou-se como um dos locais mais importantes para a história do Teatro e Cinema em Portugal.


A viagem começa na curva da Av. D. Carlos I, sobre os escombros do Palácio dos Marqueses de Cascais, onde existiu um animatógrafo designado Baluarte Terrasse. Datado de 1911, este animatógrafo surgiu num período marcado pela promoção do cinema à escala nacional. Para além dos mais belos e maravilhosos filmes, exibidos em sessões diárias, às 21:00h e 22:30h, matinés aos domingos e em espectáculos de elite, também era possível desfrutar de belissimos terrasses. No entanto, neste local foi edificado em 1920 a Casa dos Condes de Monte Real, com projecto do Arqt.º Guilherme Gomes.






Em 1958, um novo cinema iria surgir nesta vila. Mandado construir por José Afonso Vilar Júnior, e projetado por Joaquim Ferreira, o Cineteatro São José foi integrado no Plano de Urbanização da Costa do Sol. Era constituído por plateia, primeiro e segundo balcão, dispondo de uma lotação para 998 espectadores, possibilitando que os habitantes de Cascais pudessem assistir aos grandes sucessos cinematográficos nas duas décadas seguintes. Possuía uma expressão marcadamente horizontal, com galeria térrea aberta e fachadas sem elementos decorativos.
Este edificio afirmou-se na malha urbana como um volume isolado, solto no ambiente arborizado do Jardim Visconde da Luz. Na década de 1980, foi adaptado para outros fins, sob a égide do Arqt.º Gil Graça, perdendo as caracteristicas arquitectónicas que o caracterizavam, devido à introdução do enorme envidraçado que passou a revestir integralmente a sua fachada principal. Atualmente, funciona como uma sucursal da Caixa Geral de Depósitos.











Em Setembro de 1973, foi inaugurado o 17º estabelecimento do Pão de Açúcar em Portugal, junto à Estrada Marginal e à Linha Ferroviária. A sua inauguração foi um enorme acontecimento na altura, com centenas de pessoas a aglomerarem-se  junto à entrada do estabelecimento.
Para além de todas as secções comuns a todas as lojas, este estabelecimento possuía um pronto-a-vestir, sapataria, balcões de óptica e cosmética, fotografia, artigos de campismo e desporto, acessórios de automóveis, bicicletas, electrodomésticos, roupa de casa, mobiliário, snack-bar e, claro, um cinema, de seu nome Miramar, constituido por duas salas de cinema que, na época, foram consideradas as mais modernas do país. Contudo, a abertura de novos centros comerciais fez com que perdessem público e encerrassem, durante o processo de conversão do Pão de Açúcar para Jumbo.





Também é importante referir a existência do Cinema Oxford (antigo Cine Académico), localizado na Av. 25 de Abril, n.º 25, que foi inaugurado em 1975. Durante duas décadas, foi um dos melhores e mais carismáticos cinemas desta vila, tendo encerrado na década de 1990. Funcionou como um centro de ajuda espiritual pertencente à IURD.
Quem tiver mais informações sobre este cinema, por favor partilhe com este blogue.



Antes do Cascais Shopping, existiu um cinema num centro comercial bem mais pequeno e modesto, localizado na Av. Gaspar Corte Real, n.º 198, no Bairro do Rosário. Esse cinema, também pequeno como o centro comercial chamava-se Riyadh e tinha uma afluência bastante razoável por parte do público, até ao aparecimento de novas salas em grandes superficies comerciais. O próprio centro comercial foi perdendo público, o que ditou o encerramento deste cinema, que ainda exibiu filmes pornográficos durante algum tempo. Atualmente funciona como ginásio.



Na Estrada Nacional n.º 7, localiza-se o Cascais Shopping, inaugurado a 15 de Maio de 1991, tendo sido considerado, depois do C.C. Amoreiras, a segunda superficie comercial de grandes dimensões a ser inaugurada na área metropolitana de Lisboa. Possui oito salas de cinema, exploradas pela NOS Lusomundo, entre as quais a sala IMAX.





Por fim, é importante falar do Cinema da Villa, localizado no Cascais Villa Shopping Center na Av. D. Pedro I. Até 2013, as cinco salas de cinema existentes neste espaço foram exploradas pela empresa Castello Branco. Contudo, o seu encerramento ocorreu após ter sido cortada a electricidade, por falta de pagamento por parte da Socorama Castello-Lopes, que nesse ano pediu a insolvência, alegando dívidas acumuladas no valor de 12 milhões de euros. A programação deste novo cinema divide-se pelo cinema de blockbusters, bem como pelo cinema independente e alternativo.







