Cinemas do Paraíso: Guimarães II



Continuando pela região do Norte, sigo para a cidade de Guimarães, berço da nação portuguesa, terra de D. Afonso Henriques, para falar de um espaço que foi recuperado recentemente: Teatro Jordão (sugestão do nosso visitante Paulo Oliveira).

Por volta da década de 1930, discutia-se intensamente a necessidade de Guimarães ser dotada de um teatro condigno. Por essa altura, o velho teatro D. Afonso Henriques encontrava-se encerrados há anos (tendo sido publicado um decreto em 1933, que autorizava a sua demolição, de modo a que fosse aberta uma rua de ligação entre a Rua de S. Dâmaso e o Largo da República do Brasil), e o Teatro Gil Vicente não reunia as condições necessárias, visto que era considerado indecente e nauseabundo.
A 18 de Fevereiro de 1936, a Câmara Municipal de Guimarães reuniu em sessão extraordinária para se decidir sobre a construção de um novo teatro. A ideia seria reconstruir o teatro D. Afonso Henriques, que ainda não tinha sido demolido. No entanto, dessa reunião, não saiu qualquer solução para o problema, uma vez que começaram a circular rumores de que a reconstrução do referido teatro estava encravada.


Nesse ano, o empresário Bernardino Jordão estava a trabalhar na construção de um novo teatro e, após alguma controvérsia sobre a sua localização,este começaria a ser edificado em Fevereiro de 1937, na Avenida Cândido dos Reis (actual Avenida D. Afonso Henriques), perante as manifestações efusivas da população. O responsável pelo projecto e direção de obra seria o Arqt.º Júlio José de Brito (responsável pelo projecto do Teatro Rivoli, no Porto).
A inauguração deste espaço ocorreu em Novembro de 1938. Tinha a capacidade para acomodar 1200 espectadores. O programa da sua inauguração incluiu um "Serão Vicentino", pelo Teatro Nacional Almeida Garrett, com a representação do Monólogo do Vaqueiro, do Auto Pastoril Português e Auto Mofina Mendes. Do elenco faziam parte Amélia Rey Colaço, João Villaret, etc. O espectáculo contou com a participação da Orquestra Ibéria.



Esta inauguração ficou na memória da cidade. Contudo, por imposição politica conhecida somente antes da abertura da sala, não se pôde designar de Teatro Jordão, com o argumento de que apenas aceitaria que o teatro tivesse como patrono uma figura de relevo nacional, tendo a empresa decidido por designá-lo de Teatro Martins Sarmento.
Tendo Bernardino Jordão falecido em 1940, ganhou mais força a insistência de que fosse atribuído o seu nome ao teatro, conforme sua vontade. Nesse mesmo ano, por despacho do Ministro da Educação, foi finalmente consagrada a designação "Teatro Jordão".
A primeira sessão de cinema no Teatro Jordão, então com a designação de Teatro Martins Sarmento, aconteceu no dia 24 de Novembro de 1938, com o filme Vou ser Raptada. 
A segunda sessão teve lugar no dia 27, tendo sido passado o filme Uma Pequena Feliz, com a actriz Jean Arthur.
A tabela de preços dos ingressos era, à altura, a seguinte: Frisas e camarotes, 20$00; Balcões, 1.ª e 2.ª fila, 4$00; Balcões, 3$50; Plateia A a V, 3$00; Plateia 1 a 8, 2$00.


Foi o principal espaço cultural da cidade durante décadas, tendo sido palco de alguns comícios conturbados após o 25 de Abril,mas fechou as portas em 1993.








Em Outubro de 2014, a Câmara Municipal de Guimarães principiou a obra de construção de seis salas de ensaio para bandas de garagem neste teatro.
Os estúdios terão o pavimento revestido a alcatifa acústica, com tratamento anti-fogo, em cor cinza, e as paredes e teto têm dois níveis: um primeiro, de contacto directo, em chapa de aço galvanizado cinza (textura e densidade diferente entre os tectos e as paredes) e um segundo plano, recuado, ora em placas de gesso cartonado (paredes) ou em tecto falso acústico.A chapa de aço distendido das paredes constituirá de suporte às mais variadas solicitações acústicas e funcionais das salas, servindo de suporte, por exemplo, a painéis acústicos, de tipos variados, a mesas para colocação de mesa de mistura e outros equipamentos áudio. Esta solução permitirá uma utilização absolutamente livre dos paramentos, garantindo o mínimo de solicitações de perfurações nos paramentos e tectos, uma vez que a estes é exigida a função de insonorizar o mais possível estes espaços. Pretende-se que os diversos estúdios possam funcionar em simultâneo sem que haja passagem de ruído quer entre salas, quer com o restante edifício, permitindo uma utilização absolutamente autónoma do restante edifício. A conclusão da obra permite, também, findar a degradação do Teatro Jordão, iniciando o seu ciclo de recuperação urbanística e funcional.




Fonte:
http://araduca.blogspot.pt/2010_12_01_archive.html
http://araduca.blogspot.pt/2010/12/para-historia-do-teatro-jordao-1.html
http://araduca.blogspot.pt/2010/12/para-historia-do-teatro-jordao-3.html
http://www.ocio.oof.pt/guia-gmr/lugares-gmr/joao-e-jordao-numa-manha-improvavel/
http://www.publico.pt/local/noticia/camara-de-guimaraes-negoceia-compra-do-historico-teatro-jordao-1428774
http://www.cm-guimaraes.pt/frontoffice/pages/100?news_id=1510
http://www.gmrtv.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=21630%3Ateatro-jordao-salas-para-bandas-de-garagem-comecam-a-ser-construidas-esta-5o-feira&catid=3%3Aflash&Itemid=2

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