Monumental- O "Gigante" dos anos 50

O Monumental e o seu nome diz tudo: grandeza, imensidão, colossal...um enorme ponto de referência de Lisboa, mais concretamente na Praça do Saldanha, onde existiu durante largos anos.

Cinema Império - Outro "Gigante" Lisboeta

Em Maio de 1952, seria inaugurado o Cinema Império, localizado na Alameda D. Afonso Henriques, que contou com as presenças de diversas individualidades importantes da altura.

EDEN - O "GIGANTE" dos Restauradores

O novo Éden Teatro foi inaugurado em 1937 com a apresentação da peça "Bocage", interpretada pelo actor Estevão Amarante, numa cerimónia memóravel presidida pelo Chefe de Estado, o Marechal Carmona.

Cinema Vale Formoso: Para quando a sua reabilitação?

Entre as décadas de 1950 e 1970, este cinema (a par de outros como o Júlio Dinis, Terço, Passos Manuel, etc.) foi considerado como uma das salas de referência da cidade do Porto, tendo sido explorado pela Lusomundo.

Águia De Ouro - Clássico do Porto

Em 1930 viria a inaugurar-se o cinema sonoro com o filme All That Jazz com Al Jolson. O Águia d'Ouro seria então considerada uma das melhores salas do Porto.

19.2.20

Cinema Pedro Cem - morto à nascença


Letreiro do Cinema Pedro Cem (Cinema aos Copos, 2013)

De volta à cidade do Porto, vou falar de uma sala de cinema, que se situava num centro comercial com o mesmo nome: Pedro Cem. Localizada na Rua Júlio Dinis, n.º 103, esta sala foi inaugurada em 1981.

Anúncio do filme "Superman 2" no cinema Pedro Cem (Comércio do Porto, 10.04.1981)

Nos primeiros anos de atividade, atraiu algum público, mas com o surgimento das grandes superficies comerciais e os seus cinemas multiplexes na década de 1990, este espaço acabou por perder público e fechar portas em 1997, com o filme "Jurassic Park - O Mundo Perdido". 
Os novos cinemas, para além de projectarem melhor qualidade sonora e visual, transmitiam diversos filmes em diferentes sessões por dia. Esse factor conduziu ao encerramento dos cinemas que se localizavam no centro da cidade. A partir daí, algumas salas reabriram (como o Trindade), outros desapareceram (como o Aguia D'Oiro), mas outras mantiveram-se intocadas. Passados vinte e tal anos após o seu encerramento, estas salas mantém a plateia e o equipamento de projecção.

Entrada do cinema Pedro Cem (Acorazado Cinéfilo, 2015)

A sala do Pedro Cem começou por pertencer a um privado, mas depois a Lusomundo tomou conta do espaço, exibindo filmes comerciais.

Mário Dorminsky, diretor do Festival Fantasporto, afirmou que a sala era de pequena dimensão com 350 lugares. Era uma sala de cinema condenada a morrer à nascença, porque o seu ecrã deveria ser mais levantado, o chão era plano e o posicionamento das cadeira era um problema, não possibilitando o visionamento do filme da melhor maneira possivel.


A gerência deste espaço ainda realizou algumas iniciativas de promoção, mas nunca conseguiu garantir uma continuidade de público, que permitisse equilibrar financeiramente os custos com as receitas. 

Contudo, em 2023 a empresa "Traço Alternativo Arquitectos Associados" anunciou a remodelação deste antigo cinema.

Actualmente, a galeria comercial continua aberta ao publico.

 Imagem do Google Maps (2025)

Fontes:
- https://jpn.up.pt/2013/05/19/porto-ha-salas-de-cinema-fechadas-ha-mais-de-20-anos/
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2013/04/pedro-cem-porto.html
- http://portodeantanho.blogspot.com/2017/04/continuacao-7.html
- https://www.bachilleratocinefilo.com/2015/08/os-antigos-cinemas-do-porto-portugal.html
- https://www.geopalavras.pt/2010/07/shoppings-parados-no-negocio-e-no-tempo.html
- https://www.facebook.com/Talternativoarquitectos/posts/remodela%C3%A7%C3%A3o-do-cinema-pedro-cem-portov%C3%A1-acompanhando-a-evolu%C3%A7%C3%A3o-da-mesma-na-noss/734977665306411/
- https://arquivo.cm-gaia.pt/xarqdigitalizacaocontent/PaginaDocumento.aspx?DocumentoID=40017&pagelist=0&AplicacaoID=1&Pagina=50

6.11.19

Esplanada Monumental vs. Jardim Cinema vs. MonteCarlo vs. Discoteca Loucuras vs. salão de jogos - espaço polivalente


A 7 de maio de 1931, foi inaugurado, pelo então Presidente da República, General óscar Carmona, um novo espaço de cinema designado Esplanada Monumental, situado na Avenida Álvares Cabral, na zona do Rato e Estrela.

