Arco-Iris: destino de peep-show


Inaugurado nos anos 40 este cinema localizava-se mesmo ao lado do Coliseu dos Recreios na Rua das Portas de Santo Antão.
Nos anos 70 encerrou e depois do 25 de Abril deu lugar a um estabelecimento de Peep-Show chamado BAR 25.
No início dos anos 80 foi convertido numa grande pastelaria e café-bar. Alguém sabe qual o nome dessa pastelaria?






Fonte: http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2010/02/arco-iris-1940-1975.html
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/x-arqweb/(S(5hlkodrbth0ra3aanemcfl45))/SearchResultOnline.aspx?search=_OB%3a%2b_QT%3aTI__Q%3aCINEMA+ARCO-IRIS_EQ%3aF_D%3aF___&type=PCD&mode=0&page=0&res=0&set=%3bAF%3b

Alvalade: o cinema renascido das cinzas

O Cinema Alvalade foi projectado pelo Arqª Lima Franco em 1945 e inaugurado em 1953 sendo mais um representante da era dos "gigantes" dos anos 50.


O interior possuía uma grande escadaria onde se podia apreciar um painel com uma pintura da autoria de Estrela Faria, sendo considerada uma das principais obras da pintora. A sala era composta pela plateia e dois balcões de grande dimensão para servir a população de um bairro em crescimento acelerado. Este cinema tinha capacidade para 1262 espectadores.





O Cinema Alvalade foi durante décadas um dos símbolos do bairro com o mesmo nome. Quando foi encerrado em 1985, foi arrendado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) que no ano 2000 o abandonou.
A partir de então o cinema foi alvo de inúmeros actos de vandalismo, servindo nos últimos anos de abrigo a marginais.





Em Junho de 2003 o cinema de Alvalade acabou por ser demolido e no seu lugar surgiu um edifício de oito pisos, destinado a habitação e escritórios, cujo projecto foi da autoria do Arqº Rui Rosa chamado Hollywood Residence.
Em 2009 foi inaugurado um novo complexo de cinemas no mesmo local, com 4 salas de cinema, com capacidade para 500 lugares, um bar, lojas e estacionamento público (5 pisos). 
O painel de Estrela Faria que tinha sido classificado pelo IPPAR foi guardado e colocado no referido complexo, o que é de louvar.









Fonte: http://cinemaaoscopos.blogspot.com/2010/03/alvalade-1953-1985.html
http://lx-projectos.blogspot.com/2007/01/cinema-alvalade.html
http://alvalade.no.sapo.pt/cinalvalade.htm
http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/x-arqweb/(S(5hlkodrbth0ra3aanemcfl45))/SearchResultOnline.aspx?search=_OB%3a%2b_QT%3aTI__Q%3aCINEMA+ALVALADE_EQ%3aF_D%3aF___&type=PCD&mode=0&page=0&res=0&set=%3bAF%3b

Monumental: o "Gigante" dos anos 50




A arquitectura dos cinemas portugueses ganhou um segundo fôlego na década de 50 com o aparecimento de grandiosas salas que, devido às novas possibilidades técnicas, ao "Cinemascope" e aos ecrãns gigantes, exigiam um espaço enorme. Foi nesta década que começaram a surgir salas que podiam atingirm os 2000 lugares!
Os novos cinemas deixaram de ser fachadas ou esquinas em ruas para ocuparem quarteirões inteiros, sendo considerados como autênticos monumentos urbanos, pontos de referência dentro da cidade.
Um desses cinemas e aquele que se tornou na referência maior do espaço-cinema em Portugal foi o Monumental e o seu nome diz tudo: grandeza, imensidão, colossal...um enorme ponto de referência de Lisboa, mais concretamente na Praça do Saldanha, onde existiu durante largos anos. Foi cinema e teatro, inaugurado a 14 de Novembro de 1951 e teve como obreiro o Arqº Raul Rodrigues Lima (responsável pelo Cinema Cinearte, inaugurado em 1940) que iniciou este sofisticado e complexo projecto em 1944, devido às exigências cnematográficas que se adivinhavam e que glorificariam este cinema como espaço de imagens gigantes, sons estereofónicos e efeitos que faziam estremecer e sonhar.



