Águia de Ouro: clássico do Porto




1839 foi o ano em que  o Café Águia de Ouro abriu as suas portas ao público no Porto. Convém dizer que ilustres artistas frequentaram este espaço, tais como: Antero de Quental, Camilo Castelo Branco, etc. É importante realçar que esta sala começou por ser um teatro e só em 1908 é que adquiriu funções de cinema.



A novidade de então era o Cronomegaphone, considerado "o mais moderno aperfeiçoamento do cinematógrafo falante", não sendo cinema sonoro, já que este só apareceu 20 anos mais tarde. Ainda em Agosto de 1907, estreou o Cynematographo Edison sendo o espectáculo dividido em três partes e visto com um só bilhete, os preços para a altura eram bastante económicos; cadeiras 100 réis e galerias a 50 réis.
Em 1930 viria a inaugurar-se o cinema sonoro com o filme All That Jazz com Al Jolson. O Águia d'Ouro seria então considerada uma das melhores salas do Porto.




Em 1931 foi reaberto após obras de remodelação, tendo ficado com uma nova fachada, a actual e sustentando no seu pórtico o símbolo do seu nome, uma Águia de Ouro.















Em 1989, já com o café fechado e a ausência dos espectadores às salas de cinema, o Águia viu-se forçado a encerrar as portas, tendo sido comprado pela empresa Solverde com o objectivo de abrir um Bingo, tal como aconteceu ao Olympia, na Rua Passos Manuel.
Como esse projecto foi recusado pela Câmara, o espaço ficou ao abandono e com o passar do tempo tornou-se uma ruína em elevado estado de degradação. Em 2006, a Solverde colocou o imóvel à venda por três milhões de euros.








Foi feita uma campanha para salvar esta sala de cinema das ruínas, visto o estado vergonhoso a que chegou, devido à negligência quer da empresa, quer também das autoridades competentes que nunca quiseram saber do caso, como se pode ver neste link: http://www.cinemasdoporto.com/aguiadouro/index.htm.



No entanto em 201, o Hotel B&b Porto Centro recuperou este mítico edifício, recuperando a fachada datada da década de 1930. Além da remodelação que veio dar uma nova dinâmica à Praça da Batalha, também foram recuperados diversos objectos antigos no local, conferindo assim ao hotel o charme do antigo cinema. Suporte de partituras da orquestra, um microfone antigo, uma bobina, entre outros achados, pertencem agora à decoração do sofisticado hall do novo hotel. É importante referir que o cinema é que dá o mote para a decoração do novo espaço inserindo uma nova vida à história do local, com uma vasta colecção de fotografias de grandes actores da história do cinema.








Fonte: 

Cinema de Betão Armado: Cine Ginásio


A história deste cinema inicia-se na Travessa do Secretário da Guerra (actualmente Rua Nova da Trindade), com a edificação de um modesto barracão que servia para albergar circo de cavalinhos, bailarinos, ginastas, arlequins, etc., cujo proprietário era dono de uma tipografia no Rossio.


Manuel Machado (homem ligado ao teatro na altura, devido ao seu emprego como fiscal no Teatro São Carlos) conseguiu convencer o proprietário, o Sr. Motta (tipógrafo de profissão),
 a transformar o seu modesto edifício num teatro. Foi assim que nasceu em 1846 a nova sala de espectáculo denominada de Teatro do Gymnásio. A peça inaugural intitulava-se Os Fabricantes de Moeda Falsa e a companhia responsável pela peça era composta por artistas conhecidos e estimados pelo público. Foi nesta peça que o actor Taborda fez a sua estreia na arte da representação.


A sociedade artística que se formara para gerir este espaço prosperou, visto que o teatro se tornara num ponto de encontro para a "boa sociedade", a par de um público de cariz popular.
O teatro viria a encerrar para obras indispensáveis, reabrindo as portas em 1852 com uma nova companhia e com o actor Taborda na linha da frente. No sentido de ser aumentada a sua lotação, este espaço viria a encerrar novamente para obras, reabrindo em 1869 com um novo elenco.
O Teatro do Gmynásio prosseguiria a sua carreira, tornando-se numa das mais populares e frequentadas casas de espectáculo de Lisboa, especializada na comédia e farsa.











Contudo este espaço foi vítima de um enorme incêndio em 1921, ficando reduzido a escombros. Por esta altura, o edifício era propriedade dos herdeiros do cantor lírico Francisco Andrade, que desde 1916 detinha os direitos de propriedade.





