Monumental- O "Gigante" dos anos 50

O Monumental e o seu nome diz tudo: grandeza, imensidão, colossal...um enorme ponto de referência de Lisboa, mais concretamente na Praça do Saldanha, onde existiu durante largos anos.

Cinema Império - Outro "Gigante" Lisboeta

Em Maio de 1952, seria inaugurado o Cinema Império, localizado na Alameda D. Afonso Henriques, que contou com as presenças de diversas individualidades importantes da altura.

EDEN - O "GIGANTE" dos Restauradores

O novo Éden Teatro foi inaugurado em 1937 com a apresentação da peça "Bocage", interpretada pelo actor Estevão Amarante, numa cerimónia memóravel presidida pelo Chefe de Estado, o Marechal Carmona.

Cinema Vale Formoso: Para quando a sua reabilitação?

Entre as décadas de 1950 e 1970, este cinema (a par de outros como o Júlio Dinis, Terço, Passos Manuel, etc.) foi considerado como uma das salas de referência da cidade do Porto, tendo sido explorado pela Lusomundo.

Águia De Ouro - Clássico do Porto

Em 1930 viria a inaugurar-se o cinema sonoro com o filme All That Jazz com Al Jolson. O Águia d'Ouro seria então considerada uma das melhores salas do Porto.

6.4.23

Cinemas do Paraíso: Sintra - Cine Teatro Carlos Manuel

Nos próximos dias, o presente blogue vai assentar arraiais no Concelho de Sintra. A primeira paragem faz-se na Praça Dr. Francisco Sá Carneiro, onde se encontra um magnifico edificio designado Centro Cultural Olga Cadaval.

Antes desta nova vida como centro cultural, este edificio foi um espaço dedicado à arte cinematográfica, com a designação de Cine Teatro Carlos Manuel.

Inserido no "boom" da construção de cinemas em Portugal, e após inúmeras alterações ao projeto original, este edificio foi construído em 1945. O projeto original era da autoria do Arqt.º Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962), que já tinha elaborado outros projetos arquitecturais ligados a espectáculos, nomeadamente: o edificio da Voz do Operário, o Cinema Max, o Cinema Royal e a Sociedade Amor da Pátria. Não sendo a obra mais significativa deste arquitecto, o edificio do Cine Teatro Carlos Manuel foi considerado como representativo de um estilo modernista tardio com elementos Art Deco, pertencendo também à classe tipológica funcional "Teatro à Italiana".

No Concelho de Sintra, este arquitecto já tinha elaborado o projeto do Casino de Sintra, construído entre 1922 e 1924 e inaugurado no dia 1 de agosto de 1924.

Vista panorâmica do Casino de Sintra - Arquivo Municipal de Sintra

Vista panorâmica do Casino de Sintra - Arquivo Municipal de Sintra

Próximo ao Casino de Sintra, no Bairro das Flores, existiu um outro espaço dedicado ao cinema, designado Sintra Cinema (não está relacionado com o cinema com o mesmo nome existente na Portela de Sintra). Foi o primeiro cinema a funcionar em Sintra, tendo encerrado em 1943. Seria na localização deste antigo cinema que iria nascer o magnânimo edificio do Cine Teatro Carlos Manuel.

Ãntigo Sintra Cinema no Bairro das Flores - Arquivo Municipal de Sintra

Antigo Sintra Cinema no Bairro das Flores - Arquivo Municipal de Sintra

O Cine Teatro Carlos Manuel foi inaugurado em 1948, tendo sido o único cinema a funcionar em Sintra durante largos anos. Foi durante 40 anos, uma referência no quotidiano da vida social e cultural sintrense, encontrando-se fortemente enraizado na memória coletiva do município.