A sua localização ficava num amplo edifício, especialmente construído num terreno que pertencia ao comerciante e construtor civil tomarense Clemente Vicente, sob o traço do Arqt.º Raul Martins,que o concebe como um animatógrafo ao ar livre. Neste edifício incluiam-se um amplo stand de venda de automóveis, que mais tarde se transformaria na Garagem Monumental e se situava no rés-do-chão, bem como uma sala de projecção e uma fonte monumental, que se situavam no terraço da cobertura.

A sua fachada , de linhas direitas e sóbrias, animada por uma estrutura de ferro e vidro,era encimada por uma figura fundida em cimento, coberta a ouro patinado, que sobressaía dos outros dois tons de cinzento em que a restante decoração se desenvolvia.

A Esplanada Monumental corria o risco de se confundir com a Garagem Monumental, mas com o decorrer do tempo, esse risco desvaneceu-se, visto que o cinema acabou por neutralizar as outras funções do edifício e afirmar-se na cidade.



  
A 4 de junho de 1932, Clemente Vicente iria transformar completamente este espaço, até então destinado a cinema ao ar livre, ampliando-o e modificando a respectiva traça, tornando-o assim numa imensa sala com 1000 lugares, distribuidos da seguinte forma: Plateia, 540; Balcão, 25; Superior, 394; Frisas, 8 (com o total de 35 lugares),numa lotação exacta de 894 localidades. Na planta inicial, encontrava-se, junto ao ecrã, uma aparatosa fonte luminosa. O espaço mudaria a sua designação para Esplanada Álvares Cabral.



A 22 de maio de 1933, o espaço iria reabrir ao público com a designação Jardim Cinema, com a projecção do filme "Pernas ao Ar, com uma nova sala coberta e com capacidade para 894 espectadores, tornando-se numa das maiores salas de cinema lisboetas.

Até ao final da década de 1930, este espaço voltaria a ser alterado na sua planta, com a redução do número de lugares, por forma a beneficiar a comodidade do público, sendo que a sua distribuição seria a seguinte: 1º Plateia, 470; 2ª Plateia, 82; Cadeira, 96; Balcão, 25 e 8 frisas com 4 lugares cada. No total, a lotação era de 705 lugares.





De acordo com o SIPA - Sistema de Informação para o Património Arquitectónico, o edifício do Jardim Cinema fora desenvolvido em profundidade, como um volume paralelepipédico quase fechado, com o terraço coberto. Registava-se na fachada, no piso térreo, a porta de entrada flanqueada por envidraçados; num 2º nível , um baixo-relevo decorativo art-déco em betão, acima do qual se destaca o pano murário que servia para se colocar as telas publicitárias, em suporte metálico enquadrado pelo friso da platibanda, com faixas verticais de janela a flanquear a superfície. O seu interior era unitário, de triplo pé direito, onde o salão de jogos ocupava o piso térreo. Neste espaço central, abriam-se dois níveis de galerias, ligadas entre si por seis grupos de escadas de lanço recto único.




O Jardim Cinema encerraria a 12 de outubro de 1977 e voltou a reabrir com a designação MonteCarlo, a 4 de maio de 1979, com o filme "Aquele Verão". O seu encerramento definitivo ocorreu a 15 de outubro de 1985, com o filme "Colégio de Jovens".

Revista publicitária de 1979 (cortesia de Carlos Caria do grupo de Facebook "Cinemas do Paraíso)


Este cinema ficaria associado a um salão de jogos, com que se dotou posteriormente, designado Salão de Jogos Monumental. Os bilhares, matraquilhos, jogos de arcada e pistas de carrinhos apetrecheram este espaço, que se tornou num espaço de referência na cidade, onde as pessoas se poderiam divertir e conviver livremente.






Este espaço foi utilizado no filme "Kilas, o Mau da Fita" do realizador José Fonseca e Costa, e encerrou no dia 30 de junho de 2006. No seu lugar, nasceu... mais uma loja chinesa.

