Nimas: Mais um triste fado...ou não?




Este tópico é dedicado uma pequena sala de cinema que ganhou uma nova vida...não transmitindo filmes, mas sim música. Falo-vos do Cinema Nimas, situado na Av.ª 5 de Outubro em Lisboa (sim, ele não foi demolido...lá continua mas com outro nome). Agora já não se apelida de Cinema Nimas, mas sim Espaço Nimas. Mas antes de avançarmos para o Espaço Nimas, falemos do que é mais importante...do cinema que outrora existira.
Na década de 1960 surgiram em Lisboa diversos cinemas inseridos em edifícios de habitação, como o Estúdio 444, Cinema Mundial, Cinema Vox e o Cinema Londres. 
O Cinema Nimas foi à boleia dos espaços referidos, tendo sido inaugurado em 1975 com o filme Chove em Santiago. Sempre foi considerada uma sala pequena (200 lugares), simpática, bem situada, com uma boa programação. Neste mesmo ano, Lauro António lançou a sua primeira curta-metragem Vamos ao Nimas, já nessa época um testemunho do desaparecimento dos cinemas de bairro ou de reprise.
Foi neste cinema que, em 1979, na estreia do filme As Horas de Maria de António Macedo, se verificaram agressões a assistentes e graves manifestações de repúdio e de diversos sectores católicos.
Em 1983, o Cinema Nimas abriu as suas portas ao programa de rádio “A Febre de Sábado de manhã” de Júlio Isidro que marcou uma época e foi responsável por trazer ao nosso país pela primeira vez inúmeras bandas de renome internacional.
Em Dezembro de 1991, o Nimas entrou numa nova fase ao apostar no cinema europeu, transformando-se numa sala obrigatória no circuito dos cinemas da capital. O sucesso da única sala do Nimas veio contrariar a ideia de que uma programação exigente e de qualidade não teria espectadores ou estaria condenada ao desaparecimento. O Nimas manteve-se de portas abertas durante muito tempo com um público fiel sem partilhar o universo dos multiplex. Não vendia pipocas porque era praticamente a única sala que não estava agregada a qualquer centro comercial nos últimos anos. O seu maior defeito era possuir um ecrã demasiado grande para a dimensão da sala. Nos últimos anos, a sala tem sido explorada pelo grupo Medeia, pertencente a Paulo Branco, tendo sido durante uns tempos um local privilegiado para o cinema francês. 


Aproveitando que a sala de cinema já se encontrava moribunda e quase encerrada, José Maria Branco (filho de Paulo Branco) resolveu fazer do antigo cinema uma nova sala de espectáculos de modo a reutilizar a sala que serviu para encantar telespectadores de outrora. Este espaço continua a ser gerido pela Medeia filmes que tem apostado em reposição de clássicos incontornáveis da 7ª Arte e de ciclos especiais. Nos últimos meses, o Nimas tem estreado filmes aclamados internacionalmente como Fausto de Aleksandr Sokurov e Noutro País, de Hong Sang Soo. Contudo, também acolhe espectáculos inter/multidisciplinares que passam pelo Teatro, Música, Live Act, Dança Contemporânea, Performance, Video, Instalação Artística, Fotografia, etc.






Fonte: 
ACCIAIUOLI, Margarida, Os Cinemas de Lisboa – Um fenómeno urbano do século XX, Lisboa, Editorial Bizâncio, 2012
http://diasquevoam.blogspot.com/2010/01/os-cinemas-tambem-se-abatem.html
 
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