Planta da fachada lateral sobre a Avenida do Bairro das Flores - Blogue "Restos de Colecção"

Planta da fachada lateral sobre a Avenida do Bairro das Flores - Blogue "Restos de Colecção"


Fachada principal - Visit Sintra

Fachada principal - Visit Sintra

Plateia e Balcão - Arquivo Municipal de Sintra

Plateia e Palco - Arquivo Municipal de Sintra

Plateia, Palco e Balcão - Arquivo Municipal de Sintra

Balcão e Plateia  - Visit Sintra

Bar - Arquivo Municipal de Sintra

Átrio do rés-do-chão - Arquivo Municipal de Sintra

Escada de Acesso ao 1º Andar - Arquivo Municipal de Sintra

Átrio do 1º Andar - Arquivo Municipal de Sintra

Escada de Acesso ao 1º Andar - Arquivo Municipal de Sintra

Escada de Acesso ao 1º Andar - Arquivo Municipal de Sintra

Anteprojeto - Arquivo Municipal de Sintra

Planta do rés-do-chão - Arquivo Municipal de Sintra

Planta do 1º Andar - Arquivo Municipal de Sintra

Para além da exibição de filmes, este espaço acolheu espectáculos de dança, música e teatro. As matinés carnavalescas e os concertos de Natal são apenas alguns exemplos das atividades que marcariam as memórias deste cine teatro.

Programa de cinema de 07.12.1952 - Arquivo Municipal de Sintra

Programa de Teatro de 01.09.1951 - Arquivo Municipal de Sintra

Programa de Dança de 24.05.1952 - Arquivo Municipal de Sintra

Programa de Carnaval de 1949 - Arquivo Municipal de Sintra

Em 1985, este cine-teatro seria atingido por um incêndio, que o deixou, em grande parte, destruído. O palco, os bastidores, o fosso da orquestra, a plateia e grande parte do balcão foram consumidos pelas chamas.
Após este incêndio, Sintra recorreu a outros espaços disponíveis para albergarem eventos culturais pontuais, nomeadamente a Trienal de Sintra e a Companhia de Teatro de Sintra.

Sendo a Vila de Sintra conhecida por albergar diversos eventos culturais, era preemente a existência de um espaço com capacidade para responder às necessidades de tais eventos. Em 1987, a Câmara Muncipal de Sintra adquiriu o edificio por forma a promover a sua reconversão e reabilitação. Assim, nasceria um espaço condigno para receber o prestigiado Festival de Sintra, bem como outros eventos, numa altura em que a vila fora elevada a Património da Humanidade pela UNESCO.

Em 1988, iniciaram-se os primeiros estudos que pretendiam viabilizar uma vasta utilização do edificio. Esses estudos apontavam para a criação de um auditório com cerca de 1200 lugares destinado a Ópera, Teatro, Concertos e Dança, e uma sala polivalente (estudio de cinema/sala de congressos), com capacidade para 200 a 300 lugares. No entanto, estas conclusões viriam a ser avaliadas e alteradas para salvaguarda do projeto original.

Na década de 1990, iniciaram-se as obras de requalificação deste edifício, cujo projeto foi da autoria dos Arquitectos João Monteiro Andrade e Sousa e Miguel Andrade e Sousa.. Não sendo viável uma recuperação integral, optou-se pela recuperação e salvaguarda dos espaços e elementos construtivos mais marcantes, nomeadamente:
  • O conjunto das fachadas do corpo principal;
  • Os foyers principais e seu revestimento de pavimentos, lambris e tectos;
  • As escadarias principais, de nobres proporções e desenvolvimento, com guardas metálicas policromáticas;
  • As paredes de alvenaria de pedra envolventes e definidoras da geometria da sala principal e a estrutura e laje do balcão;
  • Execução de alterações e adaptações na antiga sala, de modo a compatibilizá-la com as novas exigências de programa, nomeadamente no redesenho do perfil da plateia e fosso da orquestra;
  • Construção do novo corpo de cena, da sala de cinema, da sala de ensaios, de espaços de apoio e técnicos, implantando nas áreas demolidas e no jardm contíguo;
  • Execução de nova cobertura sobrelevada, incorporando todas as infra-estruturas e isolamentos acústicos indispensáveis;
  • Escavação adicional sob o foyer do Auditório Jorge Sampaio, para implantação do bar principal;
  • Arranjo dos espaços exteriores adjacentes, nomeadamente: passagem de ligação ao antigo Casino, actual Museu de Arte Moderna; colocação de um pórtico de entrada, com uma estrutura de porte monumental, reminiscente da memória dos antigos teatros de ópera no seu aparato, conferindo uma nova escala e presença urbana ao Centro Cultura e Tratamento da Praça Dr. Francisco Sá Carneiro.
Cine Teatro Carlos Manuel, década de 1990 - Arquivo Municipal de Sintra