Fontes:

http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/05/sao-jose-cascais.html
http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/05/riyadh-cascais.html
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/04/pao-de-acucar-cascais.html~
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/04/cascais-villa-cascais.html
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/04/cascais-shopping-cascais.html
- https://www.cascais.pt/sites/default/files/anexos/gerais/new/2016_patrimonio_rota_dos_teatros_0.pdf
- https://biblioteca.cascais.pt/bibliotecadigital/dg26/DG26_item1/DG26_PDF/DG26_PDF_24-C-R0150/DG26_0000_Obracompleta_t24-C-R0150.pdf
- https://www.facebook.com/RealVilladeCascaes/photos/c-1960'-cine-teatro-s/495307600511097/
- http://industriacuf.blogspot.com/2017/09/os-44-anos-do-hipermercado-pao-de.html
- https://jugular.blogs.sapo.pt/3683064.html
- https://visitcascais.com/pt/resource/o-cinema-da-villa
- https://arquivodigital.cascais.pt/xarqweb/Result.aspx?id=88926&type=PCD#&gid=1&pid=1
- https://arquivodigital.cascais.pt/xarqweb/SearchResults.aspx?search=CINEMAS&type=PCD&mode=1&page=1&submode=0&useaut=0&useesp=0&usemef=0&dig=true#&gid=1&pid=1
- https://www.publico.pt/2015/08/20/local/noticia/cascais-ganha-cinema-de-bairro-em-salas-fechadas-pela-crise-1705450

Comemorações do centenário de nascimento do Arquitecto Agostinho Ricca (1915-2010)






O arquitecto Agostinho Ricca (1915-2010) desenvolveu a sua actividade essencialmente no Porto ao longo de várias décadas. Este evento tem por objectivo primordial dar a conhecer a importância deste arquitecto na cultura do país, e em particular, do Porto. A modernidade da sua obra, bem como a sua escala, são uma lição e um património que não podem ser esquecidos (ex: Cinema Trindade, etc.)

Tendo sido a sua obra uma das mais marcantes e importantes no panorama cultural português, está em preparação a comemoração do centenário do seu nascimento neste ano.

Esta iniciativa conta, por enquanto, com os apoios da Câmara Municipal do Porto, da Ordem dos Arquitectos e da Reitoria Universidade do Porto. 
A comissão organizadora é constituída pelos arquitectos Helena Ricca, Helena Peixoto, Domingos Júnior, Cláudio Ricca e participação do arquitecto João Luís Marques. Com esta comissão colaborarão numerosos técnicos e artistas do país de reconhecido mérito.
A curadoria está a cargo do Professor Doutor Jacinto Rodrigues, professor catedrático da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto até 2009 e Doutor em História da Arte pela Universidade Nova de Lisboa. É autor de vários livros sobre urbanismo e arquitectura.

Este evento conta com a seguinte programação:


  • Agostinho Ricca 1915‐2015 – Cerimónia de Apresentação das Comemorações do Centenário no Salão Nobre do Quartel de Santo Ovídeo, Praça da República, Porto – 8 de Maio às 18h30 (Mesa de apresentação do programa das Comemorações com presença das entidades apoiantes e conferência do Professor Doutor Jacinto Rodrigues); 
  • Agostinho Ricca ‐ Olhar a arquitectura ‐ Exposição colectiva de fotografia sobre a obra de Agostinho Ricca na Galeria Olga Santos – 15 de Maio a 30 de Junho (Edição de catálogo da exposição); 
  • Agostinho Ricca  ‐  História de um Projecto  ‐  Complexo Paroquial Nossa Senhora da Boavista, debate após “Passeio pelas igrejas portuenses da 2ª metade do séc.XX ‐arquitectura de serviço e acolhimento.“ 20 de Junho  às 21h30
  • Agostinho Ricca ‐ Arquitectura e Música– Mesa redonda, cerimónia de apresentação do selo e carimbo dos CTT no âmbito da colecção “Emissão Vultos da História e da Cultura” e Concerto no Museu Soares dos Reis – 9 de Julho às 18h30;
  • Agostinho Ricca ‐ O arquitecto na cidade no espaço virtual Second Life ‐ Promovido pelo Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais da Universidade Aberta – Com início a 1 de Outubro;
  • Agostinho Ricca ‐ Arquitectura e Lugar na Biblioteca Almeida Garrett – 15 de Outubro a 17 de Dezembro;
  • Agostinho Ricca ‐ Arquitectura e Desenho na Casa do Infante – 15 de Outubro a 17 de Dezembro (15 de Outubro – Mesa redonda na Biblioteca Almeida Garrett e lançamento do catálogo; Novembro – Mesa redonda na Casa do Infante e 17 de Dezembro – Mesa redonda na Biblioteca Almeida Garrett). 