   

O edificio era marcado por gigantescas estátuas no seu exterior e o átrio era amplo, um local de passagem e encontro para muita gente, tal como o café-restaurante. Os lustres e mármores aglomeravam-se na decoração do interior da sala e das galerias. A sala de cinema era composta por 2710 lugares e a de teatro era composta por 1182. 
Para rentabilizar melhor o espaço interno, o arquitecto introduziu três balcões que se prolongavam lateralmente até ao palco e ainda dois camarotes “avant-scène” ricamente decorados.
  





No seu interior, havia um gigantesco foyer, muito à Hollywood, com mármore, dourados e lustres.




A entrada principal do edifício, comum a todos os espectadores, fazia-se pelo grande vestíbulo principal semi-exterior que, comunicando directamente com a Praça Duque de Saldanha por meio de uma arcaria de volta perfeita, funcionava quase como um prolongamento desta. A sala de teatro, com eixo central paralelo à Av. Praia da Vitória, possuía dimensões mais reduzidas de modo a aproximar os espectadores do palco.
A sala de cinema, com eixo central paralelo à Av. Fontes Pereira de Melo, possuia grandes dimensões permitidas pelo grande ecrã existente e pelos altifalantes que regulavam o som de acordo com as dimensões da sala. Comportando dois balcões, esta sala constituía... a referência mais imensa do espaço-cinema em Portugal : a sala cheia parecia uma cidade!.
No topo do edifício funcionava um atelier (onde se faziam cartazes dos filmes) que, mais tarde,  transformou-se numa pequena sala-estúdio, o Satélite, que foi inaugurada em 1970 com o filme Coisas da Vida  com Romy Schneider e Michel Piccoli. 

 




O exterior do Monumental era de pedra, com colunas, estátuas decorativas e esferas armilares de ferro que estão actualmente junto ao Padrão dos Descobrimentos, em Belém. Na lateral da Avenida Fontes Pereira de Melo albergou o famoso café restaurante “Monumental”.




Muitos dos grandes nomes dos primórdios da música rock portuguesa passaram pelo este palco, tendo ficado na memória de muitas pessoas uma noite a meio dos anos 60 em que os Gatos Negros, a maior banda rock portuguesa na altura, chegaram ao ponto de encherem a Praça do Saldanha, numa altura em que qualquer ajuntamento com mais de cinco pessoas era estritamente proibido. Enquanto uma multidão se juntava na praça, lá dentro milhares de fãs esgotavam por completo o recinto, e Victor Gomes todo vestido de cabedal preto, corria pelo palco de microfone em riste dando os seus famosos saltos à Tarzan levando ao delírio o público. Outros tempos...Neste cinema foram exibidos grandes produções como 20 000 Léguas Submarinas, West Side Story, A Bela Adormecida, My Fair Lady, Ben-Hur, 2001- Odisseia no Espaço e o incontornável Star Wars - Guerra das Estrelas, numa caminhada anunciada para o seu término que ocorreu em 1983, devido á falta de público que justificasse os custos de manutenção.




Antes da sua morte, o Arqº Raúl Rodrigues Lima visionou um projecto que almejava a completa remodelação do Monumental, de acordo com os novos tempos e hábitos do público de cinema. A grande sala dividida em pequenas salas e a entrada aproveitada para várias lojas tornariam decerto o cinema rentável.
Contudo de nada valeu o seu esforço, pois não estava em questão salvar um espaço, mas sim de arranjar uma justificação para vender e rentabilizar o espaço ocupado pelo Monumental.


Numa manhã de 1984, os lisboetas acordaram com a noticia que não estavam à espera de ouvir que abordava a demolição do Monumental. As pessoas começaram a acorrer ao local em número cada vez maior e a contestação foi enorme. Ficava claro que a C.M.Lisboa era impotente para travar o poder crescente dos empreiteiros da construção civil sobre os imóveis
pertencentes a particulares. A queda do Monumental foi o ponto de partida para a demolição de outros grandes cinemas. Salvaram-se os que foram classificados à pressa como património nacional ou foram convertidos em teatros ou igrejas. A demolição do Monumental traumatizou durante anos os lisboetas, assinalando assim o fim de uma era.
No mesmo local ergue-se hoje um moderno edifício, também chamado Monumental, com escritórios e lojas e quatro salas de cinema, a maior das quais com 378 lugares...um monumento aquém do esplendor que o anterior representava para a cidade de Lisboa.



Fonte: Fernandes, José Manuel (1995) Cinemas de Portugal. Edições Inapa.
 
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