Cine Teatro Carlos Manuel, década de 1990 - Arquivo Municipal de Sintra

Obras de Requalificação do Cine Teatro Carlos Manuel, década de 1990 - Arquivo Municipal de Sintra

Obras de Requalificação do Cine Teatro Carlos Manuel, década de 1990 - Arquivo Municipal de Sintra

Obras de Requalificação do Cine Teatro Carlos Manuel, década de 1990 - Arquivo Municipal de Sintra

O resultado final foi a reconversão deste edifício no Centro Cultural Olga Cadaval, inaugurado a 13 de outubro de 2001.

Este novo espaço engloba um conjunto de salas, áreas de apoio e espaços técnicos de grande qualidade técnica e funcional, nomeadamente:
  • Auditório Jorge Sampaio (sala de teatro), com capacidade para 1005 lugares;
  • Auditório Acácio Barreiros (sala de cinema), com capacidade para 276 lugares;
O novo corpo de cena, as duas asas do palco que aproveitam toda a largura do terreno, um subpalco, ligado ao novo fosso de orquestra e as zonas de armazenamento e de trabalho, são os espaços de maior envergadura e importância pafra o funcionamento do grande Auditório. Esta sala não só passou a contar com a possibilidade de realização de congressos apoiados pelas cabines de tradução, mas também com melhores condições a nível cénico. A boca de cena, ligação com o corpo de cena, foi alargada para 14m de largura e 9m de altura.

Na zona da plateia, o pavimento foi reconstruído e foram adicionados aos estudos iniciais régies de tradução, sonorização, iluminação e projeção. Na zona da caixa de palco foram englobados, num piso inferior, o fosso de orquestra e o sub-palco, ambos com estruturas que possibilitam a sua elevação permitindo uma variedade de configurações para melhor adaptação ao espetáculo em causa.

É ainda de referir que os dois auditórios que constituem o Centro Cultural - Auditórios Jorge Sampaio (grande) e Acácio Barreiros (pequeno) - são apoiados por várias salas de ensaio (sendo a principal de dimensões semelhantes à cena do Auditório Jorge Sampaio), um conjunto de camarins coletivos e individuais, em condições de receber qualquer produção do circuito nacional e internacional e zonas de trabalho e armazenamento.

Auditório Jorge Sampaio - Câmara Municipal de Sintra

Auditório Jorge Sampaio - Câmara Municipal de Sintra

Auditório Acácio Barreiros - Câmara Municipal de Sintra

Auditório Acácio Barreiros - Câmara Municipal de Sintra

Auditório Acácio Barreiros - Câmara Municipal de Sintra

Foram efetuados diversos melhoramentos e benefícios, nos três corpos do edifício, tendo todas as infra-estruturas sido executadas, integralmente, de novo, como todas as alimentações e ligações às redes de abastecimento, que compreenderam as instalações eléctricas, telefónicas, mecânicas, de ventilação e condicionamento de ar, a segurança, as redes de águas e esgotos, os equipamentos de bares e ascensor.

Ao nível da acústica existiu, igualmente, um trabalho de grande envergadura que se reflectiu na escolha de materiais e revestimentos, constituição de paredes, lajes e coberturas e seus isolamentos, geometria dos espaços e na especificação de vários elementos construtivos.

A decoração dos interiores cumpriu-se numa estrutura espacial despojada, na valorização das texturas e dos materiais que se assumiram numa continuidade decorativa despojada de excessos. Procurou-se a beleza através da homogeneidade dos materiais, das cores e do espírito das formas. Encontra-se assim mármores beges, castanhos e pretos, obras de arte, móveis e iluminação, passíveis de condizer com o ambiente de prazer proporcionado pelo espectáculo, e uma atenção muito particular dispensada ao foyer principal.