Em 1986, albergaria a Discoteca Loucuras, com a direcção artística de José Nuno Martins. Esta discoteca receberia artistas como LX-90, Afonsinhos do Condado e Café Lusitano, entre outros. Foi uma das discotecas e sala de espectáculos mais dominantes de Lisboa nos anos 80, com as suas "Quinta-feiras Tranquilas", animadas pela Orquestra da Felicidade do Brilho e da Glória, criada pelo maestro Jaime Oliveira, formada pelos músicos da banda da GNR.


Em 2002, este edifício seria considerado Imóvel de Interesse Público e, actualmente, alberga uma produtora de programas televisivos e a empresa de leilões "Renascimento - Avaliações e Leilões, S.A.".



Fontes:
- ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa – Um fenómeno urbano do século XX, Lisboa, Editorial Bizâncio, 2012
- RIBEIRO, M. Félix, Os mais antigos cinemas de Lisboa, 1896-1939, Lisboa, Instituto Português de Cinema/Cinemateca Nacional, 1978
- https://restosdecoleccao.blogspot.com/2016/05/jardim-cinema.html
- http://guedelhudos.blogspot.com/2010/11/antigo-jardim-cinema.html
- http://lerougeetnoir.blogspot.com/2009/12/jardim-cinema-arquitecto-raul-martins.html

21.4.19

Cinemas do Paraíso: Amadora - Babilónia

O passeio pelo Concelho de Amadora continua bem no centro da cidade, na Rua Elias Garcia, n.º 362 D, onde se encontra o edificio do Centro Comercial Babilónia, inaugurado em Dezembro de 1984.



A sua excelente localização, mesmo em frente à estação de comboios, permite que ele continue em funcionamento e visitado por milhares de pessoas diariamente. Os dois pisos de lojas e restaurantes representam o espirito multicultural desta zona,  só comparável aos bairros da Mouraria e a zona do Martim Moniz em Lisboa.


Neste centro comercial, existiu uma sala de cinema com o mesmo nome e que, durante as décadas de 1980 e 1990, foi bastante frequentada pelos jovens. Contudo, o aumento da insegurança na zona envolvente ao centro comercial acabou por retirar a clientela ao cinema, ditando o seu encerramento no inicio do Séc.XXI.





Fontes:
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/08/babilonia-amadora.html
- https://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/nos-labirintos-da-babel

Cinemas do Paraíso: Amadora - Cineteatro D. João V

Continuando o passeio pelas memórias cinematográficas espalhadas pelo Concelho de Amadora, faço uma paragem na Damaia, onde se situa o CineTeatro D. João V. 


Tentando aproveitar a lei, implementada na década de 1960, que permitia rentabilizar uma determinada construção existente, utilizando-a para os mais diversos fins, não só habitacionais, mas também artísticos, o Cineteatro D. João V foi inaugurado em 27 de Agosto de 1966 na Damaia.
O autor do seu projecto foi o Arq.º Luís Soares Branco, tendo sido construído por Carlos Duarte Caneças, um dos construtores que se lançou ao betão e cimento "quando a Damaia era uma freguesia esquecida (...), quase uma terra de ninguém".


Esta moderna e elegante sala de espectáculos albergava mais de 900 espectadores e possuía uma aparelhagem de climatização e de projecção de som. O filme inaugural foi Lord Jim.


Este espaço possui um painel de baixo relevo do Mestre Domingos Soares Branco (1925-2013), considerado um dos mais importantes escultores portugueses da segunda metade do Séc. XX. Um caledoscópio de cores, definindo a composição normal, enobrecendo o molde e a sua textura com verniz sobre a superficie do cimento, o seu material definitivo.


Durante a sua primeira existência, que durou até aos finais da década de 1990, acolheu diversos espectáculos, como concertos musicais, o Festival Internacional de Magia e de Música Popular Portuguesa, entre outros.

Com o passar dos anos, a degradação do espaço e a sua inadequação às exigências contemporâneas de uma sala de espectáculos tornaram inevitável uma intervenção profunda. O objectivo? Recuperar a imagem original e integrá-la num projecto arquitectónico moderno e equilibrado, respeitando a envolvente urbana e garantindo as condições técnicas ideais para as artes performativas.




A zona do palco, com 252 m² e uma boca de cena de 16,50 metros, foi totalmente remodelada para oferecer condições técnicas de excelência. Pavimentos e tetos foram aperfeiçoados para garantir uma acústica superior, enquanto a plateia foi redesenhada para proporcionar máximo conforto ao público, incluindo lugares adaptados para pessoas com mobilidade condicionada e melhorias nos ângulos de visualização. A régie foi modernizada e o edifício passou a contar com duas cabines de tradução simultânea e uma sala de projeção com dimensões adequadas, reforçando a sua vocação para acolher eventos diversificados e internacionais.




