Caleidoscópio: o cinema à espera de uma nova vida



A partir da década de 1970 do Séc. XX assistiu-se, de forma natural, à integração de cinemas em centros comerciais. É inegável que o facto em si foi uma novidade porque criou a convicção de que era possível reunir num só espaço diversos serviços, como uma nova forma de viver a cidade. E esta tendência foi tão bem sucedida que assistiu-se ao aparecimento desenfreado de centros comerciais que reuniam um enorme conjunto de serviços úteis à sociedade.
No seguimento do aparecimento de espaços como Apolo 70 e o Edificio Castil, o Arqt.º Nuno San Payo (responsável pelo projecto do Cinema Quarteto) procurou adaptar o modelo num espaço existente no Jardim do Campo Grande, desenhando um pequeno complexo de lojas constituído por lojas, restaurante e um cinema inaugurado em 1974 com a designação de CaleidoscópioEste edifício foi idealizado inicialmente para ser um posto de recepção turística com salas de refeição, bar e várias lojas que se inauguraram em 1971. Contudo, pouco tempo depois, foi adaptado pelo mesmo arquitecto para ser um centro comercial, conservando-se a fachada constituída por um painel de cerâmica de Maria Emília Silva Araújo.



A sala de cinema tinha capacidade para 299 espectadores. Lauro António foi o seu primeiro director de programação. O edifício mantém-se até à actualidade inalterável no exterior, com os bonitos painéis de azulejos em relevo da fachada a destacarem-se; mas o cinema e o restaurante, bem como a maior parte das lojas, fecharam. No seu interior nasceu uma grande livraria e uma discoteca chamada "Nell's". A título de curiosidade o café do lago mantém-se aberto e continua a alugar barcos a quem quiser passar uns momentos de descontracção.



Em 2011, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, e o reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, apresentaram os projectos de qualificação do Jardim do Campo Grande (zona norte) e do edifício Caleidoscópio, onde ficará sediado o novo Centro Académico. O edifício Caleidoscópio, que foi cedido pela Câmara à Universidade de Lisboa para instalação de um Centro Académico mediante um protocolo assinado pelas duas instituições, vai ser alvo de remodelação integral do seu interior, a cargo da Universidade. Como explicou Pedro Oliveira, arquitecto responsável por este projecto, o que se pretende é fazer deste edifício mais uma "porta de entrada" para o Jardim do Campo Grande em ligação com o campus universitário e um "ponto de encontro" das diversas instituições universitárias adjacentes. Assim, em parceria com a CML, a zona do envolvente do edifício será alvo de arranjo específico, com a remoção dos espaços de estacionamento fronteiros ao edifício, entre este e zona universitária, e a criação de um pátio do lado do jardim e de uma esplanada sobre o lago. Enquanto a fisionomia exterior do edifício se mantém inalterada (apenas serão removidos os elementos que foram acrescentados, restituindo a originalidade do edifício, e acoplada uma pala luminosa), o interior será objecto de profunda remodelação para instalação de salas para as associações académicas e associações ambientalistas, galeria, auditório, um grande salão, áreas de estudo, cafetaria e restaurante.
Estamos em 2013 e este espaço está a definhar a olhos vistos. Com as paredes cobertas de graffiti e a porta entreaberta que convida à destruição do seu interior, o Caleidoscópio aguarda a prometida e merecida transformação num centro académico. A sua fachada com os vidros partidos ainda ostentam os letreiros de lojas que há muito encerraram, incluindo o da discoteca Nell's (conhecida por ter sido palco da morte de dois seguranças). A última loja a fechar foi a Livraria Escolar Editora, que se mudou para a Faculdade de Ciências com a promessa de regresso ao lugar original, assim que as obras de remodelação terminarem.







O atraso nas obras, segundo o reitor da Universidade, deveu-se às dificuldades financeiras do país e da universidade. António Nóvoa explicou que estava em causa um investimento de 1,5 milhões de euros, frisando que tudo será feito com base na sustentabilidade financeira, sem investimentos públicos.
Também atrasada, mas já em fase de obra, encontra-se a recuperação da parcela norte do Jardim do Campo Grande, que inclui a criação de um parque de recreio canino e uma praça de jogos matemáticos.
A parcela sul deste jardim, entre as Avenidas do Brasil e Estados Unidos da América, onde se localiza um parque infantil e uma piscina municipal abandonada, também será alvo de uma requalificação, mas que se encontra também atrasada.



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