7.12.20

Restaurante Esplanada "Castanheira" - Um restaurante que serviu cinema

Continuando a viagem pela sempre mui nobre cidade de Lisboa, e após pesquisa feita ao extinto jornal "Diário de Lisboa", descobri que houve um cinema ao ar-livre, alojado num distinto restaurante situado na Estrada da Torre, nº 77, na zona do Lumiar. Esse restaurante chamava-se "Castanheira".

Postal do Restaurante "Castanheira"

Este espaço foi inaugurado no dia 16 de Abril de 1949, pelas mãos do seu fundador e proprietário, António Castanheira de Moura (1865-1961), natural de Vila Seca, Tábua. Estabeleceu-se em Lisboa, e como empresário do ramo da padaria, abriu 246 estabelecimentos de produção e venda de pão. Também foi o fundador da FEP - Federação Espírita Portuguesa, em 1926.

António Castanheira de Moura (1865-1961)

Este edificio, erigido na vasta propriedade do seu proprietário, englobava um café-bar; duas salas de restaurante que ladeavam um enorme salão-restaurante, capaz de albergar 300 pessoas; uma pista de dança onde, aos fins-de-semana, actuava uma orquestra privativa. 

Entrada do Restaurante "Castanheira"

Ementa 

Anúncio Publicitário do Restaurante no "Diário Popular"de 04-06-1955

Possuía igualmente um enorme parque automóvel, bem como uma "Esplanada-Cinema", inserida num parque aprazível que, no Verão, permitia aos clientes a possibilidade de assistirem a um filme, enquanto de deliciavam com a sua refeição. Mais tarde, este parque foi dotado de pequenas salas independentes que, equiparadas a "moradias", onde se realizavam banquetes de casamento, batizados e outros eventos sociais.

1º Anúncio Publicitário do Restaurante, datado de 23-04-1949

Grupo do "Jornal do Comércio", posando junto à "Esplanada-Cinema"

Por volta de 1954/1955, a entrada neste cinema ao ar-livre custava entre dez a quinze tostões.

Este espaço está igualmente ligado à História de Portugal. Nas eleições presidênciais de 1958, a candidatura do Eng.º Cunha Leal foi tornada pública neste restaurante, com intervenções notáveis, nomeadamente da escritora Natália Correia, que declamou um poema dedicado à memória de Catarina Eufémia.

Este restaurante também esteve ligado às primeiras edições experimentais da Radiotelevisão Portuguesa, que se realizaram a 4 de Setembro de 1956, a partir da Feira Popular de Lisboa, então localizada no Parque da Palhavã), porque viu instalado no seu espaço um posto receptor de emissão. 

Este restaurante surge indiretamente conectado às movimentações académicas de 1962, que então abalaram a Universidade de Lisboa, em torno das comemorações do "Dia do Estudante", a 24 de março. Jorge Sampaio presidia ao Plenário, realizado no Estádio Universitário, na qualidade de Secretário-Geral da R.I.A. (Reunião Inter-Associações), no qual participavam Afonso de Barros, António Arez, André Machado Jorge, entre outros. No final da reunião, foram até este restaurante, onde se encontrava a almoçar o Reitor da Universidade, de seu nome Marcelo Caetano. Antes mesmo de chegarem ao local, os estudantes foram dispersados por uma carga da Polícia de Choque.

António Castanheira de Moura e seus herdeiros foram os proprietários dos terrenos do restaurante até ao final da década de 1960. Posteriormente, nesse local, foi construído o Bairro da Cruz Vermelha. Nesses terrenos eram cultivados cereais para alimentar a fábrica de farinha, que se situava nas traseiras do restaurante, e que pertencia à familia Castanheira de Moura.



Este restaurante encerrou portas na década de 1980 e tornou-se num edificio em ruínas, até ser totalmente demolido em 2010.

Actualmente, funciona no seu terreno um Hipermercado Continente.


Fontes:

- https://restosdecoleccao.blogspot.com/2015/05/o-restaurante-castanheira-abriu-as-suas_29.html

- http://citizengrave.blogspot.com/2012/05/cinemas-onde-nao-vi-filmes-cinema.html

- https://www.facebook.com/contamehistoriaslisboa/photos/a.673186952809403/673186979476067/?type=3

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