Átrio - www.allaboutportugal.pt

Átrio - www.allaboutportugal.pt

Foi atribuido a este renascido edifício, o nome da grande mecenas Olga Nicolis di Robilant Álvares Pereira de Melo, Marquesa do Cadaval, personalidade marcante da vida nacional do Séc. XX, a quem Sintra deve a génese do seu Festival de Música, que vê desta forma reconhecido o papel importante que teve no panorama cultural português, graças ao seu contributo relevante para divulgação da arte musical.


Fontes:

DOS REIS, Filipe Miguel Costa. Dissertação "A Cultura como Influência da Reabilitação e Revitalização do Centro Histórico de Portimão". Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, 2015

https://cm-sintra.pt/atualidade/cultura/espacos-culturais-auditorios/centro-cultural-olga-cadaval

https://arquivoonline.cm-sintra.pt/

https://ccolgacadaval.pt/

https://visitsintra.travel/pt/sintra-antiga/13-cineteatro-carlos-manuel

https://restosdecoleccao.blogspot.com/2013/09/cine-teatro-carlos-manuel.html

https://www.alagamares.com/a-vida-mundana-em-sintra-antes-do-25-de-abril/

https://www.e-cultura.pt/patrimonio_item/14100

http://revistatritao.cm-sintra.pt/index.php/listaefemerides/329-1945-o-arquitecto-norte-junior-projecta-o-cineteatro-carlos-manuel

https://www.allaboutportugal.pt/en/sintra/cultural-centers/centro-cultural-olga-cadaval

11.2.23

Cinemas do Paraíso: São Bartolomeu de Messines

A viagem pelas memórias das antigas salas de cinema do país leva-nos ao Algarve, mais concretamente a São Bartolomeu de Messines.

Tudo começa com a invenção do cinematógrafo pelos irmãos Lumiére, em Paris, no final do século XIX. Esta invenção originou o cinema e a sua primeira exibição teve lugar na mesma cidade em 1895, expandindo-se rapidamente para o resto do mundo, nos anos seguintes.

A primeira exibição cinematográfica decorreu em Faro, no Teatro Lethes, a 11/09/1898, devido à circulação ferroviária que permitiu a chegada rápida das tecnologias.

São Bartolomeu de Messines, com a sua estação própria nas imediações da aldeia, também beneficiou com os prodígios dessa facilidade de comunicação. As primeiras sessões de cinema foram esporádicas, ocorrendo em animatógrafos ambulantes, ao ar livre, como por exemplo no Largo da Pontinha.

Contudo, no final da década de 1920, a criação de um cinematógrafo fixo na vila ganhou preponderância, devido a um notável incremento comercial e industrial que a própria vivia.  Assim, em Julho de 1930, a imprensa regional afirmava que estava para breve a conclusão de um "belo edificio destinado ao cinema e teatro". No entanto, alguns atrasos no licenciamento adiaram a sua inauguração para 17/11/1930. 

Assim nasceu o Cine-Teatro João de Deus na Rua Dr. António Neves Anacleto, promovido por Arlindo Guerreiro Santana. A sala deste cinema era iluminada a eletricidade (a partir de um motor Junkers, com dínamo), e tinha capacidade para 568 espectadores. "A Hora Suprema" foi o primeiro filme exibido.

Este cinema revelou-se um enorme sucesso, atraindo muitos cinéfilos das freguesias vizinhas e do Baixo Alentejo, promovendo a organização de carreiras especiais nos dias de sessão, normalmente ao Domingo. A máquina projectora era desmontável, levando Arlindo a diversas povoações do Algarve. A 26/05/1032, estreou o cinema sonoro com a película "Anny no Music-Hall".

No início da década de 1940, este cinema foi vendido aos irmãos Inocêncio e Domingos Matias. Em 1970, José Inácio Martins, o novo proprietário do espaço, empreendeu a sua demolição devido às fracas condições do mesmo. Um novo cinema foi construído e inaugurado a 08/03/1972, conjuntamente com o Jardim-Escola João de Deus.

O novo cinema, composto por plateia e balcão, apresentava uma óptima visibilidade e excelente condições acústicas e tinha perto de 400 lugares. Tal como o cinema anterior, este novo espaço teve um enorme sucesso, atraindo não só cinéfilos da freguesia, como também de outros concelhos. 