Para mais informações sobre este evento, é favor visitar os seguintes links:

https://sites.google.com/site/centenariodoarqoagostinhoricca/home

https://www.facebook.com/centenarioagostinhoricca



Fonte:
https://sites.google.com/site/centenariodoarqoagostinhoricca/home

Cinemas do Paraíso: Portimão


A minha busca por antigos cinemas e pérolas arquitectónicas de Portugal já me levou a diversos pontos do país. Desta vez, vou à zona veraneante do Algarve, mais concretamente a Portimão, para falar de alguns espaços de cinema que marcaram esta cidade noutros tempos.
Adjacente à Praça Manuel Teixeira Gomes, no aterro do Cais, foi erguido um barracão em 1912, onde funcionou o Animatógrafo, propriedade de António do Carmo Provisório (daí ser conhecido como Cinema Provisório). O cinema mudo era abrilhantado pelos grupos musicais locais, entre os quais o Fraternidade Philarmónica Recreativa.
Em 1926, este espaço foi arrendado por uma jazz band conceituada designada por Orquestra Semifúsica, que atrairia os amantes do teatro e cinema, passando fitas mais modernas e albergando companhias de teatro e artistas reputados como Mirita Casimiro e Vasco Santana.
Contudo a falta de higiene, apesar das obras de remodelação, e a necessidade de arranjar o Largo do Dique, originaram a demolição do barracão pela Junta Autónoma dos Portos.



Em 1938 foi construído um outro cinema moderno e confortável, designado de Cine-Teatro de Portimão, de raíz modernista, tendo sido demolido no final do séc.XX.
De acordo com o blogue Citizen Grave, ir a este espaço para ver cinema era uma experiência que criava expectativas: "a luz esquecida de um tempo em que ir às soirées de sábado e às matinées de domingo no antigo Cine-Teatro de Portimão, há muito demolido, era um acontecimento esperado durante toda a semana. Do tempo em que entrevia o mundo a partir do alto dos bancos corridos do segundo balcão de um cinema de província, ficou-me uma colecção de cromos que reproduzia as mesmas fotografias dos «actores de momento», emolduradas junto ao bar do Cine-Esplanada, onde numa noite de Verão vi a «Ponte do Rio Kwai» enquanto o céu era riscado por uma chuva de meteoritos que se confundiam com o fogo das baterias japonesas sobre os intrépidos prisioneiros de guerra britânicos. Ficou-me, sobretudo, a memória de um tempo em que ir ao cinema era um acontecimento preparado com uma semana de antecedência. Primeiro, tratava-se de ir num grupo de amigos «ver os cartazes» afixados nas vitrinas, na expectativa de haver um filme para «maiores de 12 anos». Mas o que era bom mesmo era «ir ao cinema»: comprar o bilhete com as economias da semana, receber o programa, ouvir o «going» e ali ficar na penumbra, entre amigos, vivendo as aventuras daqueles heróis tão próximos de mim que até os guardava numa caderneta de cromos na gaveta da minha mesa-de-cabeceira".











FONTE:
FELINO, A. (2008) Os cinemas em Portugal : a interpretação de um arquitecto - Raul Rodrigues Lima. Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia. Universidade de Coimbra.
http://www.cm-portimao.pt/index.php/features/viver/cultura/37-atividades-municipais/cultura/302-patrimonio-espacos-publicos
http://portimaoruaarua.blogspot.pt/2011/02/avenida-d-afonso-henriques.html
http://portimaoruaarua.blogspot.pt/2011/06/largo-do-dique.html
http://citizengrave.blogspot.pt/2012/07/cinemas-teatros-e-cine-teatros.html

