23.2.14

Cinema Trindade: mais um "bingo" portuense

O Cinematógrafo Jardim da Trindade (mais conhecido como Cinema Trindade) deveu a sua construção a Manoel da Silva Neves (dono dos terrenos onde se situa o edifício na Rua Ricardo Jorge) que, juntamente com o Arqt.º Agostinho Ricca Gonçalves e o Arqt.º Benjamim do Carmo, foi responsável pelo projecto de construção.






Este espaço foi inaugurado em 1913, tendo sofrido algumas beneficiações pontuais. Em 1957 sofreu remodelações de maior envergadura, sob a coordenação do Arqt.º Agostinho Ricca Gonçalves e do Arqt.º Benjamim do Carmo.


















O espaço original conseguia acomodar 1191 espectadores, distribuídos por plateia, 1º e 2º balcões, fazendo dele um das maiores salas do país na época. Na década de 1980, seguindo a moda que era praticada noutras salas de cinema e para fazer face à concorrência dos multiplexes do centro comerciais, a sala principal foi cortada em duas. A sala maior ganhou a designação de Cinema Trindade e a outra sala (um estúdio de menores dimensões) ganhou o nome de Salão Jardim Trindade.































Estas salas encerraram actividade em 1989, tendo sido reabilitadas na década de 1990 pelo Arqt.º Bento Lousã, que lhe atribuíu a dupla função de cinema e salão de jogos. No entanto devido ao baixo número de espectadores, este cinema acabou por encerrar definitivamente as portas em 2000. 
Em 2008, este cinema ressurgiu das cinzas graças à iniciativa da Associação Cultural Plano B, que trouxe o que melhor se tinha visto no Festival Indie em Lisboa, proporcionando assim um reencontro de cinéfilos com o histórico Cinema Trindade.
Este cinema converteu-se num "bingo" pertencente ao Sport Clube Salgueiros, como também funcionou como sede do Sport Clube Salgueiros 08.


Em 2017, Américo Santos, fundador da Nitrato Filmes, tornou-se no atual responsável por este cinema, reerguendo-o pela 4ªvez. Foi reaberto com duas salas, de 169 e 183 lugares, com quatro sessões diárias em cada, aberto todos os dias da semana.

Um exemplo para muitas outras cidades, cujos antigos cinemas encontram-se a definhar ou já desapareceram sem deixar rasto.





Fontes: 
https://cinematrindade.pt/pt/sobre
http://cinemaaoscopos.blogspot.pt/2012/08/trindade-porto.html
https://opsis.letras.ulisboa.pt/Infographic/Index?SmallDescription=trindade&pageIndex=5
https://opsis.letras.ulisboa.pt/Infographic/Index?SmallDescription=trindade&pageIndex=6
https://opsis.letras.ulisboa.pt/Infographic/Index?SmallDescription=trindade&pageIndex=7
https://opsis.letras.ulisboa.pt/Infographic/Index?SmallDescription=trindade&pageIndex=8
https://opsis.letras.ulisboa.pt/Infographic/Index?SmallDescription=trindade&pageIndex=9
https://opsis.letras.ulisboa.pt/Infographic/Index?SmallDescription=trindade&pageIndex=10
https://opsis.letras.ulisboa.pt/Infographic/Index?SmallDescription=trindade&pageIndex=11

2 comments:

Na revista "Le Béton Armé (http://lib.ugent.be/lebetonarme/)" de 1913 (avril), numero 179, página 63, encontrei o seguinte registo do Bureau Lisbonne: 57315. - Plancher, escaliers et garde corps, à Porto. - Propriétaire, Cinématographe Trindade. Concessionaires, MM. Moreira de Sa et Malevez.