Esta sala não foi utilizada somente para projecções. Em Janeiro de 1947, a população de S. Bartolomeu de Messines recebeu, de forma apoteótica, João de Deus Ramos, filho do poeta João de Deus, para assistir à conferência integrada no programa das edificações dos "Jardins-Escolas João de Deus".

Foi neste espaço que ocorreu a sessão solene de elevação da aldeia à categoria de vila a 02/03/1973. 

Fotografia de Fernando Gonçalves (1975) - Facebook "Regresso ao Passado"

Apesar de alguns interregnos, este cinema reabriu a 19/07/2018, tendo sido sujeito a obras de remodelação.





Fontes: 

- http://www.terraruiva.pt/2021/03/27/o-cine-teatro-joao-de-deus-em-sb-messines-90-anos-de-historia/

- http://www.terraruiva.pt/2018/07/14/cinema-de-messines-vai-reabrir/

- Facebook "Regresso ao Passado" - https://www.facebook.com/photo/?fbid=2309043409270898&set=g.273605916390111

- https://www.facebook.com/people/Cine-Teatro-Jo%C3%A3o-de-Deus/100054239571699/?locale=pt_BR

- https://www.portugalist.com/messines/

11.1.23

Star: O Cinema do Conforto

De volta a Lisboa, vou recordar um pequeno cinema que existiu na cosmopolita Avenida Guerra Junqueiro, n.º 14... de seu nome STAR.

Na década de 1960, a lei permitiu que edificios de habitação pudessem incluir outros espaços, com fim distinto, nomeadamente salas de cinema. O Arqt.º Henrique V. de Figueiredo conseguiu colocar em prática esta intenção, ao traçar um bloco de apartamentos e uma sala de cinema, que se situava na cave do prédio, embora a entrada fosse feita no rés-do-chão. O projecto contemplava, igualmente, um átrio, ao nível da rua, e dele se descia para a sala através de uma escadaria, carregada de mistério, que conduzia o espectador para um espaço pouco visível. No exterior, uma enorme caixa de alumínio e vidro assinalava a presença do recinto, bem como um lettering com o nome do cinema. Foi assim que surgiu o Estúdio 444 em 1966, precedido pelo Cinema Mundial em 1964, o Cinema Vox em 1968, o Cinebolso em 1975, o Cinema Nimas em 1975, o Cine Estúdio 222 em 1979, o Cinema Zodíaco em 1979, bem como o cinema Star em 1975.

Este cinema foi inaugurado a 9 de dezembro de 1975, sob a direcção do produtor cinematográfico António Maduro, com a ante-estreia do filme "O Gato, o Medo, o Rato e o Amor" do realizador Claude Lelouch. Na época, foi considerado como um espaço espectacular: "(...) onde apetece ir somente paras lá estar,  tal é o seu requinte, conforto e bem-estar que proporciona (ao corpo,  aos olhos e aos sentidos)".

A sua inauguração foi um evento que reuniu a velha familia do cinema em Portugal, algo que se tinha perdido com o advento do 25 de abril de 1974.

Inauguração do Cinema Star  (Revista "Cinema 15", 02.01.1976)

Publicado no suplemento "Sete Ponto Sete", do Diário de Lisboa de 08.05.1976

Este cinema, cujo projeto arquitectónico foi da autoria de Ramos Chaves, aproveitou o espaço de um antigo stand de automóveis, o Stand Casquilho. O seu custo total foi de 18 mil contos.

Cinema Star - 1977 (Arquivo Municipal de Lisboa)


Cinema Star - 1977 (Arquivo Municipal de Lisboa)

Cinema Star - 1977 (Arquivo Municipal de Lisboa)

De realçar o pormenor da calçada, onde se encontrava gravado o nome do cinema junto à sua entrada.

De acordo com Óscar Casaleiro, autor do excelente blogue "Museu dos Cinemas" e assíduo frequentador deste cinema, se houvesse um campeonato das salas de cinema mais confortáveis, esta seria a vencedora. As poltronas eram macias e repletas de conforto, tornando-se na imagem de marca deste cinema. A entrada era muito ampla e possuía uma escadaria de acesso à sala de cinema, que ficava no piso inferior. Um painel promocional circundava a zona superior do cinema, anunciando o filme, as horas das sessões e o número de semanas que o filme estava em cartaz. Era inegável... quem passava por aquela avenida, sabia que existia ali um cinema.