Visita à era de ouro dos animatógrafos em Lisboa III


Depois de dois capítulos dedicados aos antigos animatógrafos de Lisboa, regresso a esta era do inicio do Séc. XX para falar de mais alguns locais emblemáticos que se dedicaram ao cinema durante algum tempo.
Por volta de 1910, mais concretamente no inicio da Calçada da Estrela, abria ao público o Casino Étoile, mais um recinto que viria a satisfazer os desejos cinematográficos dos lisboetas, embora por pouco tempo.
A partir de 1915, este espaço viria a largar a exploração cinematográfica para se transformar num local dedicado ao teatro, especialmente pequenas revistas a par de companhias de teatro infantil (que na altura eram muito apetecidas). A sua designação passou a ser de Teatro Estrela e, depois, Salão Teatro de Variedades. Contudo, este teatro viria a encerrar as suas actividades em 1918.
Este edifício exteriormente era muito incaracterístico, sem qualquer atributo arquitectónico digno de registo. A sala era constituída por uma plateia e um balcão de frente, que se continuava  por um e outro lado, cujo acesso era feto por uma escada de pedra, comportando uma lotação de 500 espectadores. O palco (e o ecrã quando se realizavam sessões de cinema) ficava do lado oposto à entrada da sala.




Os bairros típicos de Lisboa acolheram com muito entusiasmo a actividade cinematográfica que surgiu em Lisboa no inicio do Séc. XX. Pelo menos, alguns bairros tinham o seu espaço dedicado ao cinema: Mouraria com o seu Salão Portugal; Bairro Alto com o seu Salon Rouge; Alcântara com o seu Salão Alcântara e o Cinema Promotora; Graça com o Royal Cine, o Gil Vicente, a Voz do Operário e o Salão Recreio. O Bairro da Madragoa iria seguir estes exemplos e também teria o seu animatógrafo, localizado na Rua das Trinas (precisamente onde existira anteriormente uma modesta sala de teatro designada de Teatro das Trinas) designado de Salão das Trinas.
Depois das obras concluídas, este salão abriria as portas ao público em 1919, mas a sua exploração cinematográfica não duraria muito tempo. A partir da década de 1940, este espaço iria desaparecer definitivamente, não restando qualquer vestígio da sua existência actualmente.


Continuando pelo Bairro da Madragoa, outro animatógrafo iria surgir em 1924 instalado no antigo Convento das Bernardas, localizado na Rua da Esperança, designado de Cine Esperança. Contudo, este espaço teria o mesmo destino do Salão das Trinas e, em pouco tempo, viria a fechar portas, comprovando-se que os habitantes deste bairro não estavam interessados no cinema.


Seguindo para o Bairro da Graça, este seria aquele que viu surgir o maior número de animatógrafos no inicio do Séc. XX. Primeiro surgiu o Salão Recreio da Graça, seguido do Salão Voz do Operário, os cinemas Gil Vicente e Royal Cine.
Salão Recreio da Graça localizava-se na Rua da Infância e abriu ao público em 1917, sendo uma sala despretensiosa, mas limpa e cuidada. Apesar das suas cómodas instalações, viria a fechar as portas um ano depois devido à carência de público, embora na altura exibisse teatro e cinema conjuntamente.
Em 1919, este espaço sofreria obras de melhoramento, cujo resultado foi mais agradável e cómodo para os seus frequentadores, que acorreram com entusiasmo ao novo espaço que iria durar até à década de 1930.



Por esta altura, a zona do Chiado era uma das mais privilegiadas relativamente aos animatógrafos. Para além do Cinema Ideal e do Chiado Terrasse, também existia o Salão Trindade.
Este salão localizava-se na Rua Nova da Trindade, instalado entre o teatro com o mesmo nome e o Teatro Ginásio. Ocupava o espaço correspondente à entrada actual dos serviços de avarias e do automático da Companhia de Telefones, que iria adquirir na década de 1920 o edifício onde ficava este salão.
Este espaço abriu as portas ao público em 1909, destinado inicialmente para um público mais popular, e sem grandes comodidades, como era normal em tantas outras salas da época, visto que o público era pouco exigente e só queria vislumbrar o que a tela oferecia. Contudo, também este salão sofreu alterações a nível das comodidades para com isso fidelizar a sua clientela.
Embora fosse um espaço popular, isso não significava que outros públicos não acorressem ao mesmo para ver cinema.
Com o passar do tempo e com a abertura de novas salas, os empresários da indústria cinematográfica viram-se forçados a introduzir melhorias nas salas e seus anexos, como nas instalações das próprias cabines, substituindo as obsoletas e barulhentas máquinas de projecção por aparelhagens mais modernas e capazes.
Em 1917, iniciaram-se obras de certo vulto neste espaço, com modificações significativas na estrutura interior original. No entanto, em 1921 este espaço foi comprado pela Anglo Portuguese Telephone Company, tendo sido posteriormente demolido.





