Cinemas do Paraíso: Portimão


A minha busca por antigos cinemas e pérolas arquitectónicas de Portugal já me levou a diversos pontos do país. Desta vez, vou à zona veraneante do Algarve, mais concretamente a Portimão, para falar de alguns espaços de cinema que marcaram esta cidade noutros tempos.
Adjacente à Praça Manuel Teixeira Gomes, no aterro do Cais, foi erguido um barracão em 1912, onde funcionou o Animatógrafo, propriedade de António do Carmo Provisório (daí ser conhecido como Cinema Provisório). O cinema mudo era abrilhantado pelos grupos musicais locais, entre os quais o Fraternidade Philarmónica Recreativa.
Em 1926, este espaço foi arrendado por uma jazz band conceituada designada por Orquestra Semifúsica, que atrairia os amantes do teatro e cinema, passando fitas mais modernas e albergando companhias de teatro e artistas reputados como Mirita Casimiro e Vasco Santana.
Contudo a falta de higiene, apesar das obras de remodelação, e a necessidade de arranjar o Largo do Dique, originaram a demolição do barracão pela Junta Autónoma dos Portos.



Em 1938 foi construído um outro cinema moderno e confortável, designado de Cine-Teatro de Portimão, de raíz modernista, tendo sido demolido no final do séc.XX.
De acordo com o blogue Citizen Grave, ir a este espaço para ver cinema era uma experiência que criava expectativas: "a luz esquecida de um tempo em que ir às soirées de sábado e às matinées de domingo no antigo Cine-Teatro de Portimão, há muito demolido, era um acontecimento esperado durante toda a semana. Do tempo em que entrevia o mundo a partir do alto dos bancos corridos do segundo balcão de um cinema de província, ficou-me uma colecção de cromos que reproduzia as mesmas fotografias dos «actores de momento», emolduradas junto ao bar do Cine-Esplanada, onde numa noite de Verão vi a «Ponte do Rio Kwai» enquanto o céu era riscado por uma chuva de meteoritos que se confundiam com o fogo das baterias japonesas sobre os intrépidos prisioneiros de guerra britânicos. Ficou-me, sobretudo, a memória de um tempo em que ir ao cinema era um acontecimento preparado com uma semana de antecedência. Primeiro, tratava-se de ir num grupo de amigos «ver os cartazes» afixados nas vitrinas, na expectativa de haver um filme para «maiores de 12 anos». Mas o que era bom mesmo era «ir ao cinema»: comprar o bilhete com as economias da semana, receber o programa, ouvir o «going» e ali ficar na penumbra, entre amigos, vivendo as aventuras daqueles heróis tão próximos de mim que até os guardava numa caderneta de cromos na gaveta da minha mesa-de-cabeceira".











FONTE:
FELINO, A. (2008) Os cinemas em Portugal : a interpretação de um arquitecto - Raul Rodrigues Lima. Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia. Universidade de Coimbra.
http://www.cm-portimao.pt/index.php/features/viver/cultura/37-atividades-municipais/cultura/302-patrimonio-espacos-publicos
http://portimaoruaarua.blogspot.pt/2011/02/avenida-d-afonso-henriques.html
http://portimaoruaarua.blogspot.pt/2011/06/largo-do-dique.html
http://citizengrave.blogspot.pt/2012/07/cinemas-teatros-e-cine-teatros.html

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