Este espaço é composto por 388 lugares e encontra-se completamente equipado, incluindo sistema de projecção digital. Também possui uma zona de foyer/Bar, permitindo uma utilização polivalente (exposições, workshops, apresentações, etc.).


Este espaço reabriu no dia 5 de setembro de 2015, com o espectáculo "Correr o Fado" do QuorumBallet, a companhia de bailado oriunda do Concelho.

FONTES:

- https://www.cm-amadora.pt/pt/cultura/cineteatro-d-joao-v/735-projeto-arquitetonico.html
. https://arquivo.cm-oeiras.pt/digitalizacao/Imagem.aspx?ID=842758&Mode=M&Linha=1&Coluna=1

6.4.19

Cinemas do Paraíso: Amadora - Cine-Teatro Lido

Continuando pela cidade da Amadora, chegamos ao maior cinema existente nesta área, de seu nome Cine-Teatro Lido, na Rua Dom Duarte.

Este edificio foi projectado pelo Arq.º Antero Ferreira e inaugurado em 1962, em pleno Bairro de Janeiro às portas de Queluz, com os filmes "E tudo o Vento Levou" e a "A Volta ao Mundo em 80 dias". O surgimento deste cine-teatro deveu-se ao industrial José de Sousa, responsável por grande parte do manto urbano daquela zona, e que decidira inserir um moderno edificio nesse aglomerado de prédios, onde se pudessem realizar espectáculos de teatro e cinema.



A sala era composta por um vasto palco, conforme a Lei para localidades com mais de 10.000 habitantes, um ecrã majestoso com som de estreofónica total e um sistema de ventilação e aquecimento, que prometia oferecer o indispensável conforto aos 1137 lugares que faziam parte da sua lotação. Era apoiada por dois bares e foyers, que não deixavam dúvidas quanto à dimensão do projecto. Tinha uma plateia e dois balcões.

No auge do seu enorme sucesso nas décadas de 1960 e 1970, foi uma das salas de espectáculos mais importantes da área metropolitana de Lisboa e, talvez, do país. Enquanto sala de cinema, chegou a presenciar autênticas romarias de pessoas que vinham de toda a linha de Sintra. Pelo seu palco, também passaram alguns dos mais importantes actores do país.

A 30 de dezembro de 1967, estreou neste cinema o filme "A Cruz de Ferro", realizado por Jorge Brum de Canto, cujas receitas reverteram a favor das vítimas das cheias de 1967.






Na década de 1970, o edificio sofreu alterações significativas e inaugurou uma galeria comercial, bem como uma segunda sala de cinema, designada de Cine-estúdio, com 333 lugares. 


Na década de 1980, o cine-teatro foi novamente alterado e passou a habitar a co-existência de cinema no balcão e discoteca na plateia, originando um fenónemo da noite e tardes de fim-de-semana, sendo considerada uma das maiores discotecas da Europa, com capacidade para 2500 pessoas. Até Adam Curry, o famoso apresentador do programa "Countdown" (quem não se lembra deste loirinho bonitão?) frequentou esta discoteca em todo o seu esplendor.











A chegada do mercado do video nos finais dos anos 80, levou ao encerramento do cinema, que deu origem a uma igreja em 1995. Com o aparecimento de outras superficies comerciais mais modernas, todas as actividades do edificio encerraram, excepto o restaurante e um pequeno bar.

Em 2009, um incêndio destruiu por completo o seu interior, que se encontrava devoluto há algum tempo. 



Apesar da zona envolvente ter ganho um belo parque e novos locais de interesse actualmente, o edificio do Cine-Teatro Lido continua em ruínas, lentamente a definhar perante os olhos dos municipes de Amadora, esperando pela reabilitação ou demolição.






 Fontes:
- http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2014/08/lido-amadora.html
- https://arquivos.rtp.pt/conteudos/estreia-do-filme-a-cruz-de-ferro/
- https://www.facebook.com/872361909520918/posts/o-cine-teatro-lido-projectado-pelo-arquitecto-antero-ferreira-foi-inaugurado-a-2/877899252300517/
- https://www.youtube.com/watch?v=mZq6oaaeDw4
- https://www.youtube.com/watch?v=ZwPkbLgz8Ho