Em 1912, os lisboetas tinham à sua disposição (tal como iria acontecer anos mais tarde com a abertura do Parque Mayer) um amplo recinto de diversões designado de Paraíso de Lisboa. 
Este espaço localizava-se no inicio da Rua da Palma, estendendo-se até ao coliseu da Rua da Palma (pertencente ao Conde de Folgosa).
Dentro deste recinto destacava-se um rink de patinagem, palco dos primeiros ensaios de cinema falado, realizados por técnicos franceses da Gaumont, em colaboração com João Freire Correia. Um salão de cinema completava todo este conjunto posto à disposição dos seus frequentadores.
Contudo este espaço viria a fechar portas em 1921 por falta de clientela.



Fonte:
RIBEIRO, M. Félix, Os mais antigos cinemas de Lisboa, 1896-1939, Lisboa, Instituto Português de Cinema/Cinemateca Nacional, 1978
- http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2011_03_01_archive.html
- http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2010/12/salao-das-trinas-1919-1942.html
- http://www.cm-lisboa.pt/equipamentos/equipamento/info/imovel-da-rua-das-trinas-67-a-73
- http://www.cm-lisboa.pt/equipamentos/equipamento/info/convento-das-bernardas-do-mocambo
- http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2010/12/salao-recreio-da-graca-1917-1936.html
- http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2010/08/salao-trindade-1909-1923.html
- http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2012/09/teatro-da-trindade.html
- http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2010/06/paraiso-de-lisboa-1912-1920.html


Visita à era de ouro dos animatógrafos em Lisboa, parte II


De regresso a Lisboa, vou novamente visitar animatógrafos que foram aparecendo pela cidade no inicio do Séc. XX.
A década entre 1910 e 1919 foi marcada pelo grande desenvolvimento internacional da indústria cinematográfica. Os filmes ao tornarem-se mais longos e de melhor qualidade, vieram eliminar a inclusão de outras expressões artísticas no programa dos animatógrafos. Alguns filmes por si só já conseguiam assegurar o espectáculo. 
O aparecimento de filmes com enredo vieram aumentar a frequência de espectadores, o que levou ao surgimento de mais espaços cinematográficos, como também ao encerramento de muitos outros. E isto deveu-se ao facto de alguns cinemas não terem feito obras de melhoramento, o que levou o público ávido de novidades (quer tecnológicas, quer de instalações) a rumarem para outras salas melhores. Também é importante realçar que a modificação do sistema de contractos (o aluguer das cópias em vez da compra) deixou o exibidor mais desprotegido, uma vez que os contractos a cumprir eram mais apertados (menos sessões para realizar dinheiro).
Foi nesta década que também se verificou que o fenómeno do cinema ia se estendendo para outros bairros de Lisboa, deixando de se concentrar somente no eixo Restauradores-Rossio-Chiado. Esses espaços eram designados de "cinemas de reprise".
O Salão Cosmopolita abriu as portas em 1914 na Rua da Mouraria (próximo do Salão Lisboa), mas a sua existência foi curta (igual a de muitos animatógrafos da época). Em 1916, as suas portas permaneciam abertas acolhendo perto de 510 frequentadores residentes no castiço Bairro da Mouraria. No entanto, este espaço fecharia as suas portas em 1919.




O Bairro da Estefânia também viria a ter um espaço dedicado ao cinema, visto que era uma zona da cidade composta por uma larga faixa de pequena burguesia denominada de "gente remediada". Cinema Império (não confundir com o outro cinema com o mesmo nome) era o nome desse espaço que abriria portas em 1916 na Rua Pascoal de Melo e que era gerido pela firma proprietária Lopes & Rogado, que publicitou-o como "cinema de elite".
Os espectáculos eram feitos às 5ª e 6ª feiras, Sábado e Domingo (neste dia as sessões eram às 20h30 e 21h45, com matinés às 15 horas), onde realizava-se uma só sessão às 21 horas.
Era um espaço que apresentava a novidade de vender bilhetes com antecedência, o que garantia um lugar reservado e também um programa. Mas isso não foi o suficiente para cativar o público, o que levou ao seu encerramento em 1918.