Destaca-se, igualmente, a boa inclinação, a visibilidade e a decoração do tecto, constituído por pedaços de várias formas suspensas, que conferiam à sala uma coerência estética belíssima. 

Houve diversos filmes que fizeram longa carreira de bilheteira neste cinema, nomeadamente: "O Hotel da Praia" (15 semanas em 1978), "O Segredo de Fedora" (16 semanas em 1979), "Um Casamento Muito Original" (17 semanas em 1980), "O Meu Tio da América" (16 semanas em 1981), "Uns... e Outros" (41 semanas em 1981/1982), "Os Deuses Devem Estar Loucos" (32 semanas em 1982/1983), "A Educação de Rita" (21 semanas em 1984), "Gente Gira" (23 semanas em 1984/1985), entre outros. Também foram exibidos neste cinema, filmes como "Nove Semanas e Meia", "Caça ao Outubro Vermelho", "Ghost - O Espírito do Amor", "O Silêncio dos Inocentes" e "Thelma e Louise".











Bilhete de 11.01.1976 (cortesia de Carlos Caria, membro do grupo do Facebook "Cinemas do Paraíso"


Em 1992, e de uma forma imprevista, este cinema acabou por fechar as suas portas, muito por culpa da especulação imobiliária, do aparecimento dos centros comerciais e da fraca adesão dos espectadores às salas de cinema. Graças à amável cedência destas fotografias ao blogue "Museu dos Cinemas", por parte de Frederico Corado, é possível contemplar como era este espaço.





Transformou-se numa loja Marks & Spencer e, actualmente, é uma loja VIVA, dedicada à venda de artigos para casa. Olhando para a fachada actual, não existe qualquer vestígio de que, outrora, existiu um cinema neste espaço. Resta a memória dos amantes e frequentadores deste cinema.


Fontes:

ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa – Um fenómeno urbano do século XX, Lisboa, Editorial Bizâncio, 2012

Diário de Lisboa de 08.05.1976

Revista "Cinema 15" de 02.01.1976, p. 30

https://museudoscinemas.wordpress.com/2020/11/02/cinema-star-1977-1992-o-rei-do-conforto/

https://museudoscinemas.wordpress.com/2023/01/09/o-fim-do-cinema-star/

https://arquivomunicipal3.cm-lisboa.pt/xarqdigitalizacaocontent/PaginaDocumento.aspx?DocumentoID=3595026&AplicacaoID=1&Pagina=1&Linha=1&Coluna=1

https://arquivomunicipal3.cm-lisboa.pt/xarqdigitalizacaocontent/Imagem.aspx?ID=4777309&Mode=M&Linha=1&Coluna=1



22.12.22

Cinemas do Paraíso: Vila Nova de Milfontes

Faleceu, nesta semana, António Feliciano Inácio, com 83 anos. Foi um homem que agiu em prole da população de Odemira, Alentejo e até mesmo do país, enquanto agente da cultura e projeccionista de cinema. Foi um homem que amou profundamente o cinema e a sua divulgação.

Natural de Saboia, António Feliciano Inácio, despertou muito cedo para o cinema, projectando filmes junto das comunidades locais, bem como nos lugares mais longínquos, por forma a que todos pudessem ter acesso ao cinema. Foi graças a este homem que milhares de habitantes do Concelho de Odemira viram o cinema pela 1ª vez.

Começou a projectar filmes em 1963 em vilas e aldeias, anunciando pelos altifalantes da sua carrinha o filme que ia ser exibido. Nestes locais, era um momento de celebração, visto que não existiam televisores ou cinemas por perto, muito menos vídeo ou internet.  As Casas do Povo e Associações Recreativas enchiam-se para ver os filmes.

Começou como ajudante de um projeccionista de cinema ambulante e seguiu esta carreira por mais de 58 anos, sendo um dos últimos da sua profissão a operar no país e no continente europeu. Numa entrevista a um jornal, ele afirmou que aos 4, 5 anos já andava atrás da carrinha que levava cinema ambulante a Saboia.