A reconstrução deste teatro deu-se entre 1923 e 1925 sob a alçada do Arq.º João Antunes, contando com a colaboração do Eng.º Fernando Iglésias de Oliveira e dos construtores civis Francisco e Diamantino Tojal. A pintura do tecto da sala ficou a cargo do pintor Domingos Costa.
Esta reconstrução iniciou uma nova era na construção urbana: a era do betão armado. Os teatros e salas de cinema do início do Séc. XX ficavam para trás e entrava-se numa nova fase onde começou a imperar a arquitectura modernista, vitalizada pelo Estado Novo, e pela divulgação de salas com sistema sonoro. A sua fachada neo-clássica, ornada de colunas adossadas, mas em plano saliente ao da fachada, denunciava assim a estrutura totalmente feita em vigas e pilares de betão.











Os "foyers" da 1ª e 2ª ordem estavam decorados em estilo árabe, parecendo-se com um terraço com um balcão alpendrado, repleto de arabescos. Ao nível da 1ª ordem e numa marquise virada para a Rua Nova da Trindade viam-se dois vitrais, o da esquerda alusivo à Comédia e o da direita alusivo à Farsa, dois géneros ligados a este teatro.




O edifício era composto por sete pavimentos: o subterrâneo, destinado a um grande "foyer" para os artistas, cuja forma era oval e cercada pelos camarins dos mesmos; 
"Foyer" e camarins dos músicos, casa de adereços e instalações para os dínamos e acumuladores eléctricos; 
Pavimento ao nível da rua, ocupado por um grande café com cinco portas, vestíbulo e escada principal para a plateia; salão de entrada e plateia e frisas, constituindo o 1º andar. A plateia era composta por 380 cadeiras, distanciadas por amplas coxias. A grande escada ramificada em duas, no mesmo salão, davam acesso à 1ª ordem de camarotes; 



O quarto pavimento era constituído pela 1ª ordem, composta pelo salão de honra do teatro, escritórios, camarotes em numero de 29 e balcão com 80 lugares. Como em todos os pavimentos, também era provido de "toilettes" para homens e mulheres e amplas janelas.
A 2ª ordem, com o mesmo numero de camarotes da 1ª, era constituída por uma galeria que dava para um salão;
A 3ª ordem dispunha de uma entrada especial, na rua,  ao lado da entrada para o palco, antes das portas do café. Era constituída por um balcão com 100 lugares, salão e botequim privativo;
O sétimo pavimento constituía-se por um enorme salão de pintura, acomodações para os cenógrafos, arrecadações, etc. Além das escadas, existia um elevador para serviço dos espectadores até à 2ª ordem de camarotes.
A orquestra situava-se debaixo do proscénio. A iluminação era feita por lâmpadas invisíveis  O tecto era translucido, coando a luz por toda a sala. A ventilação e o aquecimento faziam-se pelos últimos sistemas.
Este edificio também poderia ser acedido pela Rua do Mundo, mediante um túnel revestido de vitrines destinadas a a exposições artísticas e comerciais. A lotação total era de 1135 espectadores.







Entretanto, este espaço deixa de funcionar como teatro entre 1930 e 1931, tendo passado a cinema em 1934, sob a responsabilidade de A. Brandão Teixeira e J. Moreira da Cruz. Esta medida foi uma forma de rentabilizar este espaço tão bem localizado e grandioso.
A exploração como cinema manteve-se por largos anos. Na década de 1940, começou a ser gerido por uma empresa dos associados A. Simões de Souza e Wilhelm Wirges, representante em Portugal do cinema alemão altura, o que justifica a passagem de filmes alemães neste espaço até ao fim da II Guerra Mundial.







Por volta da década de 1950,  foi oficialmente classificado como cine-teatro, o que implicava a realização de uma temporada de teatro de 3 meses ao ano.
Nos anos 80, o seu interior foi desmantelado mantendo-se, no entanto, a sua fachada. O seu espaço foi mais tarde transformado num centro comercial.
O século XXI trouxe uma nova vida a este antigo cinema que viu o interior novamente renovado passando a funcionar como teatro, chamando-se actualmente "Espaço Chiado".



Fonte: 
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa – Um fenómeno urbano do século XX, Lisboa, Editorial Bizâncio, 2012
FERNANDES, José Manuel, Cinemas de Portugal, Lisboa, Edições Inapa, 1995
RIBEIRO, M. Félix, Os mais antigos cinemas de Lisboa, 1896-1939, Lisboa, Instituto Português de Cinema/Cinemateca Nacional, 1978
http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2009/12/ginasio-1934-1981.html
http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2013/06/teatro-do-ginasio.html
 
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