Entre os Bairros de Santa Catarina e Lapa existiu um espaço que também exibiu cinema, de seu nome Salão Edison. Iniciou funções em 1919 (numa zona onde não existia qualquer outros espaço dedicado à mesma arte), num pátio recolhido no Largo do Conde Barão, à semelhança de outros espaços na época  como o Teatro do Rato e o Casino Étoile. Esteve alguns anos aberto, até fechar portas em 1941.



De regresso à zona nobre do Rossio, falo-vos de um animatógrafo que existiu no 2º andar da Quinta da Regaleira (um edifício que ainda se mantém intacto no Largo de São Domingos, e que também serviu de Centro Republicano) designado de Rossio Palace
Este espaço (propriedade do então Conde da Regaleira) abriu as portas ao público pouco tempo antes da implantação da República em 1910, mas a sua existência foi curta durando somente até 1914. Como muitos outros espaços cinematográficos da altura, também exibiu filmes pornográficos às altas horas da noite, depois das exibições nocturnas normais.




Subo até ao Chiado e chego à Rua António Maria Cardoso, mais concretamente ao Teatro República (actualmente designado de Teatro São Luiz), que no seu interior tinha um espaço denominado de Jardim de Inverno. Esse vasto espaço que tinha duas largas palmeiras no centro, funcionava como um salão de espera onde, nos intervalos, os espectadores tomavam o seu café ou refrescos nas mesas de ferro espalhadas pelo local. Era frequente reunirem-se neste espaço pessoas ligadas ao mundo da literatura, das artes, do teatro, do jornalismo, etc.
Em 1911 surge neste espaço o animatógrafo The Wonderful, que era publicitado como um espaço que exibia quadros de maior sensação em Lisboa. As suas sessões começavam às 19h30, eram contínuas e custavam 100 réis na "superior" ou nas filas de trás, tendo a "geral" o preço de 60 réis. Infelizmente este animatógrafo teve uma existência muito curta, tendo o Jardim mais tarde se transformado num estúdio cinematográfico onde foram realizados diversos filmes portugueses como Ver e Amar, de Chianca de Garcia e Maria do Mar, de Leitão de Barros.





Por fim, volto a descer até aos Restauradores e caminho até à zona do Parque Mayer, onde em 1910 o empresário Júlio Costa arrendou um recinto de diversões conhecido por "Music-Hall de Jesué". Este empresário já era proprietário do Salão Ideal e viu neste negócio uma oportunidade para exibir os filmes que, como distribuidor, adquirira no estrangeiro e para os quais o Salão Ideal se tornava insuficiente quanto ao lançamento desse material, que urgia ser movimentado. Este recinto, com ligeiras modificações, passaria a chamar-se de Salão Liberdade, devido ao facto de estar próximo da Avenida com o mesmo nome. O edifício era muito vasto e podia acomodar para cima de 1000 pessoas, sendo a sua exploração compensadora porque ficava numa localização muito central. Contudo, Júlio Costa acabou por ser seduzido por Lino Ferreira (homem ligado ao teatro) e Nandim de Carvalho (empresário do Salão da Trindade) a suspender a exploração do cinema e a transformar aquele recinto num teatro, que viria a ser o Teatro Variedades, girando sob a firma Costa, Ferreira & Nandim. Apesar da revista ter passado pelo espaço com sucesso, este acabou por encerrar em 1920 resultando num prejuízo tremendo para Júlio Costa, que teve de suportar os custos por conta própria.









Fonte:
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa – Um fenómeno urbano do século XX, Lisboa, Editorial Bizâncio, 2012
RIBEIRO, M. Félix, Os mais antigos cinemas de Lisboa, 1896-1939, Lisboa, Instituto Português de Cinema/Cinemateca Nacional, 1978
SALGUEIRO, Teresa B., Documentos para o Ensino – Dos Animatógrafos ao Cinebolso, 89 anos de cinema em Lisboa, Lisboa, Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, Finisterra, XX, 1985
http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2012/11/cinematografos-e-animatografos.html
http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2010/08/cosmopolita-1914-1919.html
http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2011/04/cinema-imperio-1916-1918.html
http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2011/04/salao-edison-1919-1941.html
http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2010/11/salao-liberdade-1910-1920.html
http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2010/06/wonderful-1911-1912.html
 
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