Fundou o Cineteatro Girassol, localizado na Rua Custódio Vaz Pacheco, em Vila Nova de Milfontes, uma das primeiras salas de cinema do Concelho de Odemira. Com capacidade para acomodar 278 pessoas, este cinema esteve integrado em várias iniciativas culturais do Concelho de Odemira. 


Cinema Girassol, 1990


Em 2008, a Fundação Odemira organizou um festival para promover o cinema no Concelho, tendo sido destacada este cineteatro, que era considerado como uma entidade cultural emblemática do Concelho. Francisco Antunes, Presidente da Comissão Executiva da Fundação e da Escola Profissional de Odemira, classificou António Feliciano Inácio como "um dos mais carismáticos projeccionistas ambulantes do país", quando este levava sessões de cinema às aldeias, recordando o período em que Cinema Girassol funcionou ao ar livre.

Também fundou uma sala de cinema em Saboia. Foi agraciado com a Medalha Municipal de Mérito do Concelho de Odemira em 2006.

Para além das sessões de cinema, também albergou outros tipos de eventos como "Festival Internacional de Guitarras de Milfontes" em 2013.

A sua história foi contada em diversos jornais e media de todo o mundo, nomeadamente num documentário ficcionado de Rosa Coutinho Cabral, intitulado Cães sem Coleira, em 1997.

Em 2016, a banda "Os Azeitonas" publicou o single Cine Girassol, homenageando António Feliciano Inácio. O argumento deste vídeo é da autoria de Nuno Markl.


O cinema perdeu esta semana um dos seus maiores entusiastas... RIP António Feliciano Inácio.


Fontes:

https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=pfbid038EDWJgWkEiCLtSx69fs3eBo8NCqnYH9H1p9xWpReWUg9d6ppju3f4RQgMT6d5UXQl&id=100064824035411

https://www.facebook.com/photo?fbid=530419045795559&set=a.460732786097519

http://www.monumentos.gov.pt/site/app_pagesuser/SIPA.aspx?id=10747

- https://pt.wikipedia.org/wiki/Cinema_Girassol



10.12.22

Em exibição... 25 de abril de 1974


 

Querem saber quais os filmes que estavam em exibição em Lisboa no dia 25 de abril de 1974? então vejam este vídeo e recordem as salas de cinema existentes na época. Muitas delas já desapareceram, poucas delas sobreviveram.

27.8.22

Cinemas do Paraíso: Viana do Castelo

Em plenas férias, resolvi visitar a belissíma cidade de Viana do Castelo. E, como é óbvio, essa visita merece um post sobre os cinemas que existiram e existem nesta cidade.

Inicio este post com a história do Cinema Palácio, o primeiro cinema construído para o efeito em Viana do Castelo. Foi inaugurado a 30 de setembro de 1950 e funcionou durante 40 anos, até fechar portas por volta de 1990. Foi uma importante sala de cinema em todo o Concelho de Viana.

Em 1997, o edificio foi reconvertido em espaço comercial e escritórios, passando a designar-se "Edificio Palácio", tendo sido somente preservadas as fachadas originais sobre a Rua de Aveiro e Avenida Rocha Páris.


O 2º cinema a ser abordado neste post, e que funciona ocasionalmente como a casa das sessões de cinema promovidas pela Associação de Promoção e Animação Audiovisual "AO NORTE", chama-se Verde Viana e encontra-se localizado no Centro Comercial 1º de Maio, situado na praceta com o mesmo nome. Este centro comercial abriu portas em 1989 e, actualmente, encontra-se ao abandono, com a maioria das lojas desactivadas. O cinema tem a lotação de 134 lugares.



Por fim, vou falar do Cineplace Viana Shopping, situado no piso 0 da Estação Viana Shopping. Estas salas de cinema são geridas pela Sonae Sierra e pela empresa brasileira, Grupo Orient.





Fontes:

- https://www.olharvianadocastelo.pt/2016/09/palacio-o-primeiro-cinema-de-viana-1950.html

https://www.facebook.com/olharvianadocastelo/photos/a.355974311169789/2796119290488600/?type=3

- https://www.allaboutportugal.pt/en/viana-do-castelo/cultural-centers/cinema-verde-viana